O problema vai ser quando o perigo for real; banalização do serviço pela prefeitura pode cobrar um preço muito alto durante um temporal de verdade.
história é antiga. O menino gritava “lobo” todos os dias para assustar os moradores da vila. Quando o lobo apareceu de verdade, ninguém mais acreditou. A fábula atravessou séculos porque traduz um comportamento humano simples: a repetição exagerada de um alerta acaba destruindo sua credibilidade.

Mas, segundo relatos
de pessoas ligadas à concepção do serviço, o mecanismo teria sido acionado com
frequência muito superior à prevista originalmente.
A lógica de qualquer
sistema de alerta é simples: ele deve ser reservado para momentos em que a
informação precisa romper a rotina e chamar imediatamente a atenção do cidadão.
Quando o telefone toca, vibra ou emite um aviso especial, a expectativa é que exista
uma ameaça concreta e diferenciada. O problema surge quando o recurso passa a
ser utilizado para eventos que a população considera comuns ou previsíveis.
Belém é uma cidade acostumada à chuva. Temporais, alagamentos localizados e mudanças bruscas no tempo fazem parte da rotina amazônica. Isso não significa que os riscos devam ser ignorados, mas exige critério redobrado na emissão de alertas públicos.
Segundo fontes
envolvidas na estruturação do sistema, a insistência em disparar avisos diante
de praticamente qualquer previsão de precipitação teria provocado um crescente
desgaste da ferramenta.
Especialistas em
comunicação de risco costumam apontar um fenômeno conhecido: a fadiga de
alerta. Quando as pessoas recebem avisos repetidos que não se convertem em
consequências visíveis ou proporcionais, tendem a ignorar as mensagens
seguintes. É exatamente o oposto do objetivo original.
O cidadão passa a
acreditar que o alerta é apenas mais um aviso burocrático. A mensagem perde a
capacidade de mobilização. O som deixa de provocar atenção e passa a gerar
irritação. O risco é evidente: no dia em que uma situação realmente extrema
exigir resposta rápida da população, parte dos destinatários poderá
simplesmente desconsiderar o aviso.
Nos bastidores, a
insatisfação de técnicos que participaram da concepção do serviço é atribuída à
percepção de que critérios originalmente rígidos teriam sido flexibilizados por
pressões administrativas para ampliar os disparos. Se isso ocorreu, a consequência
mais grave não é política nem burocrática. É operacional.
Ferramentas de
emergência vivem de credibilidade. Quando ela desaparece, o sistema continua
funcionando, os celulares continuam tocando e as mensagens continuam chegando -
mas a confiança coletiva já foi embora. E confiança, nesse caso, não é detalhe.
É justamente o que
separa um alerta capaz de salvar vidas de uma notificação qualquer perdida
entre dezenas de mensagens do dia. Afinal, o velho conto continua atual: depois
de muitos alarmes para chuvas comuns, o problema não será fazer o celular
tocar; será convencer alguém a acreditar nele.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
ALina Kelian
19 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.
Rlex Kelian
19 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip commodo.
Roboto Alex
21 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.