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CAJADO OU CAJADADA?

Prefeita de Marituba vira alvo de ataques nas redes sociais após nova enchente

Chuvas expõem desgaste da gestão e ampliam críticas após promessa de prioridade à cidade.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 06/04/26 08:30

Em meio à chuvarada de ontem, moradores interditaram a BR-316, no centro de Marituba, aumentando a pressão sobre o Executivo/Fotos: Divulgação.


A


nova chuva forte que voltou a alagar ruas e invadir casas em Marituba reacendeu a revolta de moradores e ampliou o desgaste da prefeita Patrícia Alencar nas redes sociais. Não se trata de um episódio isolado: muitas das famílias atingidas agora já haviam sido desalojadas no último dia 20 de março - algumas, inclusive, levadas para áreas indicadas pela própria prefeitura.

O resultado foi imediato. Vídeos, fotos e relatos se multiplicaram, com críticas diretas à gestão municipal, acusada de improviso e ausência de solução estrutural para um problema crônico da cidade: a drenagem urbana.

Começo do fim

O cenário adverso não começou com as chuvas recentes. Nos últimos meses, a gestão foi atingida por uma operação da Polícia Federal que teve como desdobramento a prisão da vice-prefeita Bárbara Marques, investigada por supostos desvios de recursos do Fundeb. O caso, de alta repercussão, atingiu diretamente o núcleo político da administração e alterou o ambiente local.

A crise teve efeitos visíveis. Eventos promovidos pela prefeitura, antes marcados por forte apelo popular, passaram a registrar esvaziamento. Ao mesmo tempo, a pressão nas redes sociais se intensificou, embaralhando a estratégia de comunicação da prefeita.

Foi nesse contexto que Patrícia Alencar anunciou a desistência da candidatura à Câmara Federal, decisão apresentada como escolha por Marituba diante de “pressões políticas e pessoais”. A narrativa, no entanto, passou a ser confrontada pela sequência dos fatos - sobretudo diante da persistência dos problemas urbanos.

Sob pressão

Diante do primeiro episódio de alagamentos, a prefeita reagiu no campo simbólico. Em postagem nas redes, evocou uma expressão comum no meio evangélico: “Deus nos deu um cajado”, numa tentativa de reafirmar que sua decisão recente teria sido guiada por propósito, não por recuo.

A fala, porém, caiu em terreno já encharcado de insatisfação. Para parte dos internautas, soou como desconexão com a realidade imediata de quem voltou a perder móveis, documentos e tranquilidade. A crítica não ficou restrita ao campo político e ganhou contornos de ironia.

Ao fim e ao cabo, o “cajado” - símbolo de liderança e condução - virou metáfora em disputa. Para uns, sinal de resistência; para outros, uma “cajadada” fora de tempo, diante de uma população que cobra menos discurso e mais resposta.


Papo Reto

•A ex-primeira-dama de Mãe do Rio Carol Resque (foto) não está de brincadeira. Ao ser cotada para atuar na campanha da governadora Hana Ghassan por recomendação da ex-primeira dama Daniela Barbalho, já tinha dado um passo adiante. Será candidata a deputada federal pelo PSB.  

•Detalhe: as composições partidárias do partido, que está na base aliada do governo, montadas para a disputa de cadeiras na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal passam pelo crivo de Helder Barbalho e Hana Ghassan.

•Elieth Braga deixa o comando da Secretaria de Articulação da Cidadania para disputar cadeira na Câmara Federal, também pelo PSB.

•Elieth Braga é advogada, auditora fiscal de Carreira, ex-prefeita de Mocajuba, ex-secretária de Educação e de Administração. A nova secretária de Cidadania é Marilda Braga, irmã de Elieth.

•Apesar da promessa de cumprir o mandato até o final, o governador do Amazonas, Wilson Lima, do União Brasil, renunciou ao cargo, junto com o vice Tadeu de Souza, do Avante, a duas horas do fechamento do prazo.

•Com a renúncias, o presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas, deputado Roberto Cidade, também do União Brasil, assumiu o comando do Executivo. 

•Na última pesquisa do Brasil em Mapas, Wilson Lima recebeu a pior aprovação entre a população, e não passou dos 25%. 

•Ainda sobre a aprovação dos governadores dos estados brasileiros, o melhor avaliado é Ronaldo Caiado, de Goiás, com 80% de aprovação. 

•Pela ordem, as melhores aprovações são: Rafael Fonteles, do Piauí, com 69%; Helder Barbalho, do Pará, com 66%; Mauro Mendes, do Mato Grosso, com 65%; e Ratinho Jr., do Paraná, com 63%.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.