A complexidade dos desafios econômicos, sociais e políticos que pairam sobre o Brasil têm-se mostrado um campo fértil a dúvidas quanto ao futuro do País. E não é para menos.
A chamada "crise iminente" - como alguns especialistas andam rotulando esse processo -, centrada no que pode estar "por vir", vem abalando sistematicamente quem produz e gera riquezas, mexendo com os mecanismos naturais de mercado, assim como com a rotina de pobres e ricos.
É verdade, a economia global trilha passos turbulentos, com inflação e juros aquecidos e, claro, o Brasil não está imune a tudo isso, ainda que com preços mais ou menos em trégua, já que o Banco Central tem usado as altíssimas taxas de juros (Selic) para conter o "dragão", através da política monetária, com prejuízo estrutural do crescimento e do crédito.
A dramática divisão política, por sua vez, que tem gerado impasses lamentáveis e dificultado a aprovação das reformas necessárias para o crescimento de longo prazo, também tem contribuído para a desconfiança generaluzada em dias melhores.
Tem ainda a interminável tensão entre os Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) a forjar um ambiente propício à instabilidades e incertezas, com explosivo poder de afugentar investidores.
As crônicas situações da violência e da deficiência de serviços públicos (saúde e educação) também seguem sem perspectivas de involução, o que também retroalimenta o "baixo astral" coletivo que parece tomar conta do Brasil.
E o que dizer das guerras, crises geopolíticas e a própria desaceleração econômica de grandes potências - China e EUA, por exemplo -, que têm impactado diretamente no Brasil como grande exportador de commodities que é? Quem desmontará essa bomba-relógio, mesmo o Brasil demonstrando pontos de resiliência ao "estado de coisas”?
São os casos da prevalência de um agronegócio sólido, âncora poderosa da economia, capaz de gerar superávits recordes na balança comercial, e a inversão da taxa de desemprego, mostrando alguma recuperação do mercado.
Quanto ao sistema bancário (robusto e por sinal regulado), capaz de atenuar ou até evitar colapsos, resta dimensionar os estragos de um possível descumprimento da lei Magnitsky.
No geral, avalio que o Brasil ainda tem, sim, um enorme potencial não explorado em energia verde, tecnologia e indústria criativa, acenando com um futuro de desafios e não só de ruínas.
Como os riscos de colapso não são pequenos, o Brasil precisará de lideranças competentes e responsáveis para navegar esses "mares bravios", através de políticas públicas eficazes para proteger os mais vulneráveis e estimular a economia.
Foto: Agência Brasil
______________________