Fechamento do Dr. Vahia, demissão em massa e contratos milionários expõem a opção política da gestão Igor Normando: menos Estado, mais terceirização - até na saúde animal.
Prefeitura de Belém decidiu ir além. Depois de terceirizar serviços essenciais e esvaziar políticas públicas sensíveis, a gestão do prefeito Igor Normando agora avança sobre um terreno até então preservado: o atendimento veterinário público. O fechamento do Hospital Veterinário Municipal Dr. Vahia, no Tapanã, e a demissão de cerca de 60 profissionais escancararam uma escolha política clara - a privatização também chegou à saúde animal.

O discurso oficial fala em “reorganização”. Os atos administrativos, porém, apontam para outro rumo: desmontar a estrutura pública existente e transferir o atendimento para empresas privadas, financiadas com recursos do município.
O Hospital Dr. Vahia teve suas atividades encerradas no dia 21 de janeiro de 2026. A demissão em massa foi comunicada aos trabalhadores na quinta-feira, 22, por meio de memorando assinado pelo secretário municipal de Saúde, Rômulo Nina. Assistentes administrativos, auxiliares, farmacêutico, cerca de 20 médicos veterinários, técnicos de laboratório e de radiologia tiveram os contratos encerrados de forma sumária.
A prefeitura fez questão de destacar que nenhum servidor efetivo foi desligado - apenas profissionais contratados por processo simplificado. Na prática, isso significa que a espinha dorsal do atendimento veterinário foi descartada, sem plano de transição e sem garantia de reaproveitamento da mão de obra.
Segundo a Agência Belém, o fechamento do hospital integra um pacote de “reestruturação da política de proteção animal”. A gestão afirma que o Dr. Vahia nunca foi, de fato, um hospital, mas apenas um espaço de urgência e emergência, sem leitos, sem internação e sem licenciamento do Conselho Regional de Medicina Veterinária.
O argumento é conhecido: corrige-se um “erro histórico” das gestões anteriores. O remédio aplicado, no entanto, não foi o fortalecimento do serviço público, mas sua substituição.
Enquanto o hospital público fechava as portas, a prefeitura inaugurava o novo Hospital Veterinário Municipal, na avenida José Bonifácio, em São Brás, além de trailers de triagem itinerante e um posto auxiliar na Marquês de Herval. O detalhe central ficou fora da propaganda oficial: as novas unidades não são operadas diretamente pelo município.
O atendimento foi entregue à iniciativa privada, por meio de contrato superior a R$ 13 milhões, firmado com a empresa Novavet Comércio de Medicamentos e Serviços Veterinários, que atua sob o nome fantasia Aysu Hospital Veterinário. Embora a prefeitura afirme que as unidades estão sob a coordenação da Secretaria Municipal de Proteção e Defesa dos Animais, a execução do serviço é privada.
A Novavet não é novata nos corredores do poder. A empresa tornou-se presença recorrente em contratos públicos durante as gestões ligadas ao grupo político que hoje governa Belém e o Pará. Investigações apontam que o contrato municipal foi firmado em tempo recorde - apenas 11 dias após a publicação do edital - e sem licitação.
A mesma empresa executa, desde 2022, o programa Pará Pet, do governo do Estado, por meio da Fundação Pará Paz. O crescimento dos contratos chama atenção: de R$ 100 mil no primeiro ano para valores que ultrapassaram R$ 5,6 milhões em 2023, R$ 6,7 milhões em 2024 e R$ 7 milhões em 2025. Somados, são mais de R$ 19 milhões em quatro anos. Com os R$ 13 milhões da Prefeitura de Belém, a Novavet já movimentou cerca de R$ 32 milhões em recursos públicos desde 2022.
À época em que Igor Normando ocupava a Secretaria Estratégica de Articulação da Cidadania, a coordenação de Assuntos Prioritários - área diretamente vinculada ao programa Pará Pet - estava sob responsabilidade de Ariela Motizuki, hoje chefe de Gabinete do prefeito de Belém.
No discurso, a gestão fala em eficiência. Nos bastidores, o que se vê é continuidade política, concentração de contratos e transferência sistemática de serviços públicos para empresas privadas já integradas ao círculo do poder.
O fechamento do Dr. Vahia provocou reação imediata. O ex-prefeito Edmílson Rodrigues, do Psol, classificou a medida como parte de um plano deliberado de privatização da saúde animal. Para ele, a promessa de prioridade aos animais deu lugar à priorização de contratos milionários com clínicas particulares.
A crítica ecoa fora do campo partidário: o município abre mão de estruturar um hospital público, demite profissionais experientes e passa a pagar caro por um serviço terceirizado, sem debate público, sem transparência e sem garantia de continuidade.
O caso do Hospital Veterinário Dr. Vahia não é isolado. Ele revela uma opção política da gestão Igor Normando: reduzir o papel do Estado e ampliar o espaço do setor privado - mesmo em áreas sensíveis, simbólicas e socialmente valorizadas. Em Belém, nem a saúde animal escapou da lógica da terceirização. O serviço público ficou pelo caminho.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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