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SAÚDE PÚBLICA

Clínicas denunciam novo calote em Belém e ameaçam paralisar os atendimentos

Empresários afirmam que são ignorados pela gestão municipal e alegam que prorrogação no atraso de pagamentos torna atendimentos inviáveis.

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  • Coluna Olavo Dutra | Com Estadão
  • 30/08/26 12:00
Clínicas denunciam novo calote em Belém e ameaçam paralisar os atendimentos
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ma nova bomba está prestes a estourar no sistema municipal de saúde de Belém. Pelo menos sete clínicas que atendem centenas de pessoas nos bairros e distritos da cidade via convênios com os centros de saúde estão por um fio de encerrar os atendimentos dado o atraso nos repasses que deveriam ser feitos pela Secretária de Saúde de Belém, a Sesma, que não acontecem desde maio.

Clínicas podem deixar de atender entre 500 e 800 pessoas por dia em diversos bairros e distritos de Belém/Foto: Divulgação.
Essas clínicas atendem entre 500 e 800 pessoas diariamente em pelo menos sete especialidades. O público é encaminhado por 13 postos de saúde do município, inclusive nos distritos de Mosqueiro, Outeiro e Icoaraci, facilitando a vida de quem precisa de atendimento perto de casa.

Silêncio ensurdecedor

O dono de uma dessas clínicas entrou em contato com a coluna para relatar o martírio. O nome - pediu ele - segue em sigilo para que o castigo se estenda para além do vazio na conta bancária do estabelecimento. De acordo com a denúncia, estes convênios são pagos por verbas federais que, segundo o empresário, caem religiosamente todo mês na conta da Prefeitura de Belém.

O denunciante conta que não entende porque os pagamentos não são feitos mesmo que o dinheiro esteja em caixa. Do lado da prefeitura, conta ele, não há conversa. Mensagens são ignoradas e apelos desprezados porque os representantes da área de saúde e o próprio prefeito Igor Normando, simplesmente não atendem e não autorizam ninguém a tratar sobre o assunto.

Até mesmo alguns vereadores e deputados estaduais, amigos desses empresários e com interesse no atendimento à população, já teriam tentado mediar junto ao Executivo, mas mesmo essas pessoas e toda sua influência política não conseguiram destravar o nó que está levando os donos dessas clínicas ao desespero.

Com a corda no pescoço

O denunciante que procurou a coluna conta que já está indo para o segundo empréstimo bancário porque não quer deixar de atender - pessoas que não teriam condições de bancar um tratamento no sistema privado de saúde. Agora, no final de agosto, a clínica está pagando metade do salário de julho, cuja folha gira em torno de R$ 80 mil. E isso porque alguns sócios precisaram “meter a mão no próprio bolso”.

Os repasses para uma dessas clínicas gira em torno de R$ 600 mil mensais. Sem esse recurso, as dificuldades são extremas porque, para além da folha de funcionários, há os contratos com fornecedores, energia elétrica, manutenção e tributos que também custam caros e são essenciais para o funcionamento.

“...porque não quer”

 O mais estranho de tudo, segundo um outro empresário na mesma situação, é saber que o dinheiro está no sistema da Prefeitura de Belém - chamado de GDOC -, mas o pagamento não acontece. Ou seja, nesse caso, afirma ele, não dá para dizer que o calote é fruto da falta de recursos. O Ministério da Saúde já teria sido notificado por alguns desses empresários, mas não se manifestou até o momento.

Nunca é demais lembrar que a mesma estratégia de asfixia financeira já foi usada pela gestão Igor Normando para pôr fim a convênios firmados com algumas OSs que gerenciavam UPAs em Belém. Com a saída dessas empresas, outros empresários assumiram o trabalho e os atendimentos seguiram sem que o valor devido aos antecessores fosse pago. O caso se arrasta na Justiça numa novela cujo enredo parece longo e sofrível.

Papo Reto

Quem manda nos votos em Tailândia? Explica-se: Lauro fechou com Iran Lima. O ex - Macarrão (foto) -, contrariado, decidiu disputar a Alepa. Agora, os dois medem força em Tailândia e Moju. Só a urna dirá quem realmente tem os votos - e quem tinha apenas a fama de tê-los.

•Começou o horário eleitoral, com direito a horário nobre, cortesia da democracia do faz-de-conta.

É lindo ver tanto talento dramático fazendo promessas que evaporam antes do comercial de xampu, sorrisos ensaiados pra quem mal sabe o nome do próprio candidato a governador.

 •E como sempre, a gente assiste, mastiga, esquece - e no dia seguinte, a vida segue a mesma bagunça, só que com mais jingle na cabeça.

No fim, dizem que o horário eleitoral é igual aquele parente chato: aparece todo ano, fala alto e não resolve nada - mas a gente faz questão de assistir, fingindo que dessa vez vai ser diferente.

•O STF, com a velocidade de sempre, decidiu que sim, dá para tributar os lucros da Vale lá fora.

•  A solução para arrecadar mais sempre esteve debaixo do nosso nariz, o tempo todo, só faltava boa vontade e uns poucos votos dos supremos.

 •  Agora, se a arrecadação extra também sumir num rombo qualquer, já se sabe onde buscar mais.

Na mesa está o velho dilema da esquerda militante: odiar o sistema com a boca, mas abraçar a ferramenta com o bolso - com dinheiro público, de preferência.

• Nada mais revolucionário que impulsionar o "Fora, Zuckerberg!" com verba que saiu do seu imposto, enquanto o algoritmo ri por dentro.

Até agora, R$7,5 milhões de puro amor-ódio criticam a plataforma nas redes, mas pagam o impulsionamento com o entusiasmo de quem descobriu o cartão corporativo ilimitado.

•Se o discurso é fogo, o clique é fogo também, e a hipocrisia, essa sim, sai de graça.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.