Pesquisa aponta que 45% das fake news sobre eleições miram urnas eletrônicas Mudança no TSE recoloca Toffoli no centro do cenário político-eleitoral PT insiste na vice, mas Helder mantém evangélicos como prioridade número 1
DESINFORMAÇÃO

Pesquisa aponta que 45% das fake news sobre eleições miram urnas eletrônicas

Em seguida aparecem conteúdos contra o STF ( 27,1%), teorias de fraude na apuração (21,8%) e desinformação sobre regras e logística eleitoral (15,4%)

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 14/05/26 17:00
Pesquisa aponta que 45% das fake news sobre eleições miram urnas eletrônicas
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s urnas eletrônicas completaram 30 anos de existência no Brasil na última quarta-feira, 13. A data foi celebrada em meio a narrativas de desinformação sobre o sistema de votação. Uma pesquisa do Projeto Confia, iniciativa do Pacto pela Democracia, revela que mais de 45% dos conteúdos falsos sobre eleições compartilhados nos últimos ciclos eleitorais tinham como alvo o funcionamento das urnas eletrônicas. 

Quando presidente, Jair Bolsonaro dedicou parte do mandato para desacreditar as urnas eletrônicas/Foto: Divulgação
Em seguida aparecem conteúdos contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e outras autoridades, com 27,1%, teorias de fraude na apuração dos votos, com 21,8%, e desinformação sobre regras e logística eleitoral, com 15,4%. Entre os exemplos mais recorrentes de fake news sobre as urnas estão mensagens que afirmavam existir um suposto atraso no botão “confirma” ou alegações falsas de que a urna completaria automaticamente os números digitados pelo eleitor.

Desinformação piora o problema

Segundo Helena Salvador, coordenadora do Projeto Confia, os conteúdos desinformativos exploram justamente o desconhecimento técnico da população sobre o funcionamento do sistema eleitoral eletrônico. “As narrativas recorrem a falsas explicações técnicas para sugerir falhas e possibilidades de manipulação. Elementos concretos da experiência de votação, como as teclas da urna e as mensagens exibidas na tela, são utilizados para gerar estranhamento e alimentar dúvidas”, afirmou.

A distância entre o contato da população com a urna e a compreensão sobre o funcionamento da tecnologia favorece a circulação desse tipo de conteúdo. “As pessoas só têm acesso à urna a cada dois anos, no domingo de votação. Isso faz com que, se alguém espalha uma notícia falsa sobre um botão ou uma tecla, muita gente não tenha como checar rapidamente”, explicou.

Origens do estudo

A coordenadora do estudo afirma que o objetivo foi entender de onde surge a desconfiança nas eleições e preparar estratégias de enfrentamento à desinformação para as eleições de 2026.

“A gente queria entender em que exatamente as pessoas deixaram de acreditar quando falam das eleições. O levantamento mostra que a maior parte da desinformação circula em torno das urnas eletrônicas, queremos chegar em 2026 preparados para construir contra narrativas fortes e responder rapidamente aos ataques contra o sistema eleitoral”, disse.

Metodologia e resultado

A pesquisa analisou mais de 3 mil conteúdos publicados nas eleições de 2022 e 2024. Desses, 716 mensagens foram selecionadas para análise qualitativa aprofundada. Segundo o estudo, 326 mensagens, que seria o equivalente a mais de 45% do total, continham ataques relacionados às urnas eletrônicas.

O Pacto pela Democracia é uma coalizão formada por mais de 200 organizações da sociedade civil que atua na defesa do Estado Democrático de Direito, no monitoramento de ameaças à democracia e no combate à desinformação eleitoral. O estudo analisou mensagens desinformativas circuladas nas eleições de 2022 e 2024.

Confiança, apesar de tudo

Uma pesquisa Quaest divulgada em fevereiro deste ano mostra que 53% dos brasileiros dizem confiar nas urnas eletrônicas. Em 2022, levantamento do Datafolha divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontava índice de 82%.

Entre pessoas com 60 anos ou mais, 53% afirmam confiar no sistema, índice associado pelos pesquisadores à memória do período em que o voto era realizado em papel, antes de 1996. Já entre jovens de 16 a 34 anos, a confiança chega a 57%.

Entre 35 e 50 anos, 50% afirma não confiar nas urnas eletrônicas. 

“Ninguém critica as urnas apenas dizendo que elas são ruins, existem explicações bastante sofisticadas online tentando convencer as pessoas de que o sistema não funciona. Isso mostra a importância de tornar mais compreensível o caminho do voto, desde o momento em que o eleitor aperta a tecla até a totalização”, afirma Helena Salvador.

Papo Reto

Das maluquices que circulam nas redes: com ganhos anuais estimados em 260 milhões de euros no Al-Nassr, Cristiano Ronaldo (foto) fatura aproximadamente 8,33 euros por segundo.

•Essa dinheirama toda remete à curiosa metáfora da moeda matematicamente real: em apenas três segundos - tempo de se abaixar para recuperar um euro caído -, o craque português acumulou cerca de 25 euros em sua conta.

Nem é para menos: em tempos de Copa do Mundo, o card oficial do craque chega a valer, em sites de venda, até R$ 5 mil.

•Moradores de São Domingos do Capim, nordeste do Pará, relatam a diminuição da pororoca, fenômeno que ocorre pelo encontro do Atlântico com a correnteza dos rios na bacia amazônica, formando ondas que, um dia, já atingiram 6 metros de altura e avançam quilômetros rio acima.

O desmatamento no município enfrenta uma crescente desde 2008, com aumento observado de mais de 280% desde então até 2024.

•A instalação da estrutura do evento “The Dreamer Salinas” no trevo de entrada de Salinópolis começou a produzir forte reação entre moradores, comerciantes e vereadores. 

A crítica principal é simples: escolher justamente o principal eixo de ligação entre a cidade e a Praia do Atalaia para sediar um grande evento em pleno período de crescimento do fluxo turístico parece receita pronta para colapso no trânsito. 

•As reclamações já chegaram ao prefeito Kaká Sena, mas, segundo críticos, a prefeitura segue ignorando os alertas. 

Nos bastidores, o empresário Benjamin Júnior, ligado ao evento e conhecido pelos empreendimentos Baiacool em Belém e Salinas, aparece citado como figura próxima de grupos influentes do Estado. 

•Enquanto isso, comerciantes locais reclamam que megaeventos seguem movimentando muita festa - e pouco resultado concreto para o comércio tradicional da cidade.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.