Nota reafirmando Ten Caten na chapa de Hana expõe disputa silenciosa e tenta reagir ao avanço da tese de que PT é mero coadjuvante na sucessão.
política paraense entrou oficialmente na fase da pré-campanha em que versões, recados cifrados, notas partidárias e “movimentos espontâneos” começam a disputar espaço antes mesmo da definição real das chapas. E foi exatamente isso que aconteceu nesta semana.

Depois da circulação intensa, nas redes sociais e nos bastidores políticos, de especulações sobre uma possível revisão da composição da sucessão estadual de 2026, o PT do Pará resolveu reagir publicamente. Em nota divulgada na última segunda-feira, 11, a Executiva Estadual do partido reafirmou oficialmente o nome do deputado estadual Dirceu Ten Caten para a vaga de vice-governador na chapa majoritária que será liderada pelo grupo do governador Helder Barbalho. A manifestação teve menos cara de anúncio e mais de recado político.
Nos últimos dias, ganhou força uma narrativa segundo a qual a construção eleitoral de 2026 poderia sofrer mudanças profundas. Em algumas versões mais ousadas, circulou até a hipótese de o senador Beto Faro assumir protagonismo maior na chapa governista, embaralhando completamente os planos até aqui desenhados.
A tese incluía rearranjos envolvendo PT, MDB, Senado, vice-governadoria e uma ampla acomodação política para evitar conflitos internos. O problema é que, até agora, quase nada disso encontra sustentação concreta no núcleo duro das negociações.
O próprio governador Helder Barbalho ainda não definiu oficialmente quem ocupará a vaga de vice na chapa de Hana Ghassan, tratada hoje como candidata natural à sucessão estadual. E é justamente essa indefinição que abriu espaço para o festival de versões.
Foi nesse ambiente que o PT decidiu publicar a nota reafirmando a resolução aprovada ainda em dezembro de 2025, na qual indica Dirceu Ten Caten para a vice-governadoria. O documento reforça a prioridade do partido na reeleição do presidente Lula e na construção de uma aliança ampla no Pará, mas o trecho politicamente mais importante é justamente o que insiste na participação petista na chapa majoritária.
A nota tenta impedir que o partido seja empurrado para posição secundária na composição de 2026, confirmando a noção de que não passa de um “puxadinho” do MDB. O gesto revela que o PT percebe o risco.
Nos bastidores de Brasília - assunto já abordado pela coluna -, o desconforto petista com a condução política do grupo de Helder Barbalho não é exatamente novidade.
Setores do partido avaliam reservadamente que o PT do Pará vem perdendo espaço estratégico dentro da própria aliança governista, apesar da relação institucional relativamente estável entre Lula e Helder.
A principal preocupação é simples: chegar em 2026 sem protagonismo real.
Hoje, embora o PT mantenha presença no governo estadual e boa interlocução nacional, o partido observa o MDB controlar praticamente toda a engenharia política da sucessão - e isso inclui a escolha do vice.
É justamente aí que Dirceu Ten Caten encontra seu principal obstáculo político. Embora tenha apoio formal do partido e boa circulação interna, o deputado enfrenta uma realidade considerada cada vez mais consolidada no núcleo político ligado a Helder: a tendência de escolha de um nome vinculado ao segmento evangélico para compor a chapa de Hana Ghassan. O cálculo é puramente eleitoral.
O campo evangélico cresce no Pará, mantém forte influência territorial e passou a ser visto como peça central na montagem da sucessão estadual. Dentro dessa lógica, o vice ideal não seria necessariamente alguém para equilibrar forças partidárias, mas para ampliar alcance eleitoral.
Por isso, apesar da insistência pública do PT, interlocutores próximos ao governo afirmam reservadamente que o cenário segue distante de qualquer definição favorável aos petistas.
A nota do PT também ajuda a revelar outro fenômeno típico da pré-campanha: a ansiedade. Internamente, parte da militância teme que o partido acabe novamente reduzido à condição de apoio periférico numa chapa controlada pelo MDB, sem espaço majoritário relevante e dependente apenas de acomodações secundárias, daí a necessidade de reafirmar, reiteradamente, o nome de Dirceu Ten Caten.
O movimento tem ainda outro efeito: manter o partido mobilizado e impedir que a narrativa de isolamento político se consolide antes da hora.
Por enquanto, porém, a sucessão estadual segue mais próxima de uma guerra de versões do que de uma definição concreta. A única certeza real é que Helder Barbalho continua conduzindo pessoalmente o ritmo das articulações e mantendo em sigilo as decisões centrais sobre a composição de 2026.
Enquanto isso, PT, MDB, aliados e aspirantes seguem produzindo sinais públicos, notas oficiais e especulações calculadas - numa dança de cadeiras em que quase todo mundo tenta ocupar espaço antes mesmo da música começar de verdade.

•O presidente Lula (foto) lançou o programa Brasil Contra o Crime Organizado, com previsão de R$ 11,1 bilhões para ações contra facções, milícias e tráfico de armas.
•Durante o lançamento, Lula afirmou ter dito ao presidente Donald Trump que, para combater o crime organizado de verdade, os EUA precisariam "começar a entregar alguns nossos que estão morando em Miami".
•Entrou em vigor lei que permite enviar preferencialmente a presídios federais de segurança máxima quem matar policiais ou agentes de segurança.
•Para Hugo Motta, a segurança pública não deve ser tratada como pauta de governo ou oposição e defendeu uma atuação integrada entre os diferentes setores do Estado no combate ao crime organizado.
• Projeto de lei aprovado na Câmara prevê a proibição de acesso de réus condenados por crimes relacionados à pedofilia em ambientes frequentados por crianças, como escolas e parques com playgrounds.
•Carlos Viana disse que não houve "tentativa real de golpe de Estado" ao defender urgência para projeto que revoga crimes ligados a atos antidemocráticos.
•O ministro Alexandre de Moraes abriu prazo de 15 dias para que a Defensoria Pública da União apresente defesa de Eduardo Bolsonaro em ação por coação durante o julgamento de Jair Bolsonaro.
•A Polícia Federal deflagrou operação que investiga, entre outros, o deputado Marcelo Queiroz por contratos de quase R$ 200 milhões para castração animal no Rio.
•O Senado aprovou medida provisória que cria renovação automática da CNH para motoristas sem multas ou penalidades nos últimos 12 meses.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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