Entre contratos, milhões, juízes e advogados em disputas judiciais, capital do Pará continua sem resolver o básico da coleta de resíduos; que venham os ratos.
tema é, por assim dizer, prosaico. E, como tal, talvez mereça ser tratado no mesmo ritmo. Como diria a antiga revista “Seleções”: “livre pensar é só pensar”.

Pois bem. Belém vive uma eternidade em torno da coleta de lixo. Há contratos milionários, disputas judiciais, lixos, lixões, empresas, licitações e toda a parafernália que costuma acompanhar um problema que, no fundo, deveria ser bem mais simples: alguém produz o lixo, alguém recolhe e a cidade segue limpa. Só que não.
Poucos percebem o tamanho do problema enquanto o lixo não bate no meio da canela. Ou enquanto os ratos não começam a transitar livremente, como se nem a presença de gato fosse capaz de intimidá-los. Ou até que o mau cheiro atravesse portas e janelas e passe a fazer parte da rotina de casas e apartamentos. A rigor, o tempo passa, o tempo voa e, ao menos na Grande Belém, a questão do lixo nunca está propriamente numa boa.
Mas há sempre uma “novidade”. Desta vez, pode ser a seguinte: o cidadão faz a sua parte, mas ninguém recolhe. Ué, mas não é esse um dos problemas? Não. Ou melhor: é.
A coleta de lixo em Belém vai adquirindo contornos de piada de mau gosto, embora o assunto seja sério e envolva saúde pública, higiene urbana e, antes de tudo, respeito ao cidadão que paga impostos.
No Reduto - e há relatos semelhantes em outros bairros - moradores enfrentaram problemas de regularidade na coleta justamente às vésperas do fim de semana prolongado do feriado de 7 de Setembro. Houve reclamações sobre horários não cumpridos e uma situação especialmente curiosa: sacos de lixo devidamente acondicionados dentro de lixeiras não teriam sido recolhidos. Veja como essa história começa a ficar prosaica demais.
É, faça - mas espere. O morador compra ou providencia uma lixeira, coloca o saco dentro dela, evita deixá-lo diretamente na calçada e tenta impedir que animais rasguem a embalagem e espalhem os resíduos pela rua. Quer dizer, faz exatamente aquilo que se espera de alguém que quer colaborar com a limpeza da cidade.
Acontece que, segundo os relatos, o lixo colocado corretamente na lixeira pode permanecer ali por vários dias. E aí começa o cheiro, depois vêm os insetos e depois, talvez, os ratos. E o cidadão passa a descobrir que cumprir a própria obrigação não garante que o serviço público cumpra a sua.
Então fica a pergunta, tão simples quanto incômoda: qual é a orientação oficial da limpeza pública? O morador deve colocar o lixo corretamente dentro da lixeira ou deixá-lo na calçada para aumentar as chances de ser recolhido? Se existe horário determinado para a coleta, ele está sendo efetivamente cumprido? E, quando não está, a quem o contribuinte deve reclamar? Porque esse é outro capítulo da novela.
O cidadão que paga pelo serviço precisa de um canal de atendimento que seja acessível, funcione e, principalmente, dê alguma resposta. Não basta registrar uma reclamação para cumprir tabela. É preciso que alguém receba a informação, encaminhe o problema e diga ao morador o que aconteceu.
Afinal, se o caminhão não passou, alguém precisa saber por quê. Se passou e não recolheu, alguém precisa explicar por quê. E se a orientação é colocar o lixo em determinado local e horário, alguém precisa garantir que a regra faça sentido na prática.
Belém não precisa descobrir a fórmula da limpeza urbana. Cidades do mundo inteiro recolhem lixo todos os dias, em rotinas muito mais previsíveis do que a nossa. O problema não é falta de teoria. É fazer funcionar.
Entre contratos bilionários, ações judiciais e intermináveis discussões administrativas, talvez valha lembrar uma coisa bastante elementar: o cidadão não deveria precisar escolher entre fazer a coisa certa e ter o lixo recolhido. Se coloca o lixo na rua, pode ser acusado de sujar a cidade.
Se coloca na lixeira e o caminhão não passa, fica com o lixo dentro de casa ou diante dela. No fim, sobra sempre a mesma pergunta: quem recolhe o lixo de quem está tentando fazer a coisa certa?

•Tem condomínio em polvorosa nas proximidades da Basílica de Nazaré (foto), na travessa 14 de Março. A confusão envolve uma ex-moradora, acusações que circulam entre condôminos e uma disputa que já teria chegado à esfera judicial.
•Falam-se em acusações de difamação e homofobia, exposição pública de inadimplência, interferências na administração interna e até na situação de gatos que teriam ficado no imóvel após a saída da antiga moradora.
•Entre os moradores, também circula a versão de que a proximidade dela com uma magistrada - apontada como filha da senhora - contribuiria para o peso que seu nome teria adquirido na disputa.
•Tudo, naturalmente, precisa ser tratado como alegação enquanto não houver comprovação. O caso ganhou outros ingredientes.
•Oito proprietários de apartamentos teriam concentrado procurações nas mãos de uma única pessoa. Um ex-síndico, destituído do cargo, relata ter tido uma bicicleta furtada sem ressarcimento e enfrenta ainda uma infiltração que, segundo ele, já teria alcançado a parte elétrica do prédio.
•O condomínio contesta judicialmente os pedidos de indenização e reparos. Mas o rapaz resolveu baixar a temperatura: tirou dinheiro do próprio bolso, contratou um arquiteto e doou ao condomínio um projeto para melhorar uma área comum.
•Perdeu o cargo, ficou sem a bicicleta, ganhou uma infiltração, foi parar na Justiça e ainda ofereceu bandeira branca. Nos bastidores, porém, há quem veja a localização privilegiada do condomínio como elemento que torna a disputa ainda mais interessante.
•A pergunta que circula entre moradores é se há, de fato, “gente poderosa” olhando para aquele terreno.
•Treze ex-ministros do STF, dez deles ex-presidentes da Corte, romperam o silêncio. Já não há tapete grande o bastante para esconder a sujeira. Os 13 ex-ministros exigem "sessão pública e investigação rigorosa" - mas, e daí?
•O recado devastador cobra do STF que uma crise institucional não se resolve com silêncio, mas com transparência.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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