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MENINOS E LOBOS

Indignação seletiva: quando "zoar" vira escândalo e estupro continua na gaveta

Belém está vivendo mais um daqueles episódios que expõem, sem maquiagem, o tipo de sociedade que a gente se tornou.

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  • Redação | Voz do Leitor
  • 17/04/26 11:00
Indignação seletiva: quando
A


coluna recebeu e publica manifestação de leitor sobre o caso dos estudantes que agrediram um homem em situação de rua em Belém:

Leitor que prefere não se identificar questiona dois episódios de violência que causaram grande comoção em Belém/Fotos: Arquivo.

De um lado, o caso recente envolvendo estudantes ligados à Cesupa, na Alcindo Cacela. Um jovem em situação de rua, praticamente invisível, virou alvo de uma “brincadeira” cruel: foi filmado enquanto levava choques com um dispositivo tipo taser.

A cena é revoltante? É. É humilhante? Sem dúvida. Tem que ter consequência? Claro que tem.

Mas, vamos falar sério: não houve intenção de matar. Não houve tentativa de homicídio. O que se vê ali é o retrato de uma juventude imatura, sem limite, que resolveu “zoar” alguém vulnerável, o que é grave, mas não é o ápice da barbárie penal.

Mesmo assim, a reação veio pesada: pressão pública, manifestações, exigência de punição imediata e a faculdade anunciou expulsão. E aí entra a pergunta que ninguém quer fazer: expulsão com base em quê, exatamente?

O fato aconteceu fora da instituição. Não há, em tese, vínculo direto com a atividade acadêmica. Estamos diante de uma punição jurídica ou de uma resposta para acalmar a internet?

Porque, goste ou não, estamos falando de direito à educação sendo cortado. E isso não é detalhe. Agora, viremos o jogo: cadê essa mesma indignação no caso do ex-deputado Luiz Afonso Sefer - um homem condenado por abusar sexualmente de uma criança, dentro da própria casa, por anos.

Aqui não é “zoação”. Aqui não é “imaturidade”. Aqui é crime brutal, continuado, com marca permanente na vida da vítima.

E o que a gente vê? Silêncio. Pouca mobilização. Nenhuma pressão proporcional. Não tem multidão exigindo resposta. Não tem comoção diária. Não tem cobrança na mesma intensidade.

E isso diz muito, porque quando são jovens comuns, sem sobrenome forte, a resposta vem rápida, exemplar, quase pedagógica. Quando envolve poder, dinheiro e influência, o sistema desacelera. A sociedade também.

Fica aquela sensação incômoda: tem gente que pode errar e pagar e tem gente que pode cometer atrocidades e ainda negociar o tempo.

Isso não é defesa dos estudantes. O que fizeram é feio, é errado e precisa de responsabilização. Mas responsabilizar não é destruir. E, principalmente, não pode ser mais duro com quem comete menos e mais leve com quem comete o pior.

A pergunta é simples e desconfortável:  a gente quer justiça ou só quer escolher quem vai ser o próximo a pagar a conta?  Porque, do jeito que está, não é justiça: é conveniência.

Papo Reto

 •O Ministério da Saúde começou em março o teleatendimento em saúde mental pelo SUS, com foco em jogos de apostas, direcionado a pessoas com 18 anos ou mais que apresentam compulsão por jogos, além de familiares e rede de apoio. 

•O serviço - parceria com o Hospital Sírio-Libanês - é gratuito e confidencial e presta assistência especializada a pessoas com compulsão pelas bets.

A expectativa inicial é de 600 atendimentos por mês, mas a ideia é chegar a 100 mil atendimentos. As consultas duram em média 45 minutos e podem incluir até 13 consultas por paciente, em grupo com sua rede de apoio ou individualmente. 

•O atendimento é por meio do número 136, via formulário, WhatsApp ou chatbot no site do Ministério da Saúde. As informações seguem as normas da Lei Geral de Proteção de Dados.

A diretoria da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB) promove assembleia geral ordinária, neste domingo, 19, na sede campestre, na Br-316, Km 7 para analisar e aprovar a prestação de contas 2025. 

•O professor e jornalista Raimundo Castro ingressou com reclamação, ontem, junto à Corregedoria do Iasep, alegando ter passado mais de uma hora em um hospital particular em Belém enquanto o sistema do Instituto esteve “fora do ar”, interrompendo o atendimento.

Parece não ter funcionado os "conselhos" de Lula a um ministro do STF. Tanto que o presidente, ontem, tentava descolar sua imagem do caso Master falando cobras e lagartos da Corte.

•Ninguém estranhe se até a eleição Lula acusar o próprio PT de ser o problema do Brasil.

•Já há quem aposte que o maior sonho de consumo do PT pode não ser a reeleição do presidente Lula, mas a eleição de José Dirceu para deputado, com votação explosiva, em São Paulo.

•Essas pessoas podem ter razão, a julgar pelo aparato logístico montado a partir da nomeação de Guilherme Boulos para ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República.

Arrumar votos para Dirceu - que sonha ser presidente da Câmara, não importa o preço -, parece que virou lei dentro dos movimentos sociais paulistas. 

Mais matérias OLAVO DUTRA

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.