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Ministério da Fazenda sabota incentivos, cria insegurança e espanta investidores no País

Decisões arrecadatórias do governo federal mudam regras, ferem contratos e travam investimentos produtivos.

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 16/01/26 17:00
Ministério da Fazenda sabota incentivos, cria insegurança e espanta investidores no País
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Presidente da Fiepa, Alex Carvalho avalia que medida compromete a segurança jurídica, com impactos diretos sobre a confiança do investidor/Fotos: Divulgação.
ação da Confederação Nacional da Indústria (CNI) no Supremo Tribunal Federal contra dispositivos da Lei Complementar nº 224/2025 não é um gesto extremo - é autodefesa institucional. O apoio da Fiepa deixa claro que a indústria cansou de absorver, em silêncio, decisões fiscais erráticas emanadas do Ministério da Fazenda, que trata incentivos produtivos como variável descartável do caixa.

Ao restringir o reconhecimento da chamada condição onerosa apenas a projetos aprovados até 31 de dezembro de 2025, a nova lei faz algo elementarmente errado: altera regras que embasaram investimentos já contratados, em execução ou em fase avançada de planejamento. É retroatividade disfarçada de ajuste.

Para o presidente da Fiepa, Alex Carvalho, a medida compromete a segurança jurídica ao alterar de forma abrupta regras que fundamentaram decisões de investimento de médio e longo prazo. Incentivos fiscais concedidos com prazo certo e condições previamente estabelecidas integram o planejamento empresarial e não podem ser revistos retroativamente sem impactos diretos sobre a confiança do investidor.

Vício arrecadatório

Sob o comando da política fiscal atual, o Ministério da Fazenda parece ter adotado um método simples, mas perigoso: arrecadar primeiro, explicar depois. Incentivos fiscais, mesmo os concedidos com prazo certo e contrapartidas claras, passaram a ser tratados como privilégio indevido, e não como instrumento legítimo de política econômica.

O resultado é um ambiente de insegurança jurídica fabricada, que mina decisões empresariais de médio e longo prazo. Nenhum investidor sério opera sob a lógica de que contratos valem até a próxima necessidade de caixa do Tesouro.

Direito atropelado

A crítica da indústria é objetiva: a lei fragiliza princípios constitucionais básicos, como o direito adquirido e o princípio da não surpresa. Não se trata de interpretação ideológica, mas de segurança jurídica elementar.

Quando o Estado muda critérios no meio do jogo, não está ajustando política pública - está rompendo confiança. E confiança, no mundo dos investimentos, não se recompõe com discurso nem com power point ministerial.

Amazônia penalizada

O impacto é ainda mais perverso nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Na Amazônia, onde projetos industriais exigem maturação longa, infraestrutura complexa e altos custos logísticos, a previsibilidade não é luxo - é condição de sobrevivência.

Ao desmontar incentivos nessas regiões, a Fazenda não corrige distorções fiscais. Reforça o velho centralismo econômico, empurrando investimentos de volta para onde o risco regulatório é menor.

Inovação e corte

O paradoxo beira o cinismo. O mesmo governo que anuncia a Nova Indústria Brasil e promete reindustrialização verde, inovação e competitividade global é aquele que, pela mão da Fazenda, retira previsibilidade exatamente de projetos inovadores. É uma política que fala em futuro enquanto desmonta o presente.

Última trincheira

Ao acionar o STF, a CNI - respaldada pela Fiepa - tenta conter um movimento que já ultrapassou o razoável. Não é pedido de privilégio; é pedido de limite.

Se prevalecer a lógica fazendária atual, o efeito será conhecido: investimentos congelados, projetos cancelados, empregos adiados e regiões inteiras pagando a conta de uma política fiscal míope e arrecadatória.

O Ministério da Fazenda pode até fechar a conta no curto prazo. Mas, se continuar tratando incentivos como problema e investidores como adversários, abrirá um rombo muito maior no desenvolvimento do País - e esse, diferentemente do fiscal, não se fecha com decreto.

Papo Reto

O deputado federal Éder Mauro (foto) deve estar rindo de orelha a orelha. O Instituto de Gestão Previdenciária publicou hoje aposentadoria dele como delegado de Polícia Civil - algo em torno de R$ 44 mil.

• Lélio Costa está de volta à gestão municipal, desta vez, com Igor Normando. É o novo titular da Secretaria de Ciência e Tecnologia, DAS 10. 

Aliás, Lélio teve a prestação de contas condenada pelo TCM, ano passado, determinando a devolução de R$ 23 milhões aos cofres públicos. Águas passadas do Igarapé São Joaquim...

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Para amenizar o clima pesado, o musical “Fafá de Belém...”, que celebra os 50 anos de carreira da cantora, estreou na quinta-feira, 15, no teatro Riachuelo, Centro do Rio de Janeiro, e fica em cartaz até março.

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Suspensa há dez dias por conta de um vazamento, a busca por petróleo na Foz do Amazonas não tem data para ser retomada pela Petrobras.

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É bom não perder de vista: 1 a 6 de fevereiro; 17 a 22 de fevereiro; 3 a 8 de março e 1 a 6 de abril de 2026 serão os períodos sagrados de andada reprodutiva do caranguejo-uçá no Pará e Amapá.

•Fica proibido capturar, transportar, beneficiar, industrializar e a comercializar a apreciada espécie.

O governo do Paraná impôs uma taxa de 22% à tilápia importada, depois que Santa Catarina proibiu sumariamente a comercialização do filé de tilápia do Vietnã.


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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.