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Ao autorizar a importação de tilápia do Vietnã, de qualidade duvidosa, governo escolhe exportar empregos

É difícil compreender porque ninguém explica a bizarra falta de isonomia nesta nebulosa relação comercial com o Vietnã

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  • José Croelhas | Especial para o POD
  • 10/08/25 10:00
Ao autorizar a importação de tilápia do Vietnã, de qualidade duvidosa, governo escolhe exportar empregos

O Brasil começou receber em agosto - aliás, no mesmo dia em que foram aplicadas as novas tarifas de importação do governo dos Estados Unidos aos produtos brasileiros -, filé de tilápia oriundo do Vietnã. Desde a primeira importação deste produto, ano passado, a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), entidade representativa da maciça maioria dos produtores de tilápia no País, posicionou-se contrária à importação, e não foi por interesses meramente comerciais, mas pela excepcional disponibilidade e qualidade superior do produto brasileiro, um dos mais conceituados do mundo.


Ninguém consegue explicar, portanto, a "tara" do governo Lula pela compra do peixe exótico vietnamita, quando é fartamente sabido que os protocolos de produção e de processamento utilizados por lá, são absolutamente proibidos no Brasil, por não respeitarem peculiaridades sanitárias, ambientais, tributárias e até trabalhistas, "detalhes" que proporcionam ao Vietnã um tão notável quanto desleal ganho de competitividade no mundo.


A entidade nacional dos produtores brasileiros de tilápia, aliás, até comprovou por meio de análises laboratoriais em filés de panga - uma outra espécie exótica também largamente exportada pelo Vietnã -, importado de diversas indústrias vietnamitas, que mais de 90% dessas amostras apresentavam características em desacordo com o que exige a legislação brasileira, estabelecida através da Instrução Normativa 21, de 31 de maio de 2017, do Ministério da Agricultura.


É difícil compreender porque ninguém explica a bizarra falta de isonomia nesta nebulosa relação comercial com o Vietnã, que aliás não se restringe às práticas de processamento proibidas no Brasil, mas também alcança, como já mencionei, questões ambientais, tributárias e trabalhistas, que deveriam ser levado em conta em favor dos brasileiros. 

É trágico "engolir" o fato de o Brasil, dono de uma das tilapiculturas mais profissionais, respeitadas e competitivas do planeta, obrigar seus produtores a colocarem-se de joelhos mendigando senso de justiça a um governo que demonstra ignorar o bom senso e a lógica das práticas econômicas.


Em tempos sombrios de tarifas enlouquecidas por conta da geopolítica, a suspensão imediata dessa absurda e desnecessária autorização para importação do filé de tilápia vietnamita é o mínimo que o governo brasileiro deveria fazer para defender o produtor (da perda de seus investimentos), o trabalhador (da perda dos empregos) e população das possíveis inconformidades presentes no produto estrangeiro. Valeria, inclusive, como medida de compensação de perdas pelas exportações de tilápia que passaram a não ser realizadas para os Estados Unidos.


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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.