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EM BELÉM

Transparência zero, ônibus recolhidos e praças fechadas desgastam a gestão

Prefeitura de Belém acumula críticas por falta de transparência, crise no transporte público e lentidão em projetos urbanos anunciados como vitrines da gestão

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 31/05/26 11:00
Transparência zero, ônibus recolhidos e praças fechadas desgastam a gestão
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om pouco mais de um ano e meio de gestão, o prefeito de Belém, Igor Normando, agora politicamente acomodado no PSDB, começa a enfrentar um cenário de desgaste que mistura crise no transporte público, lentidão em projetos urbanos anunciados como vitrines administrativas e críticas crescentes sobre transparência da gestão municipal.

 

Prefeito Igor Normando abre mais uma peça de resistência para seus críticos em Belém: transporte público em crise e projetos congelados/Fotos: Divulgação.

O episódio mais recente veio de um levantamento nacional divulgado na semana passada, que colocou Belém entre as quatro capitais brasileiras com nota zero em transparência das remunerações do funcionalismo público.

O estudo analisou os portais de transparência dos 26 Estados, do Distrito Federal e das 26 capitais brasileiras, totalizando 53 entes públicos. Os dados foram coletados entre agosto e outubro de 2025, já durante a vigência do novo Portal da Transparência implantado pela administração de Igor Normando. Belém apareceu ao lado de Campo Grande, Macapá e Natal entre as piores avaliações do País.

Cadê os contracheques?

Segundo os responsáveis pelo levantamento, não foi possível obter contracheques completos, baixáveis e detalhados dos servidores municipais. O estudo também afirma que os pedidos feitos via Lei de Acesso à Informação não foram respondidos de forma satisfatória.

A partir dos dados coletados, foi criado o Índice de Transparência de Remunerações, cuja pontuação varia de 0 a 1. Apenas Vitória, Curitiba e São Paulo ultrapassaram a marca de 0,7. A capital capixaba liderou o ranking, com nota 0,92. No caso de Belém, a nota zero reforçou críticas já recorrentes sobre dificuldade de acesso a informações públicas e ausência de detalhamento em contratos, obras e projetos da prefeitura.

Praça cercada de dúvidas

A falta de transparência também passou a ser associada ao programa Praça Viva, anteriormente chamado de “Adote uma Praça”. Há cerca de um ano, a Prefeitura de Belém assinou acordo com o Comando Militar do Norte para implantação de uma parceria público-privada envolvendo a Praça da Bandeira, no bairro da Campina.

Após a assinatura, o espaço foi cercado por tapumes para intervenções ligadas à preparação da COP30, realizada em novembro do ano passado na capital paraense. Passado o evento internacional, porém, os estandes foram desmontados e a praça permanece isolada, sem conclusão das obras e sem informações públicas detalhadas sobre cronograma, custos ou estágio da intervenção.

Mudanças na Câmara

Há duas semanas, a Câmara Municipal aprovou alterações no projeto original encaminhado pela prefeitura. O texto amplia o alcance das parcerias com a iniciativa privada para incluir canteiros centrais, calçadas e ciclovias ligadas aos espaços adotados.

Durante a tramitação, a vereadora Marinor Brito, do Psol, criticou a retirada de órgãos ambientais e de planejamento da comissão gestora permanente do programa. Segundo ela, as mudanças reduzem mecanismos de participação popular e fiscalização urbana.

Entre as emendas apresentadas estavam propostas de ampliação do prazo de chamamento público, realização obrigatória de audiências públicas e criação de conselhos comunitários de gestão compartilhada. Todas foram rejeitadas pela maioria dos vereadores.

Praça Brasil na berlinda

As críticas se repetem em relação ao projeto da Praça Brasil, no Umarizal. Moradores e frequentadores questionaram mudanças apresentadas em maquete digital divulgada pela prefeitura, principalmente após a percepção de descaracterização do espaço e supressão de árvores.

