Sem planejamento depois do evento, imposição para atracação exclusiva eleva custos operacionais e deixa Belém literalmente a ver navios.
presentado como um dos principais legados estruturais da COP30 para Belém, o Porto de Outeiro - que voltou a operar para receber dois navios transatlânticos usados como hospedagem de alto padrão durante o evento climático, em novembro - ainda não foi incorporado a uma estratégia estruturada de recepção futura de cruzeiros internacionais por parte da Prefeitura de Belém, governo do Pará e governo federal.

Na prática, o que se observa desde o encerramento da conferência é um vácuo de planejamento institucional. E, agora, uma medida da Companhia Docas do Pará (CDP) pode agravar o cenário: a intenção de obrigar que todos os navios de cruzeiro, indistintamente, atraquem exclusivamente no Porto de Outeiro ainda nesta temporada.
O problema é que essa medida afeta diretamente o planejamento logístico e financeiro de cruzeiros internacionais, que é feito com até dois anos de antecedência em negociação direta entre armadores e agentes portuários. Nesse processo, são definidos previamente todos os custos operacionais da viagem, incluindo taxas portuárias, logística de embarque e desembarque e serviços de reabastecimento.
Até então, os navios que incluíam Belém em seus roteiros trabalhavam com três possibilidades técnicas: as embarcações de pequeno porte podiam atracar diretamente no Porto de Belém, uma alternativa hoje praticamente inviável, após a construção do Hotel Vila Galé e a ocupação do restante do porto alfandegado por embarcações ligadas à prospecção de petróleo no Amapá.
A outra opção, para navios de médio porte, é fundear em frente à Estação das Docas, desde que seja em maré alta. Já os grandes transatlânticos só conseguiam fundear à altura de Icoaraci. Foi com base nessas condições que os custos foram previamente levantados e aprovados pelas companhias.
Com a utilização do Porto de Outeiro durante a COP30, no entanto, a CDP passou a exigir que todos os cruzeiros utilizem exclusivamente o terminal da ilha. Embora não haja oposição das companhias quanto à estrutura em si, a mudança impõe custos adicionais de operação e logística que não foram cotados anteriormente e, por isso, não podem mais ser absorvidos pelas empresas.
O impacto já começou a ser sentido. Um navio que tinha escala prevista para Belém em fevereiro optou por cancelar a parada e seguir diretamente para Fortaleza, após não obter autorização para fundear em Icoaraci como inicialmente planejado. O motivo: a obrigatoriedade de atracação em Outeiro com pagamento de custos extras não previstos em contrato.
O mesmo ocorreu com o cruzeiro “MS Splendours”, que chegaria no último dia 4 de março. O navio alterou sua rota para Fortaleza, de onde seguiu direto para o Caribe, causando graves prejuízos ao turismo, com o cancelamento de mais de 650 passeios já contratados por um operador de turismo em Belém.
A verdade é que - com o perdão do trocadilho -, ao se verem a ver navios - dois transatlânticos, para ser exato -, empresários da área de turismo receptivo, transportes, guias, associação de transportes fluviais e museus foram prejudicados em Belém. O setor diz não se sentir representado pelo Estado e aponta a Secretaria de Turismo como “inoperante”.
Segundo um operador, o prejuízo é de mais de R$ 200 mil, fora os prejuízos de outros passageiros que embarcariam na capital paraense.
“Estamos virando apenas o ponto de divulgação para Fortaleza, que de fato está recebendo os turistas”, alerta um operador.
Além das tarifas consideradas elevadas, companhias também têm relatado deficiência na infraestrutura local para serviços essenciais como reabastecimento de combustível e água potável, o que compromete ainda mais a competitividade do destino frente a outros portos da região. No setor, a avaliação é de que decisões unilaterais, sem articulação prévia com agentes marítimos e operadores internacionais, comprometem não apenas a atual temporada, mas também a presença futura da capital paraense no circuito global de cruzeiros.
Com isso, o prejuízo é grande. Uma vez retirada da rota, a cidade dificilmente volta a ser incluída no planejamento das companhias, o que implica perda direta de fluxo turístico, geração de renda, visibilidade e projeção internacional.
Reativado com R$ 233 milhões em investimentos federais, viabilizados por meio da Itaipu Binacional, o Terminal Portuário de Outeiro foi completamente modernizado para receber os dois navios de cruzeiro que funcionaram como hotéis flutuantes durante a COP30, acrescentando cerca de 6 mil leitos à rede de hospedagem da capital durante o evento climático realizado em novembro.
Entregue às vésperas da conferência com a promessa de integrar Belém de forma permanente às rotas de turismo marítimo internacional após a operação, o equipamento foi alçado à condição de vitrine logística da cidade.
O problema agora é que, sem uma política clara de continuidade e articulação com o mercado de cruzeiros no pós-evento, o que se anunciava como legado estruturante corre agora o risco de se transformar em um entrave que, em vez de atrair, afasta o fluxo internacional que passou por Belém durante a COP30.
O problema agora é que, sem uma política clara de continuidade e articulação com o mercado de cruzeiros no pós-evento, o que se

•O que se diz é que o prefeito de Ananindeua, Daniel Santos (foto), bateu o martelo: deixará o PSB para se filiar ao partido Novo, apadrinhado pelo deputado federal Marcel van Hattem. Esta seria a condição dos apoiadores da direita para participar da campanha do prefeito.
•Segundo fontes da coluna, num cenário polarizado como nunca, Daniel sabe que precisa acender vela para três santos: o da direita, o da esquerda e o dele mesmo - por isso a deputada federal Alessandra Haber deixará o MDB, pelo qual se elegeu, pelo PSB.
•Com isso, acrescente a fonte, “Daniel simula ter tomado lado, mas a verdade é que, tendo nas mãos um partido de esquerda e outro de direita, segue em cima do muro, tentando convencer eleitores dos dois lados”.
•Todas as vezes que a Igreja do Evangelho Quadrangular indicou candidato a prefeito ou vice-prefeito de Belém foi derrotada e ficou bem distante de passar para o segundo turno.
•Em 2004 a Igreja indicou o pastor e deputado estadual Martinho Carmona, que ficou em 4º lugar, com 4,48% dos votos (32.608 votos).
•Em 2008, indicou o pastor e deputado federal Josué Bengtson para vice-prefeito na chapa do então candidato Zenaldo Coutinho, do PSDB. Ficou em 4º, com 13,34% dos votos, 96.954 votos.
•Em 2020, a Quadrangular indicou a pastora Patrícia Queiroz a vice-prefeita do candidato a José Priante, do MDB. A chapa ficou em 3º lugar, com 17,3% dos 123.000 votos.
•A estratégia de usar liderança evangélica - especialmente da Quadrangular, que tem forte presença no Pará - para captar o “voto evangélico” em Belém não tem funcionado nas disputas majoritárias.
•As chapas ficam estagnadas em faixas baixas-médias de votação e não conseguem romper para o segundo turno. Isso reforça a ideia de que, pelo menos nesse contexto local, política e religião nem sempre combinam de forma eficaz para vitória eleitoral.
•O voto evangélico é heterogêneo, fragmentado entre várias denominações e influenciado por outros fatores - economia, imagem do candidato, alianças partidárias.
• Quer saber? O vice será do PT. Saudações.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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