Articulações políticas visando as eleições deste ano movimentam intensamente bastidores do partido, com ameaça aos próprios companheiros.
m dos temas que mais têm provocado tensão dentro do PT no Pará é o crescente protagonismo político do senador Beto Faro e o avanço de um projeto considerado, por setores do próprio partido, excessivamente concentrado em interesses familiares.

Denúncias e relatos encaminhados à coluna apontam que o senador estaria conduzindo uma estratégia política que inclui sua permanência no Senado Federal, a tentativa de reeleger a esposa, Dilvanda Faro, para a Câmara dos Deputados, além da construção da candidatura do filho, Yuri Faro - atual vice-prefeito de Bujaru - também à Câmara Federal.
Nos corredores do partido, dirigentes e militantes históricos avaliam que o movimento tem gerado desconforto crescente e acirrando disputas internas já antigas dentro da legenda no Estado. Há quem defina a estratégia como uma espécie de “canibalismo político”, pela percepção de que o fortalecimento do núcleo familiar do senador estaria ocorrendo à custa do enfraquecimento de outros quadros petistas tradicionais.
A preocupação de integrantes do partido é que a ampliação desse projeto possa produzir efeitos eleitorais negativos para o próprio PT. Reservadamente, lideranças avaliam que, ao tentar acomodar simultaneamente três candidaturas diretamente ligadas à família Faro, o senador aumenta a concorrência interna por votos, estrutura política, recursos financeiros e apoios municipais.
Nos bastidores, o comentário recorrente é que o movimento representa um “salto triplo mortal carpado”: além do risco de não conseguir consolidar eleitoralmente o filho em uma disputa proporcional extremamente competitiva, o projeto poderia comprometer candidaturas de aliados históricos e aprofundar divisões internas na legenda.
A influência de Beto Faro dentro do PT cresceu significativamente após sua eleição ao Senado, em 2022, quando contou com forte apoio político do então governador Helder Barbalho. A vitória consolidou o senador como principal liderança petista no Pará e abriu caminho para sua chegada ao comando estadual da legenda, substituindo o ex-senador Paulo Rocha.
Desde então, interlocutores do partido afirmam que a dinâmica interna mudou profundamente. Correntes históricas do PT perderam espaço político e influência nas decisões estratégicas da sigla, enquanto o grupo liderado por Faro passou a centralizar articulações eleitorais, distribuição de espaços partidários e construção de alianças regionais.
Integrantes antigos do partido descrevem o cenário atual como uma estrutura fragmentada, marcada por disputas internas e ressentimentos acumulados. A expressão “colcha de retalhos mal costurada” passou a ser utilizada por alguns militantes para definir a situação do PT paraense, dividido entre tendências enfraquecidas e grupos regionais em permanente tensão.
Foi nesse ambiente político que ganhou força, nos últimos meses, a articulação para tentar emplacar o deputado Luth Rebelo como possível vice em uma eventual candidatura da atual vice-governadora Hana Ghassan ao governo estadual. Segundo relatos internos, o projeto teria sido fortemente incentivado pelo grupo ligado a Beto Faro, embora nunca tenha alcançado consenso dentro da ampla base política governista.
Nos bastidores, aliados afirmam que o próprio deputado chegou a acreditar concretamente na possibilidade de integrar a futura chapa majoritária, embalado pelo discurso de integrantes próximos à família Faro. Apesar disso, lideranças de outros partidos da base governista tratam o tema com cautela e observam resistência à ampliação do espaço político do PT dentro da futura composição estadual.
O avanço do grupo político de Beto Faro também é visto com preocupação por lideranças históricas da legenda. O ex-deputado federal Zé Geraldo, um dos nomes mais tradicionais do PT paraense e com forte atuação no interior do Estado, é citado como um dos quadros que enfrentariam dificuldades para competir contra a estrutura política e financeira construída em torno do senador.
Aliados reconhecem que a capacidade de mobilização eleitoral do grupo de Faro, fortalecida por emendas parlamentares e presença crescente junto a prefeitos e lideranças municipais, alterou o equilíbrio interno da legenda.
A ex-governadora Ana Júlia Carepa também aparece no centro das especulações políticas. Embora tenha reduzido o interesse em disputar mandato eletivo, seu nome segue mencionado em possíveis composições majoritárias para 2026, inclusive como eventual suplente em chapa ao Senado.
Outro nome afetado pelo novo cenário seria o deputado federal Airton Faleiro. Interlocutores próximos afirmam que prefeitos historicamente ligados ao parlamentar passaram a migrar para a influência política do senador, atraídos pelo peso institucional do mandato e pela distribuição de emendas parlamentares em municípios do interior.
Todo esse processo político ocorre enquanto Beto Faro ainda acompanha desdobramentos envolvendo questionamentos na Justiça Eleitoral relacionados à eleição de 2022. Embora aliados do senador minimizem os impactos do processo, adversários internos avaliam que a situação adiciona um componente extra de desgaste político em meio às disputas dentro do PT.

•O ex-prefeito de Afuá Mazinho Salomão (foto) começa a circular com mais intensidade nos bastidores políticos do Estado como pré-candidato à Alepa pelo Republicanos.
•Com longa trajetória no Executivo municipal e passagem pela Secretaria Regional do Marajó, Mazinho aposta no peso político da região para voltar ao cenário eleitoral estadual.
•Em uma animada rodada regada a taças de vinho, quatro deputados estaduais e um deputado federal colocaram 2026 e 2030 na mesa das conjecturas políticas. O assunto principal: as suplências da futura chapa de Helder Barbalho ao Senado.
•Um parlamentar do MDB foi direto ao ponto: a primeira suplência, segundo ele, estaria reservada ao atual senador Jader Barbalho. Na sequência, um deputado federal acrescentou que a segunda vaga seria destinada a um influente empresário paraense próximo ao governador.
•O mesmo federal afirmou que, antes mesmo de uma eventual eleição ao Senado, Helder já circula em Brasília como nome lembrado para suceder Davi Alcolumbre na presidência da Casa.
•Outro deputado estadual avaliou que HB tem condições políticas de comandar o Senado Federal, mas acredita que o plano de longo prazo passa pelo retorno ao governo do Pará em 2030, em busca do terceiro mandato, igualando a marca de Simão Jatene - e possivelmente tentando um quarto mandato consecutivo posteriormente.
•Daí nasce o interesse sobre as suplências: nos bastidores, cresce a percepção de que um eventual retorno antecipado de Helder ao Executivo estadual abriria caminho para que os suplentes assumissem parte relevante do mandato no Senado.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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