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Ministro Luiz Fux acendeu o sinal vermelho da Previdência no Brasil

Brasileiros com 60 anos ou mais já são 15,6% da população brasileira e poderão chegar a 37,8% em 2070, segundo o IBGE

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  • José Croelhas | Especial para a COD
  • 20/09/26 10:00
Ministro Luiz Fux acendeu o sinal vermelho da Previdência no Brasil

Luiz Fux colocou o dedo numa ferida que o Brasil insiste em evitar: quem financiará a Previdência pública nas próximas décadas? Concordo, o alerta do ministro é mais do que oportuno. Não porque seja possível decretar hoje a “quebra” do sistema, mas porque a matemática aponta um problema estrutural.


Em 2025, o Regime Geral de Previdência Social arrecadou cerca de R$ 710 bilhões, enquanto suas despesas chegaram a aproximadamente R$ 1,027 trilhão. 


A necessidade de financiamento ficou em torno de R$ 317 bilhões. Em 2026, a projeção orçamentária aponta arrecadação líquida próxima de R$ 793 bilhões, diante de despesas de R$ 1,128 trilhão. O problema, porém, vai muito além do déficit de um exercício. O Brasil está envelhecendo rapidamente.


A taxa de fecundidade caiu para cerca de 1,57 filho por mulher, abaixo do nível de reposição populacional. Ao mesmo tempo, os brasileiros com 60 anos ou mais, que representavam 8,7% da população em 2000, já chegaram a 15,6% e poderão alcançar 37,8% em 2070, segundo projeções do IBGE.


Traduzindo: teremos proporcionalmente mais pessoas recebendo aposentadorias e menos brasileiros em idade produtiva para financiá-las. É exatamente aí que o alerta de Fux ganha significado.


Nosso sistema funciona predominantemente pelo regime de repartição: quem trabalha hoje ajuda a pagar quem está aposentado hoje. Quando essa relação se deteriora, alguém precisa cobrir a diferença. E não existe dinheiro público gratuito: a conta termina nos impostos, no endividamento ou na redução de recursos disponíveis para outras políticas públicas.


Enquanto isso, cresce a procura por proteção complementar. A previdência complementar fechada encerrou 2025 com mais de 8,6 milhões de pessoas vinculadas e patrimônio de aproximadamente R$ 1,4 trilhão. Isso não significa que a previdência privada substituirá o INSS. 


A Previdência pública continuará indispensável, especialmente em um País desigual como o Brasil. Mas revela que milhões de pessoas já perceberam que depender exclusivamente do Estado para garantir renda na velhice pode ser uma aposta arriscada.


E há um agravante: num sistema pressionado pela demografia, fraudes, desvios, desperdícios e má gestão tornam-se ainda mais intoleráveis. Cada real perdido aumenta uma conta que será paga pelos trabalhadores de hoje e pelas próximas gerações.


O Brasil precisa enfrentar essa realidade sem demagogia: combater fraudes, ampliar a formalização, estimular crescimento e produtividade e incentivar a formação de poupança previdenciária complementar. Previdência pública e privada não precisam ser adversárias. Cada vez mais, terão de ser complementares.


Demografia não é de direita nem de esquerda. Matemática atuarial também não. Podemos discutir qual caminho será mais justo. O que não podemos é fingir que a conta não existe.


Fux fez bem em acender o sinal vermelho. Porque talvez a Previdência pública brasileira não “quebre” como quebra uma empresa - o Estado sempre poderá aumentar impostos, endividar-se ou deslocar recursos para sustentá-la.


O risco é outro: antes de quebrar a Previdência, podemos quebrar o contribuinte que é obrigado a financiá-la


Foto: Luiz Silveira/STF

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José Croelhas é economista,

consultor, escritor e palestrante

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.