Representação do Psol pede investigação sobre indícios de superfaturamento na execução do principal legado da COP30.
morte do adolescente de 16 anos que sofreu uma descarga elétrica em um poste metálico no Parque da Cidade mudou o foco do debate sobre o principal legado físico da COP 30 em Belém. O acidente trouxe de volta questionamentos antigos sobre a obra de quase R$ 1 bilhão e acabou acelerando novas iniciativas para investigar sua execução.

Na quarta-feira 15, o Psol protocolou representação no Ministério Público Federal pedindo abertura de inquérito civil para apurar possíveis irregularidades e indícios de superfaturamento nos contratos relacionados à construção do parque. O documento é assinado pela deputada estadual Lívia Duarte, pelas vereadoras Marinor Brito e Vivi Reis e pela presidente municipal do partido, Leila Palheta.
As suspeitas não são novas. Desde a inauguração do espaço, ainda às pressas para receber as atividades da COP30, parlamentares e entidades questionam o custo da obra, alterações no projeto original e a transparência dos contratos. O acidente fatal ampliou esse debate.
Dias antes da tragédia, o sistema de iluminação da pista de skate havia passado por manutenção. Segundo relatos, o jovem encostou em um poste metálico energizado e morreu no local. Pouco depois, o governo fechou temporariamente o parque e rescindiu o contrato com a empresa responsável pela administração do espaço.
Uma empresa sediada em Cametá havia sido contratada pela Secretaria de Cultura, em abril deste ano, por R$ 13,9 milhões, mediante inexigibilidade de licitação, para realizar a gestão, manutenção e exploração econômica do parque. O contrato foi encerrado menos de três meses depois de sua publicação no Diário Oficial. A substituição da empresa abriu outra frente de questionamentos. Até agora não foi esclarecido qual será o modelo definitivo de administração do equipamento público.
Embora o governo apresente o Parque da Cidade como um dos principais legados da COP30, parte expressiva do projeto permanece sem execução. A área aberta ao público concentra pistas esportivas, quadras e espaços de lazer, que recebem grande fluxo de visitantes diariamente.
Já estruturas previstas para impulsionar atividades culturais e econômicas, como os centros de gastronomia e de economia criativa, apresentam baixa ocupação. A segunda etapa das obras, anunciada como responsável pela conclusão de cerca de 270 mil metros quadrados do empreendimento, ainda não saiu do papel.
Quem passa pela área onde funcionou a Zona Azul da COP encontra extensos tapumes e um terreno sem movimentação aparente.
Outro ponto que deverá alimentar o debate diz respeito aos custos. O projeto vencedor do concurso nacional de arquitetura previa investimento estimado em R$ 65 milhões. Ao final da primeira etapa, porém, o custo informado pelo próprio governo alcançou R$ 980 milhões. Além da diferença de valores, críticos apontam que diversos equipamentos previstos no projeto original - como cinema, teatro, museu, bosque, ateliês e conjuntos de chafarizes - ainda não foram entregues.
O Parque da Cidade integra o programa Estrutura Pará e foi construído pela Vale como forma de compensação financeira decorrente da cobrança da Taxa de Fiscalização de Recursos Minerários (TFRM), cuja legalidade foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em 2023. Além do parque, a mineradora executou outras obras públicas em Belém dentro desse acordo, entre elas o complexo Porto Futuro II.

•Em Capanema, nordeste do Pará, dez entre dez pessoas apontam o mesmo nome por trás da gestão da UPA 24 Horas pelo Instituto Ímpar: Nicolás Tsontakis (foto).
•O empresário, condenado no caso dos respiradores da pandemia e em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, é presença frequente na unidade. Oficialmente, porém, não aparece na estrutura da organização social.
• Sobre garças e outros bichos: veteranos lembram da época em que o Museu Goeldi recorria aos antigos "foguetes de rabo" para espantar garças e urubus que dominavam o parque. Hoje, os artefatos são proibidos. Mudaram os tempos. Os pássaros também.
•A Prefeitura de Belém lançou, na semana passada, um número de WhatsApp para quem quisesse solicitar mudas de árvores pelo programa “Plante Aqui”. O detalhe é que o telefone divulgado estava errado.
•Durante dias, um supermercado da capital recebeu dezenas de mensagens de moradores interessados em plantar árvores. Somente na quinta-feira, 16, após insistentes reclamações e até um ofício formal da empresa, o município corrigiu o número.
•O prefeito Igor Normando prorrogou para 30 de setembro a entrada em vigor do chamado "pacote de maldades" aprovado no ano passado.
•As mudanças para os servidores municipais passam a valer apenas em 1º de janeiro de 2027.
•Nos bastidores, comenta-se que sucessivos adiamentos reforçam as dúvidas sobre a constitucionalidade da medida e sobre sua sobrevivência caso seja analisada pelo Tribunal de Justiça do Pará.
•A Fifa transformou até o gramado da final da Copa de 2026 em negócio. Vai vender pedaços da grama do MetLife Stadium por até R$ 17 mil cada. Brasileiros, porém, ficaram de fora: as entregas serão feitas apenas nos Estados Unidos e na Europa.
•Pouca gente sabe, mas Mike Maignan, goleiro da seleção francesa, nasceu em Caiena, na Guiana Francesa, vizinha do Amapá. Um lembrete de que a fronteira amazônica está muito mais conectada ao mundo do que muita gente imagina.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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