Imóvel avaliado em R$ 1,69 milhão no Condomínio Cristal Ville poderá ser levado a leilão por dívida de R$ 594 mil.
guerra política e judicial que há anos envolve o ex-deputado federal Wladimir Costa ganha agora um capítulo patrimonial. Uma residência de alto padrão atribuída ao ex-parlamentar, localizada no Condomínio Cristal Ville, em Val-de-Cans, Belém, foi penhorada pela Justiça e está destinada a leilão em processo de execução movido pelo ex-senador Ademir Andrade, pai do atual vice-prefeito de Belém, Cássio Andrade.

O imóvel, avaliado judicialmente em R$ 1.697.329,38, está relacionado a uma execução que cobra atualmente R$ 594.219,87. No processo também aparece como executada a Rede Brasil Amazônia de Comunicação (RBA), grupo de comunicação associado à família Barbalho, com a qual Wladimir mantém uma relação historicamente marcada por conflitos políticos e pessoais. Os dias fatídicos estão marcados para leilões em 1º e 8 de outubro de 2026, e daqui a menos de um mês.
Caso o primeiro leilão não tenha arrematante, o bem poderá ser colocado novamente à venda pelo equivalente a 50% da avaliação, ou seja, R$ 848.664,69. O processo tem como exequente Ademir Galvão Andrade, ex-deputado federal e ex-senador. Do outro lado, aparecem Wladimir Costa, a RBA e Amanda Andrade da Costa.
A presença da RBA torna o caso particularmente sensível no histórico de Wladimir. O ex-deputado travou durante anos uma conhecida disputa com o grupo de comunicação ligado aos Barbalho. Foi justamente em um programa da TV RBA, o “Comando-Geral”, que, em maio de 2006, Wladimir proferiu ataques contra Ademir Andrade, chamando-o, entre outras coisas, de “vagabundo”, “cachorro”, “covarde” e “chefe de quadrilha”.
O episódio chegou ao Supremo Tribunal Federal. A tentativa de Wladimir de utilizar a imunidade parlamentar como argumento não prosperou, porque as manifestações foram consideradas ofensas pessoais veiculadas em um canal de televisão, sem relação com o exercício do mandato.
Em 2012, o STF absolveu Wladimir da acusação de difamação. Em relação à injúria, reconheceu a responsabilidade, mas a punição não foi aplicada porque o crime estava prescrito.
Embora a cobrança seja aparentemente financeira, o componente político do episódio não pode ser ignorado. Wladimir Costa tem uma relação abertamente conflituosa com a família Barbalho e, segundo sua própria visão sobre os acontecimentos que o atingiram judicial e politicamente, ele já falou abertamente em perseguição e acredita que o ex-governador Helder Barbalho esteja por trás dos episódios recentes de sua condenação e prisões.
Essa é, contudo, uma percepção atribuída ao próprio Wladimir, e não uma conclusão comprovada pelos documentos da execução ou pelas informações disponíveis sobre o leilão. A menção à RBA no processo, porém, dá ao caso uma dose adicional de simbolismo político. Afinal, o patrimônio de um dos personagens que mais protagonizaram ataques públicos contra o grupo de comunicação dos Barbalho agora está no centro de uma execução judicial na qual o próprio grupo aparece entre os executados.
Apesar da ligação familiar e política, Cássio Andrade, atualmente candidato a deputado federal, não figura entre os executados relacionados ao leilão. Ele aparece apenas no contexto político e familiar, como filho de Ademir Andrade e atual vice-prefeito de Belém.
O caso ainda não está necessariamente encerrado. O edital registra a existência de embargos de declaração pendentes de julgamento, o que significa que uma eventual arrematação poderá sofrer consequências conforme o resultado da análise judicial.
No papel, é uma execução patrimonial. Na política paraense, porém, o episódio tem ingredientes de sobra para reabrir uma velha ferida: Wladimir Costa de um lado; Ademir Andrade e a RBA do outro; e, ao fundo, a família Barbalho, alvo recorrente das acusações e suspeitas alimentadas pelo próprio ex-deputado.
A penhora da mansão de Wlad foi formalizada em 20 de junho de 2024, por termo lavrado na 6ª Vara Cível da Comarca de Belém e posteriormente registrado no Cartório do 1º Ofício de Registro de Imóveis da capital. O imóvel tem 700 metros quadrados de terreno e 208 metros quadrados de área construída, distribuídos em dois pavimentos. A descrição judicial inclui duas vagas de garagem, jardim, churrasqueira, área gramada, deck de madeira com cobertura de vidro, área de serviço, depósito e dependência para funcionário com suíte.
Na área interna, há sala dividida em três ambientes, lavabo, cozinha, escada em mármore e três suítes no pavimento superior. A sala principal conta ainda com espaço destinado a escritório.
Os interessados devem se preparar para os lances, nesse caso, os lances financeiros. Já os próximos lances políticos podem ocorrer a qualquer momento.

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Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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