Dados do MEC mostram Estado entre os piores índices do País e reacendem debate sobre políticas públicas na educação
Pará voltou a ficar abaixo da meta de alfabetização na idade certa e se mantém entre os Estados com pior desempenho do País. Dados divulgados pelo Ministério da Educação mostram que apenas 48,2% das crianças paraenses estavam alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental em 2024 - índice bem distante do esperado.

O resultado coloca o Estado no grupo de seis unidades da federação que não atingiram os objetivos do Indicador Criança Alfabetizada, ao lado de Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Amazonas e Rio Grande do Norte. No cenário nacional, o desempenho médio foi de 66%, acima da meta de 64%.
Criado dentro do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, o indicador mede o percentual de alunos que atingem o padrão mínimo definido pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, a partir de avaliações aplicadas pelas redes estaduais.
No Pará, a dificuldade não é pontual. Em 2023, o Estado também ficou abaixo da meta, atingindo índice inferior ao projetado. A recorrência do resultado reforça a percepção de um problema estrutural na alfabetização básica, justamente na fase mais sensível da formação escolar.
Outro dado amplia o contraste. Enquanto 122 municípios brasileiros já conseguiram alfabetizar 100% das crianças na idade adequada - a maioria no Nordeste -, nenhum município da Região Norte aparece nesse grupo.
Dentro do próprio Estado, porém, há diferenças. Enquanto Belém segue com desempenho irregular, Benevides, na Região Metropolitana, alcançou 76% de crianças alfabetizadas, superando metas projetadas e figurando em nível mais elevado de desempenho. O dado evidencia que resultados melhores são possíveis, ainda que de forma localizada.
O governo estadual afirma que busca reverter o quadro por meio do programa Alfabetiza Pará, baseado na cooperação com os municípios e no reforço do ensino nos anos iniciais. A meta nacional é alcançar 80% de crianças alfabetizadas até 2030.
Do lado dos professores, a leitura é mais dura. O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará aponta que a política educacional dos últimos anos priorizou contratações temporárias em detrimento de concursos públicos, o que teria impactado diretamente a qualidade do ensino.
A entidade também questiona a condução de programas e metas, afirmando que houve desvalorização profissional e fragilização da estrutura educacional. Entre as críticas, está ainda a promessa de bônus vinculados a resultados do IDEB que, segundo o sindicato, não teriam sido pagos.
O governo, por sua vez, sustenta que houve avanço no ensino médio, citando melhora no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica em 2023, atribuída a investimentos e mudanças na gestão. A versão é contestada por professores, que veem distorções nos indicadores.
No fim, os números da alfabetização - menos sujeitos a interpretações -recolocam o debate no ponto central: a base do ensino. E é justamente nela que o Pará segue devendo.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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