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Meio ambiente

Pnuma: emissões precisam cair 18% até 2030 para limitar aquecimento

Projeção consta de relatório do Programa da ONU para Meio Ambiente

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  • Da Redação | Com a Agência Brasil
  • 03/11/26 08:00
Pnuma: emissões precisam cair 18% até 2030 para limitar aquecimento

Brasília, DF - Ainda é possível limitar o aquecimento global entre 1,7 graus Celsius (°C) e 1,8°C e retornar ao limite de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais até 2100, se as emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) forem reduzidas em 18% até 2030; em 45% até 2035 e em 69% até 2040, na comparação com os níveis de 2025.


Na prática, é necessário um esforço global capaz de alcançar uma redução média de 5,7% ao ano, de 2025 até 2035. A projeção está no novo Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2026: O Ponto de Retorno, lançado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).


O documento aponta a necessidade de esforços muito acima dos compromissos assumidos nas novas gerações de Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), mas também traz evidências de que retornar a um limite de aquecimento global de 1,5°C ou menos é possível.


"Ultrapassar a meta não significa desistir. Ainda podemos mantê-la o mais pequena e curta possível - e trazer as temperaturas de volta para menos de 1,5 graus até o final do século", avalia o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.


A necessidade de manter o aquecimento global controlado foi evidenciado no estudo anterior Limitar a Ultrapassagem - Lidar com a Ultrapassagem de 1,5 °C e Caminhos para o Retorno, que mostrou os efeitos no planeta do pico de aquecimento e a subsequente queda de temperatura.


Quanto maior a temperatura e mais longa a duração, maiores são os impactos como:


- aumento do nível do mar,

- colapso de ecossistemas como os recifes de coral,

- ondas de calor e incêndios florestais, e

- alterações profundas na criosfera, que inclui calotas polares, gelo marinho, geleiras, solo congelado e neve.


Com a trajetória atual mantida, o aquecimento global poderá atingir 2,8°C neste século. Caso as NDCs sejam plenamente cumpridas e a restauração de biomas seja capaz de neutralizar as emissões globais até 2050, ainda assim, o aquecimento global chegaria a 2,1°C neste século.


Um exemplo do que poderá ocorrer como consequência desse aquecimento é o derretimento de um quarto das geleiras do planeta, com a elevação do nível do mar em até 12,5 centímetros (cm).


Na prática, isso afetaria de forma permanente a disponibilidade de água potável em várias localidades do mundo.


Políticas que funcionam


Para cessar essa trajetória, o relatório de emissões traz a análise de mais de 220 avaliações de políticas adotadas pelo mundo e os resultados apontam números positivos, apesar da concentração dessas iniciativas em poucos países, setores e por períodos específicos.


De acordo com o estudo, as políticas no setor elétrico foram capazes de reduzir as emissões em uma média de 9%. Já instrumentos econômicos, como impostos sobre carbono e comércio de captação, foram capazes de diminuir as emissões entre 5% e 13%.


A diretora executiva do Pnuma, Inger Andersen, os casos de sucesso são muitos, variados e demonstram que as emissões podem ser reduzidas rapidamente.


“Agora cabe às nações implementar urgentemente políticas que promovam reduções de emissões rápidas, profundas e sustentáveis, e que coloquem o mundo no caminho certo para um clima mais estável e para economias e sociedades mais estáveis”, reforça.


Foto: Divulgação

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.