Obra apresentada como avanço para o esporte e o lazer em Belém carece de informações oficiais sobre o valor investido.
entrega do Parque Olímpico Mangueirão, no dia 13 de janeiro deste ano, pela Secretaria de Estado de Esporte e Lazer, a Seel, foi apresentada pelo governo como um marco na ampliação de espaços de esporte e lazer em Belém. Integrado ao complexo já existente do Estádio Olímpico do Pará e da Arena Guilherme Paraense, o equipamento foi inaugurado com programação festiva, presença do governador Helder Barbalho e autoridades e discursos centrados em inclusão social, promoção da saúde e estímulo ao esporte amador.

O parque ocupa área aproximada de 121 mil metros quadrados e reúne duas quadras poliesportivas descobertas, dois campos de areia, arquibancadas modestas, quiosques, banheiros - incluindo unidade adaptada -, vestiários, academia ao ar livre, skate park, espaço para caminhada, bebedouros, chuveiros externos, palco multiuso, iluminação pública e cercamento monitorado. Grande parte da área é composta por pavimentação asfáltica, acessos viários, estacionamentos e sistemas de drenagem.
Durante a solenidade, que reuniu centenas de pessoas, houve depoimentos positivos de atletas amadores e coordenadores de projetos sociais, reforçando o discurso oficial de ampliação do acesso ao esporte.
Apesar da ampla divulgação institucional, chamou atenção a ausência de informação oficial sobre o custo total da obra. A coluna buscou o valor investido na placa da obra, em materiais promocionais e no Diário Oficial do Estado, sem sucesso.
Servidores da própria Secretaria, sob reserva, apontam cifras na ordem de R$ 120 milhões para a intervenção, número que nunca foi confirmado em comunicados oficiais da Secretaria ou da Agência Pará - o que contrasta com a prática habitual de publicidade dos valores em entregas governamentais.
A falta de detalhamento ocorre em um contexto mais amplo de revisões orçamentárias frequentes em grandes obras no Pará. A reforma do Estádio Mangueirão é exemplo recorrente: anunciada inicialmente em R$ 146 milhões, ultrapassou R$ 500 milhões após sucessivos aditivos contratuais.
No caso do Parque Olímpico, a estrutura entregue é considerada modesta frente ao valor que circula nos bastidores. São poucas unidades esportivas efetivas e grande concentração de investimentos em pavimentação e acessos, o que levanta dúvidas sobre o custo-benefício da intervenção.
Comparativamente, obras estruturantes relacionadas à COP30, como o Parque Linear da Doca, a ampliação da rua da Marinha, a modernização do aeroporto e projetos de saneamento e drenagem apresentam impacto urbano mais amplo, atingindo diretamente mobilidade, acessibilidade e qualidade de vida de milhares de moradores.
Esses empreendimentos, embora também alvo de críticas, respondem a demandas históricas da cidade e beneficiam áreas com déficit crônico de infraestrutura.
O Parque Olímpico Mangueirão está localizado em área já consolidada e de fácil acesso para quem frequenta o complexo esportivo central da capital. Especialistas em políticas públicas apontam que, em termos de democratização do esporte, a descentralização de investimentos tende a gerar maior retorno social.
Dados de mercado indicam que quadras poliesportivas abertas custam, em média, entre R$ 60 mil e R$ 250 mil, a depender do padrão construtivo. Quadras de areia têm custo ainda menor. Com recursos da ordem dos valores mencionados informalmente, seria possível multiplicar equipamentos esportivos em bairros periféricos e distritos como Jurunas, Guamá, Bengui, Icoaraci e Outeiro, onde a carência de espaços públicos seguros é evidente.
A discussão não é sobre a importância do esporte, mas sobre critérios, prioridades e transparência. A ausência de dados oficiais sobre o investimento aplicado impede avaliação objetiva da política pública e alimenta especulações desnecessárias.
Em um Estado marcado por desigualdades sociais e demandas reprimidas em áreas como saneamento, educação e segurança, a prestação de contas detalhadas não é apenas formalidade - é condição para a legitimidade do discurso de transformação social.
Sem clareza sobre custos, licitações e execução, o Parque Olímpico Mangueirão corre o risco de se tornar mais um símbolo de concentração de recursos e de decisões orientadas pela visibilidade, quando o desafio maior é alcançar quem permanece fora do alcance dessas entregas.

•Em meio à disputa sobre direitos históricos dos policiais civis (foto), um documento assinado pelo Sindicato dos Policiais do Pará circula nos bastidores com tom de ultimato.
• Não descreve um problema, mas insinua um poder. Evoca a caixa de Pandora: só se abre quando contrariada.
•É manifesto, ameaça ou moeda de troca? Não se sabe.
•Sabe-se apenas que expõe um lado sombrio da instituição - e que há verdades ali guardadas como arma, não como dever público.
•A Prefeitura de Belém vai fechar o Bosque Rodrigues Alves e o Parque Ecológico Gunnar Vingren durante o Carnaval, de 14 a 17 deste mês.
•A medida prevê garantir a segurança e a manutenção adequada dos espaços. A reabertura ao público ocorrerá a partir do dia 18, com horários regulares de visitação.
•Cerca de 200 mil pessoas estão envolvidas na base da cadeia produtiva do açaí no Pará, a maioria no Marajó, inclusive crianças e adolescentes, que deixam de estudar para ajudar a família na colheita do fruto.
•O TRT tem diagnosticado riscos contínuos e invisibilidade social desses trabalhadores jovens, com subnotificação dos acidentes durante as atividades diárias.
•Ano passado, a Faepa anunciou o robô AçaiBot, criado por uma indústria local. Trata-se de um aparelho leve e controle remoto, que faz a escalada nos troncos de açaí e colhe os cachos com menor perda.
•Conflitos entre três governadores e seus vices têm pesado no cálculo eleitoral para 2026. Em Rondônia, Tocantins e Maranhão, chefes do Executivo desistiram de disputar o Senado para não entregar o governo a adversários internos.
•A renúncia antecipada daria aos vices, candidatos à sucessão, o controle da máquina na reta final das eleições.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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