Ministério da Fazenda sabota incentivos, cria insegurança e espanta investidores no País Sem freios, Supremo avança sobre direitos e redefine poder de regulação no País Cinema está em alta, mas com o discurso blindado e o conforto do dinheiro público
Resistência

Exposição em Belém apresenta imagens de mulheres ameaças de morte no Maranhão

“Quem é pra ser já nasce”, da fotojornalista Ana Mendes, abre neste sábado, 17, às 10h, na Associação Fotoativa

  • 30 Visualizações
  • 17/01/26 16:00
Exposição em Belém apresenta imagens de mulheres ameaças de morte no Maranhão

Belém, PA - Fomentada pelo Prêmio Funarte Marc Ferrez, a exposição “Quem é pra ser já nasce”, da fotojornalista Ana Mendes, abre neste sábado, 17, às 10h, na Associação Fotoativa, e segue até 20 de fevereiro. São 24 imagens em p&b de mulheres ameaçadas de morte no Maranhão, em luta por seus territórios.


Ana Mendes está entre os grandes talentos da fotografia documental brasileira recente. Seus trabalhos integram o acervo da Biblioteca Nacional da França e já estiveram na capa do Washington Post. Atua como fotógrafa e videomaker para a mídia independente e principais organizações indígenas e indigenistas do país.


Ana Tem trabalhos pulicados no The Intercep Brazil, National Geographic Brazil, Mongabay, The Washigton Post, GK (Colômbia), Jornal Die Woche (Alemanha), etc.Com fotos expostas na França, Portugal, México, Uruguai e Argentina.


A exposição


“Quem é pra ser já nasce” é um recorte da pesquisa de doutorado que a fotojornalista desenvolve no Programa de Pós-Graduação em Artes da Universidade Federal do Pará,  e nasce de uma experiência pessoal da artista, que passou a ser ameaçada após anos de atuação como fotojornalista, documentarista e cientista social no Maranhão. 


Diante do risco real, Ana Mendes decidiu deslocar o foco da violência para uma pergunta central: “O que vem depois do medo?”. As imagens apresentadas são respostas construídas a partir do encontro com essas mulheres. “Este é um trabalho sobre amor e esperança. Não é sobre violência e morte”, afirma a artista.


Entre as imagens, um autorretrato de Ana Mendes estabelece um diálogo direto com as narrativas das retratadas, funcionando como espelho das lutas compartilhadas por defensoras ambientais, comunicadores e povos tradicionais - grupos que figuram entre os principais alvos de assassinatos no Brasil. Dados de organizações da sociedade civil apontam o país como um dos mais perigosos do mundo para defensores de direitos humanos, com Pará e Maranhão entre os estados que concentram esses crimes.


O título da exposição é inspirado em uma frase de Pjih-cre Akroá Gamella, liderança indígena fotografada no ensaio. Guardiã da casa-sede de uma fazenda retomada por seu povo na Baixada Maranhense, Pjih-cre viveu no local com três filhos pequenos sob constantes ameaças. Considerados extintos até 2014, os Akroá Gamella seguem em luta pela retomada de seu território ancestral. Para Ana Mendes, a frase sintetiza um traço comum às personagens retratadas: a continuidade dos saberes e das lutas transmitidas entre gerações, “aprendidas com mães, avós e ancestrais”.


Como parte da programação, a mostra participa da agenda do Café Fotográfico, promovido pela Associação Fotoativa, no dia 15 de janeiro (quinta-feira), às 18h30, no Sesc Ver-o-Peso, com a presença de Ana Mendes e de Pjih-cre Akroá Gamella, que também faz parte da equipe do projeto.


A curadora Nay Jinknss é fotógrafa, documentarista, educadora social, pesquisadora e artivista LGBTQIAP+, natural de Ananindeua, município da região metropolitana de Belém do Pará. Mulher negra e lésbica, constrói uma trajetória artística e acadêmica atravessada pela experimentação, pelo brincar e pela liberdade como fundamentos de seu processo criativo.


Serviço

"Quem é pra ser já nasce"

Exposição fotográfica Ana Mendes Curadoria Nay Jinknss

Período: 17 de janeiro a 20 de fevereiro de 2026

Abertura: 17 de janeiro (sábado), às 10h. 

Terça a sexta: das 15h às 18h. 

Nos outros sábados: 9h as 13h                  

Onde: Associação Fotoativa - Praça das Mercês, 19, Campina, Belém-PA

Entrada gratuita


Foto: Ana Mendes

Mais matérias Cultura

img
Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.