Em 16 meses, Igor Normando redesenha equipe, concentra funções e acumula decisões contestadas em áreas sensíveis.
gestão do prefeito de Belém, Igor Normando, do MDB, chega ao décimo sexto mês marcada por mudanças sucessivas no primeiro escalão e por decisões estruturais que vêm provocando ruídos internos. O desenho original do governo, montado em janeiro de 2025, foi praticamente desmontado.

O restante passou por substituições, remanejamentos ou deixou a gestão - movimento que começou ainda nos primeiros meses e se intensificou ao longo de 2025 e início de 2026.
A rotatividade atingiu áreas estratégicas e, em alguns casos, resultou em acúmulo de funções. Um dos exemplos mais visíveis é o da Secretaria de Governo, que hoje concentra, interinamente, outras pastas relevantes da administração.
Na Educação, a instabilidade foi ainda mais evidente. A secretaria teve três titulares em curto intervalo, após episódios envolvendo greve de servidores e questionamentos administrativos. Na Saúde, a troca de comando ocorreu em meio à crise do PSM da 14 de Março, ainda sob pressão.
Também houve reconfiguração estrutural de áreas inteiras. A Cultura deixou de operar via fundação e passou a ser secretaria, enquanto outras pastas foram redesenhadas ou absorvidas ao longo da gestão. Nos bastidores, a avaliação recorrente é de que a sucessão de mudanças compromete a continuidade administrativa e dificulta a execução de políticas públicas, especialmente nas áreas mais sensíveis.
A instabilidade não se restringe ao quadro de pessoal. A gestão também vem promovendo alterações em órgãos e espaços físicos da administração, incluindo a extinção de fundações e a redefinição do uso de prédios públicos. Casos como o do Palacete Pinho, que deixou de funcionar como escola de música e espaço cultural e segue fechado, reforçam a percepção de descontinuidade. Em paralelo, novos arranjos institucionais vêm sendo criados para absorver funções antes concentradas nesses equipamentos.
O episódio mais recente dessa política envolve a Companhia de Desenvolvimento e Administração da Área Metropolitana de Belém, a Codem, responsável por regularização fundiária, planejamento urbano e gestão de dados imobiliários da capital.
A sede da companhia, o prédio histórico Barão do Guamá, na avenida Nazaré, deve passar por reforma. A Prefeitura decidiu transferir temporariamente as atividades para um imóvel na Praça das Mercês.
A medida gerou reação imediata. Servidores realizaram manifestação pacífica e afirmam que o processo ocorre sem diálogo com o corpo técnico. O grupo também formalizou questionamentos junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT).
Segundo relatos internos, a mudança ignora uma alternativa considerada mais adequada: o uso do prédio anexo da própria Codem, o La Roque, que teria condições de abrigar as atividades durante a reforma. O espaço, no entanto, está atualmente ocupado por outro órgão municipal.
Além da disputa sobre o destino físico da companhia, há preocupação com o acervo técnico. A Codem é responsável por documentos históricos, mapas e registros fundiários que exigem condições específicas de armazenamento.
Servidores apontam que o imóvel indicado pela gestão apresenta limitações estruturais e pode não comportar integralmente as atividades, além de representar risco ao material sensível, especialmente diante das condições climáticas da capital.
A soma de trocas no secretariado, reconfigurações institucionais e decisões administrativas contestadas expõe uma gestão ainda em processo de ajuste.
Sem estabilidade no primeiro escalão e sob pressão em áreas-chave, a administração municipal tenta encontrar um ponto de equilíbrio — enquanto lida, simultaneamente, com crises operacionais e desgaste interno. O resultado, até aqui, é uma engrenagem que gira, mas ainda sem ritmo definido.

•A unidade da Agência Nacional de Mineração no Pará voltou ao radar por relatos de cobrança indevida para destravar processos. Segundo fontes, a liberação de documentos estaria sendo condicionada a pagamentos fora das taxas oficiais. Parte da atual diretoria foi indicada pelo deputado federal Keniston Braga, do MDB (foto).
•Não há confirmação formal, e os citados não se manifestaram até o fechamento. O histórico recente do órgão no Estado, com afastamentos por suspeitas semelhantes, acende o alerta e reforça a necessidade de apuração pelos órgãos de controle.
•A Cidade Velha continua abandonada, tanto pela prefeitura quanto pelo Iphan. A associação dos moradores do bairro sequer consegue ajuda para disciplinar e resguardar o patrimônio histórico, nem mesmo a Igreja do Carmo.
•Aliás, as esporádicas rondas da Guarda Municipal e da PM tampouco fiscalizam festas na Praça do Carmo, muito menos a demolição e alteração de prédios tombados e furto de pedras de lioz das calçadas.
•E assim o patrimônio histórico de Belém vai perdendo sua característica e exuberância de outrora.
•Esta semana foi assinada a ordem de serviço da obra de drenagem e pavimentação da travessa Souza Franco, em Icoaraci, dentro do Programa Viva Bairro.
•O prefeito Igor Normando garantiu que em 100 dias a obra estará concluída. Não foi revelado o valor do investimento.
•Não mudou absolutamente nada: as sub-prefeituras de Icoaraci, Outeiro e Mosqueiro seguem como peças decorativas no organograma da Prefeitura de Belém, servindo apenas de cabide de empregos para obreiros da campanha eleitoral.
•Lula e o PT apostaram uma pazada de fichas nessa "bondade" para amolecer o coração da classe média baixa, mas parece que a estratégia não deu certo.
•Através da tal dosimetria, o ex-presidente Jair Bolsonaro pode migrar para o regime semiaberto em cerca de um ano e meio, diz o deputado Paulinho da Força, relator do projeto.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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