Iniciativas em Abaetetuba e Novo Repartimento transformam escolas em espaços de conexão entre gerações e de soluções ambientais
Belém, PA - No Pará, dois projetos desenvolvidos dentro de escolas públicas mostram como a educação pode assumir diferentes caminhos para gerar transformação social. As iniciativas, lideradas pelas professoras Marleude dos Santos Nascimento Miranda, em Novo Repartimento, e Gina Manuelle Carneiro Cardoso, em Abaetetuba, estão entre as vencedoras do Global Goals Educa, programa nacional que capacita educadores para desenvolver ações alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU).
Realizado pela NTICS Projetos e com patrocínio da Áster, o programa já formou mais de 32 mil professores em todo o país desde 2024, estimulando a criação de soluções a partir de desafios reais vivenciados nas escolas. Ao todo, dez professores de diferentes regiões foram premiados, com iniciativas selecionadas nos estados da Bahia, Paraíba, Sergipe, Pará, São Paulo, Mato Grosso e Alagoas.
No estado, os projetos premiados evidenciam diferentes formas de atuação dentro da escola, que vão desde a valorização da cultura e da memória até ações concretas de preservação ambiental e geração de renda. “Os projetos mostram como o território pode orientar caminhos distintos de aprendizagem. Em um caso, a transformação vem pela escuta e pela valorização das histórias locais; no outro, pela ação prática e pela construção de soluções ambientais. Em comum, está o protagonismo dos alunos e o impacto direto na comunidade”, revela Ana Xavier, CEO da NTICS Projetos.
Entre gerações: alunos transformam aprendizado ao dar voz à terceira idade
Em Novo Repartimento, na escola Escola Municipal Santa Ana, o projeto “Terceira Idade: Eu conto, tu contas, eles contam”, desenvolvido pela professora Marleude, aproximou alunos do ensino fundamental a idosos da comunidade, promovendo encontros baseados na escuta, na troca de experiências e na valorização da memória local. A proposta partiu da percepção de que muitos idosos viviam em situação de isolamento e com pouca interação social. A partir disso, os estudantes passaram a realizar visitas, entrevistas e momentos de convivência, criando um espaço de diálogo entre gerações.
Durante os encontros, os alunos ouviram histórias de vida, discutiram temas como mudanças sociais, cultura e cotidiano da comunidade e transformaram esses relatos em atividades pedagógicas dentro da escola, conectando diferentes disciplinas ao projeto. “O mais marcante foi perceber como os alunos passaram a enxergar os idosos de outra forma. Eles entenderam o valor dessas histórias e começaram a construir uma relação mais próxima e respeitosa com a comunidade”, destaca a professora Marleude.
A iniciativa também mobilizou famílias e moradores, fortalecendo o vínculo entre escola e território e ampliando o papel da educação como ferramenta de inclusão e empatia.
Sustentabilidade e inclusão: projeto transforma óleo usado em sabão ecológico
Já em Abaetetuba, o projeto “Flor de Lótus: óleo sustentável e inclusão”, liderado pela professora Gina Manuelle, trouxe a sustentabilidade como eixo central, ao transformar o descarte de óleo de cozinha em uma oportunidade de aprendizado, geração de renda e inclusão social. Desenvolvida dentro da APAE do município, a iniciativa envolveu jovens e adultos com deficiência intelectual e física em todas as etapas do processo, desde a coleta do óleo até a produção de sabão ecológico.
Além de reduzir o impacto ambiental causado pelo descarte incorreto do material, o projeto também promoveu o desenvolvimento de habilidades práticas, autonomia e trabalho em equipe, ampliando as possibilidades de atuação dos participantes dentro e fora da instituição. A ação incluiu ainda campanhas de conscientização, pesquisas de campo e a criação de um ponto de coleta de óleo, mobilizando a comunidade local e fortalecendo o papel dos alunos como agentes de transformação.
“O projeto mostrou que todos podem participar ativamente da construção de soluções. Os alunos se reconheceram como protagonistas e passaram a atuar com mais confiança e autonomia dentro da comunidade”, destaca a professora Gina.
Educadores foram premiados com experiência em Bonito (MS)
Como reconhecimento, os professores premiados participaram de uma viagem para Bonito (MS), referência em preservação ambiental e ecoturismo, onde puderam vivenciar, na prática, experiências ligadas à sustentabilidade e ampliar o repertório para aplicação em sala de aula. A experiência funcionou como uma extensão dos próprios projetos, conectando teoria e prática em um contexto real e reforçando o papel dos educadores como agentes de transformação em seus territórios.
De acordo com Luiz Piccinin, presidente da Áster, o apoio à iniciativa está diretamente ligado ao papel da sociedade na construção de soluções coletivas. “Nós defendemos a ideia de que a responsabilidade por mudanças sociais, ambientais, econômicas e educacionais não pode ficar restrita aos governos. Começar pelas escolas é um dos caminhos mais efetivos para gerar transformação real”, afirma.
Foto: Acervo pessoal
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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