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Crises internas abrem fissuras e disputa ao ao governo aponta "racha" entre grupos

Decepções, disputas por espaço, acordos descumpridos e movimentos silenciosos de bastidor começam a produzir rachaduras nos dois principais grupos políticos

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 31/05/26 08:00

A campanha não deixa espaço para dúvidas: será uma das mais duras no Pará, a começar pelos bastidores/Divulgação.


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anto no MDB, que trabalha a pré-candidatura da atual governadora Hana Ghassan, quanto no campo liderado pelo ex-prefeito de Ananindeua Daniel Santos, os sinais de desgaste interno já ultrapassaram os corredores reservados da política e passaram a circular publicamente.

No núcleo do MDB, o desconforto envolve diretamente o ex-chefe da Casa Civil Parsifal Pontes e a esposa dele, a conselheira do Tribunal de Contas dos Municípios Ann Pontes. Os dois passaram a ser alvo de forte irritação dentro do governo após relatos sobre supostas articulações envolvendo empresas ligadas politicamente ao grupo de Daniel Santos.

Por trás dos panos

A crise ganhou força depois da descoberta de um suposto lobby atribuído a Parsifal junto a prefeitos para abrir espaço à empresa Norte Ambiental, do empresário Cleiton Teodoro da Fonseca, apontado como aliado direto do ex-prefeito. A empresa atua em contratos de coleta de lixo, limpeza urbana, tapa-buraco, locação de máquinas e veículos em diversos municípios paraenses.

Em Ananindeua, segundo informações que circulam nos bastidores políticos e empresariais, os contratos atribuídos à empresa ultrapassariam R$ 120 milhões anuais. Prefeitos aliados do MDB também teriam sofrido pressão política para contratação dos serviços, movimento interpretado dentro do governo como avanço sobre áreas consideradas estratégicas.

O episódio aprofundou um desgaste que já vinha sendo acumulado desde a crise envolvendo a compra de respiradores durante a pandemia da Covid-19. Embora tenha mantido espaços administrativos e interlocução pontual com integrantes do governo, Parsifal perdeu protagonismo político dentro do núcleo mais próximo do governador Helder Barbalho. Interlocutores avaliam que o distanciamento produziu ressentimentos e alimentou movimentos de reposicionamento político considerados sensíveis em pleno período pré-eleitoral.

“Falta de atenção”

No grupo de Daniel Santos, o ambiente também deixou de ser homogêneo. Aliados históricos passaram a manifestar desconforto com a condução política do ex-prefeito de Ananindeua. Entre os nomes citados nos bastidores estão o ex-deputado federal Wladimir Costa, o senador Zequinha Marinho e o deputado estadual Bob Fllay. As reclamações incluem dificuldade de interlocução, ausência de retorno político, descumprimento de acordos e redução de espaço dentro da estrutura de construção da candidatura. Há relatos de ligações não atendidas, promessas não cumpridas e crescente insatisfação entre lideranças que participaram da formação inicial do grupo político.

O deputado estadual Bob Fllay, que também integraria a lista de insatisfeitos, negou qualquer rompimento. Em vídeo encaminhado à coluna, o parlamentar afirma que permanece alinhado politicamente e rejeitou especulações sobre afastamento. Ainda assim, interlocutores próximos ao grupo admitem que o agravamento das tensões pode provocar perdas importantes caso não haja recomposição política nos próximos meses. Tanto Wladimir Costa quanto Zequinha Marinho são considerados peças com influência regional relevante.

Tensões crescentes

No MDB, os desdobramentos também podem atingir a estrutura administrativa do governo. Reservadamente, integrantes do núcleo político admitem a possibilidade de exonerações, redução de espaços e reconfiguração de áreas estratégicas caso o distanciamento com os Pontes se aprofunde.

Antes mesmo de a campanha começar oficialmente, o cenário sugere que a disputa de 2026 será marcada menos pelo embate entre adversários e mais pelas tensões internas dentro das próprias alianças.

Papo Reto

Pode-se dizer, sem medo de exagero, que a OAB do Pará atravessa um momento de desconforto interno. Uma sequência de episódios em que a entidade, sob a gestão do presidente Sávio Barreto (foto), deixou de se posicionar da forma esperada por parte da advocacia, reacendeu críticas e comparações com períodos anteriores da instituição, quando manifestações públicas eram mais frequentes e contundentes.

•O episódio mais recente envolve novo caso de suposta violação de prerrogativas profissionais, tema historicamente sensível para a categoria. 

A situação ganhou repercussão após manifestação da advogada Cristina Lourenço, apontada nos bastidores como potencial candidata à sucessão na Ordem.

•Em publicação nas redes sociais, Cristina elevou o tom ao defender postura mais firme da entidade. 

“O Estatuto da OAB não pede moderação: quando a advocacia hesita, alguém avança sobre ela”, afirmou. 

•Em outro trecho, sustentou que “o Estatuto da OAB não foi feito para ser interpretado com medo”, acrescentando que a legislação garante independência e respeito ao exercício profissional.

Para a advogada, respostas pautadas pelo “equilíbrio” em situações do tipo acabam sendo interpretadas como recuo institucional. A defesa, segundo ela, deve ser de “tolerância zero” diante de violações de prerrogativas.

•Nos bastidores da advocacia paraense, o episódio ampliou discussões sobre o papel da Ordem, o perfil da futura sucessão e o nível de protagonismo que parte da categoria espera da instituição nos próximos anos.

O presidente Lula sancionou a lei que cria a primeira Universidade Federal Indígena do País. 

•A nova instituição deve iniciar as atividades em 2027, com cursos voltados à formação de professores, saúde indígena, gestão territorial e ambiental, entre outros. 

A previsão é atender até 2,8 mil estudantes nos primeiros quatro anos.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.