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Mapa da obesidade aponta que o Pará se mantém em situação alarmante

Alimentação, sedentarismo e falhas de políticas públicas estão entre as causas; veja onde há mais gordos e mais magros no Estado.

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 02/03/26 11:00
Mapa da obesidade aponta que o Pará se mantém em situação alarmante
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Pará apresenta índices preocupantes no mapa da obesidade, situando-se como um dos Estados com números expressivos de excesso de peso na Região Norte. O diagnóstico mais recente mostra que cerca de 37,5% dos adultos no Pará apresentavam excesso de peso, com 25,9% diagnosticados com obesidade.

 

Diagnóstico mostra que cerca de 37,5% dos adultos no Pará apresentam excesso de peso, com 25,9% com obesidade/Foto: O Globo.

Os dados fazem parte da edição mais recente da pesquisa Vigitel - levantamento anual conduzido pelo Ministério da Saúde. Considerando o sobrepeso, quando o índice de massa corporal (IMC) ultrapassa 25 kg/m², a alta foi de 46,9%, e o quadro agora acomete a maioria dos brasileiros (62,6%).

De acordo com o Estudo, a prevalência da obesidade no Brasil saltou 118% no Brasil de 2006 a 2024, chegando a uma proporção de 1 a cada 4 adultos no País (25,7%). No Pará, Belém apresentou índice de 35,12% de obesidade entre a população. A maior incidência - 22,67% - está entre pessoas dos 30 aos 34,9 anos de idade.


A situação no Brasil

Em todo o País, a alta nos casos de obesidade foi mais acentuada entre pessoas de 25 a 34 anos, mulheres e indivíduos com ensino médio completo e superior incompleto. Os números colocam o Brasil em um cenário acima da média global. Segundo dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 16% dos adultos têm obesidade no planeta, e 43% têm sobrepeso.

De acordo com atendimentos na atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS), 36,3% dos brasileiros adultos atendidos no ano passado tinham obesidade, e 70,9% estavam acima do peso. Dentre os Estados, o Rio Grande do Sul lidera o ranking, com 42% dos adultos com obesidade, seguido por Rio de Janeiro, com 40,6%. Na outra ponta, estão Maranhão, com um percentual de 26,8%; e Piauí, com 29,5%.

Mesa com distorções

A mesma pesquisa mostra que o número de brasileiros que comem feijão pelo menos cinco vezes na semana caiu de 66,8%, em 2007, para 56,4% em 2024. Além disso, mais de 1 a cada 4 (25,5%) relatam ingerir cinco ou mais grupos de alimentos ultraprocessados por dia, e apenas 21% consomem o recomendado de frutas e hortaliças.

Já um estudo do Nupens mostrou que o fator mais determinante para um maior consumo de ultraprocessados é a renda, com municípios mais ricos e com mais pessoas com remuneração acima de cinco salários mínimos tendo um consumo maior. Em Florianópolis, Santa Catarina, por exemplo, chega a 30,5%, enquanto em Aroeiras do Itaim, Piauí, é de 5,7%.

Paralelamente, segundo a Vigitel, menos da metade (42,3%) faz atividade física na hora do lazer, e menos de 12% se exercitam no deslocamento para o trabalho ou para a escola. Para Neuton Dornelas, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a obesidade não é uma doença de fácil manejo justamente por suas múltiplas causas:

“Consumo de ultraprocessados, inatividade física, tudo que comentamos sempre sobre o estilo de vida moderno tem se demonstrado os motores desse crescimento. Tivemos uma pequena melhora da atividade física no lazer na Vigitel, mas todo o restante mostra que as políticas públicas e a condução da prevenção da obesidade têm sido falhas e infelizmente não vão conseguir conter essa crise. Ao longo do tempo vemos apenas crescer o percentual da obesidade.”

Solução está no coletivo

Os especialistas defendem que medidas para reverter esse cenário não podem ser somente individuais, mas sim estruturais. Para Maria, do Nupens, é importante haver um maior esforço do poder público para promover alimentos saudáveis, por exemplo, e desestimular o consumo de ultraprocessados.

“Regular de forma mais firme a publicidade, a rotulagem e a oferta de ultraprocessados, especialmente em ambientes escolares. Medidas econômicas são parte central dessa agenda. A recente aprovação da taxação de refrigerantes pelo Congresso Nacional vai nessa direção, sobretudo diante do aumento do consumo de bebidas açucaradas observado pelo Vigitel. A experiência internacional mostra que impostos desse tipo reduzem o consumo e desestimulam a presença cotidiana desses produtos na dieta.”

Sobre a cirurgia bariátrica, Dornelas, da SBEM, afirma que ela ainda tem e continuará a ter seu papel no tratamento da obesidade, porém é reservada hoje para casos mais severos. A operação pode ser acessada pelo SUS, mas há filas longas devido ao alto número de pacientes e a escassez de serviços públicos especializados para realizar a cirurgia.

Papo Reto

Convenhamos: a parte da mídia que torce pelo Clube do Remo não mediu esforços para derrubar o técnico Juan Carlos Osório (foto) mesmo antes da derrota de ontem para Paysandu. Afinal, sempre foi mais fácil lidar com treinadores brasileiros, mais sujeitos a bajulações. 

•Na madrugada desta segunda-feira, 2, trabalhadores das empresas de ônibus Monte Cristo e Canadá fizeram a primeira paralisação do ano, suspendendo as atividades desde as 4 horas da madrugada.

Os ônibus das linhas que permaneceram parados nas garagens são CDP Providência, Sacramenta-São Brás, Sacramenta-Humaitá, Sacramenta-Bernardo Couto, Pedreira-Nazaré, Pedreira-Lomas A, Alcindo Cacela, Domingos Marreiros e Pedreira-Lomas A (micro).

•A paralisação é em razão ao atraso do salário do mês de fevereiro, além do ticket alimentação de janeiro e fevereiro, e pendências nas férias. O Sindicato dos Rodoviários esteve presente prestando total apoio aos trabalhadores.

Para surpresa de "0 em cada 10" observadores, o MST publicou rapidinho nota em defesa do Irã, condenando os ataques dos EUA e Israel a alvos militares.

•As manifestações da direita, ontem, no ato "Acorda Brasil", em São Paulo e diversas capitais, registraram multidões gritando "fora Lula, fora Moraes, fora Toffoli!”.

Aliás, a manifestação da avenida Paulista, em São Paulo, revigorou a tradição dos bonecos infláveis, os "pixulecos", marca dos protestos que pediam o impeachment de Dilma Rousseff há dez anos.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.