A política interna de preços imposta pelo governo à Petrobras vem resultando num risco ascendente de desabastecimento de combustíveis, especialmente o diesel, em meio à escalada da guerra no Golfo.
A grande mídia não repercutiu como deveria, mas nos últimos dias um fato incomum: pelo menos seis navios abarrotados de diesel, já em rota para o Brasil, desviaram o curso para outros destinos, aparentemente em fuga da política de preços do governo que vai deixando claro só ter olhos e caneta para a eleição presidencial.
Ao "dar uma banana" às leis de mercado e manter os preços da gasolina e, principalmente, do diesel significativamente abaixo da chamada paridade de importação - que junta o preço do produto importado com os custos do frete e do seguro - o governo assume correr todos os riscos de perda de votos.
Em meados de março, essa defasagem já chegava a 67% para o diesel, ou R$ 2,40 mais barato por litro. Significa que o produto vendido pela estatal estava muito mais barato que o importado, criando uma assimetria "imperdoável" do ponto de vista técnico.
Com o preço interno mais baixo, os importadores privados não conseguem competir, afinal não faz o menor sentido comprar (caro) no exterior e vender com prejuízo no Brasil. Isto resultou num "line up" (volume contratado) de navios com diesel importado para abril de 2026 extremamente baixo, cerca de 300 mil m³, quando a necessidade mensal do Brasil beira 1,4 milhão de m³.
Para agravar o cenário, a Petrobras reduziu as cotas de venda para as distribuidoras em cerca de 20% a 30%, suspendendo os leilões de gasolina e diesel programados para março de 2026, sob a desculpa de precisar reavaliar os estoques. A medida surpreendeu o mercado e dificultou o planejamento das distribuidoras, que dependem desses certames para complementar o abastecimento do País.
A intensificação do conflito no Oriente Médio elevou os preços do petróleo e os custos de frete e seguro internacionalmente, aumentando ainda mais a defasagem de preços e a dificuldade de importação.
Embora Petrobras e ANP afirmem não haver risco de desabastecimento generalizado, já há relatos de faltas não tão pontuais, principalmente de diesel, nas regiões Norte e Nordeste, e em áreas que dependem mais de importação, como Recife (PE), Santos (SP) e Paranaguá (PR).
As distribuidoras Vibra, Ipiranga e Raízen, temendo a falta de produto, chegaram a reduzir de 10% a 20% as vendas para postos de bandeira branca e pequenos revendedores, priorizando suas próprias redes.
A questão agravou-se tanto que o Sindicato das Distribuidoras (Sindicom) disparou ofícios ao governo e à ANP alertando que o risco de desabastecimento é quase inevitável, citando "cortes nas cotas de fornecimento" e a "instabilidade no calendário de leilões" como fatores que comprometem a segurança do abastecimento.
Está claro que tentar conter a alta de preços com mera isenção de impostos federais (PIS/Cofins) e negociações com estados para reduzir o ICMS pode não surtir o resultado que todos esperam.
A Associação dos Importadores (Abicom) e as distribuidoras não têm dúvidas: a política de preços imposta pelo governo Lula à Petrobras é a causa central do problema, criando um desarranjo que desestimula a importação, podendo sim levar à falta de produto.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, atribuiu a tensão no mercado a uma "retenção de produto por parte das distribuidoras visando aumento de lucros". A acusação é gravíssima e merece ser investigada, no mínimo para que cada brasileiro conheça o rosto do seu verdadeiro vilão.
Foto: Agência Brasil
______________________

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
ALina Kelian
19 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.
Rlex Kelian
19 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip commodo.
Roboto Alex
21 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.