A confusão na economia inicia justamente nos combustíveis mais caros, que significam inflação na mesa - coisa que nenhum país no mundo quer
Com o descontrole no preço do petróleo causado pelo agravamento do conflito no Oriente Médio, o Brasil pode ter assumido posição de "motorista de caminhão na montanha-russa". Ou seja, pode até colher alguns benefícios, porém também passou enfrentar desafios econômicos que exigem rigorosa atenção.
Como somos um grande produtor e exportador líquido de petróleo - em 2025, a produção atingiu 3,8 milhões de barris por dia - com a disparada dos preços, a tendência é de de um aumento na receita dessas vendas para o exterior, fortalecendo a balança comercial e ajudando a segurar a cotação do dólar. Como acionista majoritário da Petrobras e arrecadador de royalties e participações especiais, o governo federal até viu sua receita aumentar.
Estimativas indicam que um reajuste nos combustíveis poderia elevar a receita da Petrobras entre US$ 12 e US$ 15 bilhões, beneficiando diretamente o governo com mais dividendos e arrecadação.
A confusão na economia, entretanto, inicia justamente nos combustíveis mais caros, que significam inflação na mesa, coisa que nenhum país no mundo quer.
Embora o impacto não seja imediato devido aos estoques, o preço mais alto do petróleo acabou, já, pressionando os custos da gasolina, diesel, gás de cozinha e até do querosene de aviação.
A defasagem dos preços da Petrobras em relação ao mercado internacional é enorme - de 85% para o diesel e 49% para a gasolina -, significando que, nem precisou o conflito persistir para o brasileiro perceber a elevação dos preços nas bombas, o que é péssimo para a inflação e perpetuação dos juros altos.
Como já expliquei aqui, a alta da inflação e o dólar mais forte complicam a vida do Banco Central, que fica impedido de frear ou até interromper o ciclo de cortes na taxa básica de juros (Selic), atualmente em horrorosos 15% ao ano.
E o que dizer do motor da economia, o agro, que pode sofrer um duplo golpe? As exportações de carnes, especialmente frango (quase 30% das vendas externas vão para a região do conflito), estão ameaçadas pelo bloqueio no Estreito de Ormuz e pela disparada dos custos de frete e seguro.
Além disso, o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, e uma parcela significativa (como 18,4% da ureia) vem de países do Golfo, o que pode encarecer o custo de produção.
O governo brasileiro, que tenta equilibrar a relação comercial com os Estados Unidos, mas escolheu, por viés ideológico, solidarizar-se com o "lado errado da guerra", abraçou riscos desnecessários que podem complicar ainda mais futuras negociações internacionais e a própria posição do País.
Analistas do mercado financeiro têm como certo os efeitos inflacionários e o gradativo isolamento internacional, decorrentes da posição de defesa intransigente do país asiático. A conferir.
Foto: Agência Brasil
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Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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