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TJ do Pará arquiva investigação contra Ed Wilson, homem forte da transição

Decisão reconhece ausência de elementos concretos que vinculem coordenador-geral da transição do governo eleito às condutas investigadas no caso Iasep.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 01/11/26 10:00
TJ do Pará arquiva investigação contra Ed Wilson, homem forte da transição
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investigação que colocou Ed Wilson Dias e Silva, atual coordenador-geral da transição do governador eleito Daniel Santos, no centro de uma apuração do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Pará (MP), teve um desfecho favorável ao investigado. Em decisão assinada em 28 de outubro, o desembargador Pedro Pinheiro Sotero, do Tribunal de Justiça do Pará, acolheu o pedido de arquivamento apresentado pelo MP, reconhecendo a ausência de elementos concretos suficientes para demonstrar o vínculo direto de Ed Wilson com as condutas apuradas.

 

Desembargador Pedro Sotero acolheu pedido de arquivamento por falta de elementos suficientes no caso envolvendo Ed Wilson/Fotos: Arquivo.

A decisão também determinou a revogação de todas as medidas cautelares pessoais e patrimoniais que ainda estavam vigentes exclusivamente contra ele, além de providências urgentes para desbloqueio ou restituição de bens e valores atingidos pelas restrições judiciais.

A defesa foi conduzida pelos advogados Sábato Rossetti e Francisco Brasil. “Uma das muitas situações estranhas desse processo é que essas medidas cautelares pessoais e patrimoniais ainda estavam vigentes exclusivamente contra ele, por isso pedimos e obtivemos a determinação para o desbloqueio do patrimônio atingido”, destaca o advogado Francisco Brasil.

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Entenda o caso

O caso ganha relevância pelo histórico de operações do Gaeco envolvendo a administração de Ananindeua e pessoas ligadas ao grupo político de Daniel Santos, que, antes de se tornar governador eleito, já era apontado como possível nome de oposição na disputa pelo governo do Pará.

A primeira grande frente investigativa veio a público em 29 de abril de 2024, quando o Gaeco deflagrou uma operação para apurar suspeitas de superfaturamento de contas médicas do Hospital Santa Maria de Ananindeua junto ao Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Pará, o Iasep.

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços de Belém, Ananindeua e Santa Izabel do Pará. A apuração apontava possíveis irregularidades em pagamentos realizados entre 2019 e 2023, com suspeita de favorecimento ao hospital, do qual Daniel Santos foi sócio até 2022.

Ed Wilson, que havia ocupado cargos de confiança na Prefeitura de Ananindeua e na Assembleia Legislativa durante a gestão de Daniel Santos, foi incluído entre os investigados, além de outros servidores do Instituto e o empresário Elton dos Anjos Brandão, ex-sócio de Daniel.

Nova etapa

Em setembro de 2024, outra frente do Gaeco chegou à Prefeitura de Ananindeua, em uma operação que cumpriu nove mandados de busca e apreensão para investigar suspeitas de fraudes em licitações nas secretarias municipais de Saúde e de Saneamento e Infraestrutura. A apuração estimava possíveis desvios superiores a R$ 109 milhões e envolvia empresários e agentes públicos. Na época, Ed Wilson também foi citado entre os nomes relacionados às investigações.

Em agosto de 2025, o Ministério Público deflagrou uma nova etapa, denominada Aqueronte II/Hades, que resultou no afastamento cautelar de Daniel Santos da prefeitura por decisão judicial. A operação investigou suspeitas de direcionamento de licitações, favorecimento empresarial e corrupção em contratos municipais. O procedimento envolveu buscas, bloqueios patrimoniais e medidas contra agentes públicos e empresários.

Pelo arquivamento

Agora, ao acolher a manifestação pelo arquivamento, o desembargador Pedro Pinheiro Sotero considerou que não havia elementos concretos suficientes para demonstrar a participação direta de Ed Wilson nas condutas investigadas. A decisão não representa absolvição em ação penal, pois não houve denúncia contra ele nesse procedimento, mas determina o encerramento da apuração em relação ao investigado, pela razoável falta de provas.

Papo Reto

•A transição de governo anda longe de ser uma troca de gentilezas. Além do pedido de inelegibilidade de Daniel Santos e Alessandra Haber pelo Ministério Público Eleitoral, a equipe do governador eleito estaria concentrando atenções em setores específicos da atual administração. A Semas é um deles.

•Depois de reunião com os núcleos jurídico e político, Daniel teria distribuído tarefas minuciosas à equipe de transição, com foco em contratos, manejo florestal, mineração e licenças ambientais.

•Nos bastidores, porém, os nomes que despertam maior interesse seriam os irmãos Rodolfo e Vinicius Zaluth Bastos (foto). O primeiro ocupa cargo de secretário-adjunto na pasta; o segundo é apontado como lobista com trânsito na estrutura ambiental.

•Ambos são sobrinhos da deputada federal Elcione Barbalho e parentes do senador eleito Helder Barbalho. A transição promete ser menos protocolar do que se imaginava. E a Semas pode virar um dos seus capítulos mais movimentados.

•A Raízen fechou com o governo acordo para renegociar R$ 22,4 bilhões em débitos tributários, na maior transação do gênero no País. Terá descontos de R$ 8,5 bilhões em multas e juros.

• Um dos controladores, Rubens Ometto, já destinou R$ 2,25 milhões ao PT em 2025, segundo informações divulgadas sobre suas doações. Negócios, política e cifras de muitos zeros.

•Mais de 20 representações diplomáticas brasileiras, em 13 países, foram avisadas de que não receberiam salários e recursos operacionais. Segundo a revista Veja, o problema decorre de entraves burocráticos e contingenciamento.

•O Itamaraty promete regularizar os repasses na próxima semana. Até a diplomacia brasileira está descobrindo o significado de aperto de caixa.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.