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Novo juiz do TRE assume vaga com processos de grande repercussão política

Renan Santos Miranda tomou posse como juiz substituto para auxiliar no destravamento de processos que envolvem grandes disputas políticas no Pará.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 23/08/26 12:00

Novo juiz auxiliar, classe dos juristas, Renan Miranda ganha boas-vindas, mas é “advertido” sobre “missão espinhosa”/Fotos: Divulgação.


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advogado Renan Santos Miranda tomou posse na última quinta-feira, 20, como juiz substituto do Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA), na classe dos juristas. A chegada ocorre em um momento particularmente sensível para a Corte, que tem sobre a mesa processos eleitorais de grande repercussão, entre eles o que envolve o senador Beto Faro, do PT, e o caso do prefeito de Muaná, Marcos Paulo Barbosa Pantoja, o “Birizinho”.

A posse foi conduzida pelo presidente do TRE, desembargador José Maria Teixeira do Rosário. Renan chega para recompor o colegiado após um período em que a Corte funcionou com diversas vagas em aberto, que vinham sendo preenchidas lentamente. O nome dele foi escolhido pelo presidente da República a partir de lista tríplice formada pelo Tribunal de Justiça do Pará, e a nomeação foi publicada no Diário Oficial da União em 14 de agosto.

Expectativas à mesa

Durante a cerimônia, o procurador regional eleitoral Bruno Valente, ao dar as boas-vindas ao novo integrante da Corte, chamou atenção de cara para a responsabilidade que o espera diante de processos de grande repercussão eleitoral em tramitação no tribunal. Sem citar nomes, Valente fez referência a dois casos de forte impacto político que aguardam desdobramentos na Justiça Eleitoral paraense. Entre eles está o processo que envolve Beto Faro, cuja tramitação se arrasta desde as eleições de 2022 e já passou por uma condenação no TRE e por uma posterior intervenção do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O procurador regional eleitoral substituto Alan Mansur também esteve entre os presentes e ouviu o alerta de Valente.

O caso Beto Faro

Em 20 de maio de 2025, depois de mais de dois anos de demora, o TRE julgou e cassou o mandato de Beto Faro por 5 votos a 2, reconhecendo práticas de corrupção eleitoral, captação ilícita de sufrágio, assédio eleitoral e abuso de poder econômico nas eleições de 2022. A decisão também atingiu os suplentes do senador, determinou a anulação dos votos da chapa e previu a realização de novas eleições para o Senado no Pará.

O processo, entretanto, ganhou uma nova reviravolta durante a análise dos embargos de declaração apresentados pela defesa. Na ocasião, houve empate de 3 a 3, após a suspeição de um dos integrantes e a ausência de um substituto para recompor o quórum.

Diante do empate, o presidente do TRE, José Maria Teixeira do Rosário, que já havia votado no processo, utilizou o chamado voto de qualidade para desempatar a votação e manter a decisão contra Faro. O resultado acabou sendo levado ao Tribunal Superior Eleitoral.

Anulação e devolução

Em fevereiro deste ano, o ministro André Mendonça anulou o julgamento dos embargos e determinou que o processo retornasse ao TRE para uma nova análise. O fundamento, no entanto, não foi uma revisão do mérito das acusações contra o senador, mas a irregularidade apontada no modo como o desempate ocorreu.

Para o relator, o presidente não poderia votar duas vezes em uma decisão capaz de resultar na perda de mandato, porque isso produziria uma “maioria ficta”, contrariando o artigo 28, §4º, do Código Eleitoral.

Na prática, o processo voltou para Belém justamente para que os embargos sejam novamente apreciados, agora sem a utilização do voto de qualidade pelo presidente como mecanismo para formar a maioria.

O caso chegou a enfrentar novas dificuldades de tramitação em razão da falta de integrantes para recompor o colegiado, situação que tornou ainda mais relevante a recomposição da Corte, que agora - ao menos é que se espera - deverá demonstrar urgência em pautar o caso.

 Muaná também espera

Outro processo de grande repercussão envolve Muaná, no Marajó. Em junho de 2025, o TRE manteve a cassação dos diplomas do prefeito Marcos Paulo Barbosa Pantoja, o Birizinho, e do vice Gilmar Nunes Vale, em ações que apontaram abuso dos poderes político e econômico e captação ilícita de sufrágio. A Corte também determinou a realização de novas eleições no município.

A disputa, porém, também chegou ao TSE. Em setembro de 2025, a ministra Isabel Gallotti concedeu efeito suspensivo aos recursos apresentados pelos gestores, suspendeu a eleição suplementar que havia sido marcada e determinou a recondução de prefeito e vice aos cargos enquanto os recursos são analisados.

Relação com a Justiça

A chegada do novo integrante, portanto, ocorre em uma Corte que não apenas se encontra em pleno ciclo eleitoral de 2026, mas também precisa destravar processos que carregam elevado peso político e jurídico. Ao tomar posse, o novo juiz destacou a relação construída ao longo de 14 anos com a Justiça Eleitoral do Pará. “Já são 14 anos convivendo com a Justiça Eleitoral Paraense, onde aprendi muito sobre Direito e sobre a vida e para onde retorno como julgador”, afirmou ele ao tomar posse. Na cerimônia, o presidente do TRE, José Maria Teixeira do Rosário, também ressaltou o peso da nova função, afirmando que esta é uma missão espinhosa.

Advogado e consultor jurídico, Renan atua na área de Direito Público, com ênfase em Direito Eleitoral e Tributário. É especialista em Direito Eleitoral pela PUC Minas, professor e palestrante da Escola Superior de Advocacia da OAB-PA e fundador do canal “Direito Eleitoral” no Instagram.

Papo Reto

Passados 120 dias da abertura dos processos administrativos disciplinares que deveriam apurar a conduta do procurador Alexandre Ferreira Bezerra (foto), os PADs continuam praticamente na estaca zero. 

•Ele segue trabalhando normalmente. O servidor é acusado de produzir material pornográfico da própria enteada, então com 16 anos, enquanto ela dormia. Na Justiça, será ouvido no início de setembro, depois que o STJ rejeitou recurso que buscava trancar o processo.

A iniciativa “Vote pelo Clima”, promovida pelo Instituto Clima de Política com apoio de mais de 60 organizações, reúne candidatos de diferentes partidos dispostos a assumir compromissos com o enfrentamento das mudanças climáticas. 

•O cadastro é nacional, mas as candidaturas passam por avaliação de validade junto à Justiça Eleitoral.

Em menos de uma semana de funcionamento, o Pardal, ferramenta da Justiça Eleitoral para denúncias de irregularidades na propaganda, já recebeu 1.103 registros relacionados às eleições de 2026. 

•O impulsionamento lidera as ocorrências, com 339 denúncias, ou 30,73%. Candidatos a deputado estadual concentram 424 registros. São Paulo aparece na frente entre os Estados, com 193 denúncias.

O Dnit já foi notificado pelo Ministério Público, mas continua calado sobre a recuperação das pontes da BR-308 entre Curupati e a sede de Viseu. 

• O asfaltamento do trecho também foi interrompido, sem justificativa apresentada. O problema já prejudica o escoamento da produção local e aumenta o risco para centenas de pessoas que precisam trafegar diariamente pela rodovia.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.