Diante da repercussão negativa nas redes sociais, a administração municipal afirmou apenas que “nem sempre a maquete representa o projeto final”, sem divulgar detalhes atualizados da intervenção. A ordem de serviço da obra já foi assinada em evento com participação da vice-governadora Hana Ghassan.

Transporte em colapso

Mas é na área do transporte público que a gestão enfrenta o desgaste mais visível. Os ônibus climatizados, chamados de “geladões” e apresentados no início da gestão como símbolo de modernização da frota urbana, passaram a enfrentar dificuldades operacionais diante da crise financeira das empresas concessionárias. Nas últimas semanas, veículos foram recolhidos por instituições financeiras devido à inadimplência nos contratos de financiamento.

Segundo informações do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belém, 14 ônibus foram apreendidos: 12 da empresa Monte Cristo e dois da Transportes Canadá.

Fim da Monte Cristo

A situação culminou no encerramento das atividades da empresa Monte Cristo, uma das mais tradicionais do sistema urbano de Belém. A empresa operava linhas importantes para bairros como Pedreira, Sacramenta e Val-de-Cans e acumulava décadas de atuação no transporte coletivo da capital.

Nos últimos anos, porém, usuários relataram aumento da precariedade do serviço, com ônibus lotados, atrasos frequentes, veículos sucateados e sucessivas paralisações causadas por atraso salarial e apreensão de veículos. O fechamento definitivo da empresa agravou ainda mais a situação de milhares de passageiros que dependem diariamente das linhas operadas pela concessionária.

Gestão pressionada

Embora a prefeitura sustente discurso de modernização administrativa e reorganização urbana, os problemas acumulados em áreas estratégicas começam a produzir desgaste político mais amplo. A combinação entre falta de transparência, indefinição em projetos urbanos e crise crescente no transporte público cria um ambiente de cobrança cada vez maior sobre a gestão municipal.

Em Belém, o cotidiano continua lembrando que marketing institucional e realidade urbana nem sempre circulam na mesma velocidade.

Papo Reto

Em entrevista ao Égua do Podcast, a ex-secretária de Cultura do Pará Úrsula Vidal (foto), afirmou ainda se surpreender com a agressividade de ataques políticos direcionados a mulheres em espaços de poder. 

•Ela classificou parte dessas ações como atuação de “milícia digital”.

A desembargadora paraense Maria de Nazaré Medeiros Rocha, do TRT da 8ª Região, foi incluída na lista tríplice para o Tribunal Superior do Trabalho, em votação realizada pelo Pleno do TST na terça-feira, 27. A escolha final caberá ao presidente da República.

•A UFPA vai conceder o título de Doutor Honoris Causa ao ministro do STF Flávio Dino. A homenagem, aprovada pelo Conselho Universitário, será entregue no dia 19 de junho, às 9h, no Centro de Eventos Benedito Nunes, no campus da universidade, em Belém.

O músico Félix Robatto, um dos principais nomes da lambada e da guitarrada contemporânea, leva a Lambateria ao palco Global Village do Rock in Rio 2026. 

•O show está marcado para 11 de setembro, na Cidade do Rock, no Rio de Janeiro.

Belém recebe, nos dias 4 e 5 de junho, o evento Escola de Sabedoria 2026, voltado ao público evangélico, no Centro de Convenções Centenário. 

•Entre os participantes confirmados estão o pastor Silas Malafaia, Davi Sacer, Paulo Bengtson, Josué Bengtson e outros líderes religiosos. As inscrições custam R$ 45.

A Câmara Municipal de Fortaleza concedeu ao músico Alceu Valença o título de cidadão honorário. A cerimônia contou com uma gafe: sua recepção foi ao som de "Jacarepaguá Blues", muitas vezes atribuída a ele, mas de autoria de Zé Ramalho. 

•Um projeto de lei simples abriu o risco de desencadear uma crise diplomática no Planalto. Produtores franceses de foie gras cobram do presidente Lula o veto ao PL 90/2020, que proíbe a importação e comércio da iguaria culinária. Segundo eles, a sanção poderia representar uma violação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. 

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.