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Novo edital abre disputa na Ufra, mas o ambiente continua instável

Calendário eleitoral para a escolha de reitor foi publicado após meses de impasses, decisões judiciais e intervenção do MEC.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 01/06/26 17:00
Novo edital abre disputa na Ufra, mas o ambiente continua instável
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publicação do edital que regulamenta a nova eleição para a Reitoria da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) marca oficialmente o reinício de um processo que, longe de representar apenas uma disputa acadêmica, tornou-se símbolo de uma das maiores crises institucionais já enfrentadas pela universidade.

 

Últimas campanhas foram marcadas por pesquisas eleitorais que geraram manifestações públicas e ataques a candidatos/Divulgação.

O documento divulgado no último dia 22 abriu o calendário para a escolha do reitor e vice-reitor do quadriênio 2026-2030, reacendendo o debate sobre os rumos da instituição após um ano marcado por judicializações, questionamentos e até intervenção federal.

A expectativa de normalização, porém, convive com um ambiente de instabilidade que permanece presente nos corredores dos campi da instituição. Desde a anulação da consulta pública realizada em 2025, em razão de irregularidades apontadas no processo eleitoral, a comunidade universitária vive sob sucessivos episódios de tensão.

A eleição acabou cancelada, a crise alcançou o Ministério da Educação e a Ufra passou a conviver com um cenário de incertezas administrativas que se prolonga até hoje.

Caminho espinhoso

Agora, com a definição das regras e datas da nova disputa, o sentimento predominante parece ser o de que a universidade terá uma nova oportunidade para redefinir seu futuro - mas o caminho até as urnas está longe de ser pacífico.

Nos últimos meses, a pré-campanha já foi marcada até por pesquisas eleitorais que geraram manifestações públicas de grupos internos e denúncias de ataques direcionados a possíveis candidatos. Nessas denúncias parece estar o caminho de uma nova oportunidade para o encerramento de um ciclo de conflitos que se arrasta desde a crise do pleito anterior. O discurso da renovação ganhou força após pesquisas divulgadas nos bastidores da disputa apontou desejo de mudança entre estudantes, técnicos e professores.

O próprio edital parece refletir a preocupação com os problemas que marcaram o passado recente. O texto dedica capítulos inteiros ao combate à desinformação, à divulgação de pesquisas sem metodologia transparente e aos ataques à honra de candidatos. Entre as condutas vedadas estão a propagação de notícias falsas, acusações sem comprovação e qualquer forma de constrangimento ou pressão sobre eleitores.

Limites do debate

A inclusão dessas regras não ocorre por acaso. O histórico recente da universidade mostra que a disputa pela Reitoria extrapolou os limites do debate acadêmico. O processo eleitoral anterior foi cercado por questionamentos administrativos e judiciais, gerando uma sucessão de recursos e decisões que deixaram a instituição em permanente estado de incerteza.

Uma fonte de bastidores afirma que o novo calendário eleitoral representa mais do que uma eleição ordinária. Para muitos integrantes da comunidade universitária, trata-se de uma tentativa de reconstrução institucional. “O desafio agora será transformar o desejo de mudança em um processo capaz de restaurar a confiança de uma universidade que passou os últimos meses dividida entre disputas políticas, embates jurídicos e acusações mútuas”, afirma a fonte.

Definição de chapas

Conforme o edital publicado pela Comissão Eleitoral Geral, as próximas semanas serão decisivas para a definição das chapas e para o início oficial da campanha eleitoral. O cronograma prevê inscrições, homologação de candidaturas, debates e votação eletrônica, conduzida pelo sistema VotaNet do Tribunal Regional Eleitoral do Pará. Independentemente de quem saia vencedor, há um consenso crescente dentro da universidade: a Ufra precisa encerrar o ciclo de instabilidade iniciado após a anulação do último pleito.

A eleição de 2026 poderá definir não apenas uma nova gestão, mas também se a instituição conseguirá recuperar a estabilidade política e administrativa perdida ao longo da crise.

Papo Reto

A morte do arquiteto Euler Arruda (foto), sábado, 30, na sede campestre da Assembleia Paraense, trouxe muita surpresa. 

•A causa da morte foi divulgada como “infarto fulminante”, mas quem estava no clube comenta que, na verdade, o arquiteto, de 76 anos, havia se engasgado com um pedaço de carne.

No ambulatório da AP, o procedimento também teria sido equivocado - e isso, em ano eleitoral no clube, ainda pode render...

•Euler era professor da UFPA e assinou projetos como o teatro Margarida Schivasappa, do Centur, considerado, desde a década de 1980, como um dos mais modernos do Brasil. 

Foi dele também a doação à UFPA do conhecido Chalé de Ferro, de origem belga, que chegou a Belém em 1890. O prédio era de propriedade do clube Monte Líbano que, em 1981, o repassou a Euler, em contrapartida à elaboração de um novo projeto do clube.

•Após a aprovação do novo piso nacional dos professores, parlamentares intensificaram a pressão para que o Congresso avance em propostas de reajuste para outras categorias, como médicos, assistentes sociais, garis e policiais. O principal obstáculo, porém, continua sendo a definição das fontes de financiamento. 

O Congresso terá uma semana curta de atividades com a proximidade do feriado de Corpus Christi. Na Câmara, o foco é a liberação do uso de royalties do petróleo para conter o preço dos combustíveis. 

•No Senado, entra em pauta a elaboração da nova política de governança pública.

Começou hoje, em Lisboa, a 14ª edição do Fórum de Lisboa, encontro que já se tornou parada obrigatória para autoridades, juristas, acadêmicos e formuladores de políticas dos dois lados do Atlântico. 

•Com mais de 450 participantes de 17 países e 71 painéis programados, esta promete ser a maior edição do evento, que transforma a capital portuguesa em ponto de encontro para debates sobre democracia, economia, inovação e governança.

É o chamado "Gilmarpalooza", que costuma ser retratado como um encontro de autoridades em busca de bons restaurantes e temperaturas mais amenas. A caricatura diverte, mas nem sempre ajuda a entender o que está em debate. 

•Em uma edição dedicada a temas como inteligência artificial, democracia, regulação digital, economia e governança, o desafio talvez seja separar a crítica legítima aos excessos do preconceito automático contra qualquer espaço de discussão. 

Nem toda mesa produz uma grande ideia. Mas, dificilmente, grandes ideias surgem sem nenhuma mesa.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.