BRT Metropolitano trouxe avanços pontuais, mas ausência de planejamento metropolitano, fiscalização efetiva e gestão viária alimentam caos.
elém convive há décadas com um problema estrutural de mobilidade urbana. Trocam-se governos, mudam os discursos, mas os congestionamentos permanecem. A explicação é conhecida: crescimento acelerado da frota, deficiência histórica de entradas e saídas do centro urbano e, sobretudo, ausência de planejamento integrado entre os municípios da Região Metropolitana.

O BRT Metropolitano ajudou, mas não resolveu. E não resolveria: mobilidade urbana não se resolve com uma obra isolada, mas com um conjunto contínuo de ações técnicas, operacionais e urbanísticas.
Na prática, o BRT funciona dentro de limites claros. O desempenho melhora até Ananindeua, mas, a partir do antigo posto da PRF, na divisa com Marituba - hoje cruzamento com a Independência -, o sistema perde eficiência e o trânsito volta ao padrão caótico.
O problema não está apenas no corredor exclusivo, mas no entorno urbano que o alimenta. Gargalos, acessos desorganizados e vias secundárias precárias neutralizam parte dos ganhos obtidos com a obra.
Marituba pouco contribui para reduzir o caos. Vias internas mal pavimentadas - e rapidamente deterioradas - criam gargalos que despejam veículos diretamente na BR, com reflexos que atingem a Alça Viária que, por sua vez, é entrada e saída de veículos pesados trafegando sem restrições de horário. É o caos sobre muitas rodas e muito peso.
Ananindeua enfrenta outro problema recorrente: falta de disciplina no estacionamento e nos acessos às vias dependentes da rodovia. O resultado é perda de fluidez e aumento de conflitos no tráfego.
A mobilidade metropolitana esbarra em um erro básico: os municípios não conversam entre si. Cada gestão age como se o trânsito respeitasse limites administrativos - e não respeita. Sem coordenação, Belém e região metropolitana seguem reféns de si mesmas. A população não percebe vantagens concretas nas obras realizadas porque simplesmente não consegue andar.
Não existe mobilidade sem fiscalização. E hoje ela é insuficiente. O Pará conta com cerca de 380 agentes de trânsito. Para efeito de comparação, o Paraná dispõe de aproximadamente 6 mil policiais de trânsito, para uma malha viária pouco mais que o dobro. É inviável imaginar controle eficiente apenas com presença física.
A engenharia moderna aponta outro caminho: fiscalização eletrônica e videomonitoramento contínuos, imparciais e abrangentes. O agente não é descartado. Nesse contexto, a instalação de radares e câmeras na faixa exclusiva do BRT não seria medida arrecadatória, mas engenharia de tráfego aplicada comum nas grandes cidades, onde corredores exclusivos funcionam. Os excessos isolados da fiscalização, onde deveria haver estratégia, técnica e educação, são outros quinhentos.
A frota de veículos no Pará cresce cerca de 5% ao ano. Só Belém já ultrapassa 600 mil veículos registrados. Enquanto isso, poucas vias foram abertas ou ampliadas. A infraestrutura não acompanhou o crescimento - o desequilíbrio é estrutural e permanente, e estacionamento, tema evitado -, mas é consenso técnico: não há mobilidade urbana sem gestão do estacionamento público.
A medida é cobrar pelo uso da via, que organiza o espaço, aumenta a rotatividade, reduz ocupações prolongadas e melhora a fluidez do tráfego. Trata-se de prática consolidada no mundo, mas ainda tratada como tabu local. Afinal, tráfego pesado exige solução real.
A circulação de veículos pesados já foi restrita no passado. Hoje, não é. Mas proibir, por si só, não resolve, pois há perguntas sem respostas: onde esses caminhões irão parar? Onde ocorrerá o transbordo de cargas? Onde o motorista poderá descansar?
Sem pátios logísticos, áreas de apoio e participação do setor privado, a proibição vira apenas transferência de problema e aumenta a insegurança viária.
O transporte urbano também sente o impacto dos aplicativos: cerca de 15 mil motociclistas atuam diariamente, realizando até 25 viagens por dia, retirando cerca de 30% dos passageiros do transporte coletivo; carros de aplicativo retiraram mais 15%. O sistema perdeu demanda, receita e equilíbrio, refletindo diretamente na qualidade do serviço.
O fato é que mobilidade urbana não se resolve com discurso nem com soluções fáceis. Belém precisa de menos retórica e mais ação técnica, integração metropolitana real, fiscalização eficiente, tecnologia e planejamento urbano contínuo. Houve avanços, mas o desafio permanece. Sem decisões impopulares - porém necessárias -, o engarrafamento seguirá sendo a política pública mais constante da cidade.

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Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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