Árvore símbolo vira palco de cancelamento virtual e expõe o ambientalismo performático no arquipélago
o Marajó, até árvore virou vítima de guerra narrativa. Não por desmatamento, grilagem ou motosserra - mas por selfie, cancelamento virtual e ambientalismo de ocasião.

A protagonista é uma morcegueira, árvore emblemática localizada na Fazenda Bom Jesus, em Soure. Ícone fotogênico dos campos marajoaras, já estrelou campanhas, casamentos e declarações públicas de amor à natureza. Amor esse que, ao que tudo indica, dura o tempo de um post.
Nas últimas semanas, a instalação de tapumes ao redor da árvore provocou reação imediata nas redes e em blogs apressados. Acusaram os proprietários de “mesquinharia”, “privatização da natureza” e até de impedir o acesso de comunidades locais. A narrativa viralizou; a apuração, não.
O que ficou fora do enquadramento das lentes foi a realidade menos glamourosa: tentativas de incêndio, lixo acumulado diariamente, restos de comida, latas, garrafas, fezes humanas e animais silvestres mortos ao longo da estrada que corta a propriedade.
O tapume não foi erguido para afastar pessoas, mas para chamar atenção para a degradação causada justamente por quem diz amar a natureza. O contraste é cruel: quem posa como defensor do meio ambiente é, muitas vezes, quem o agride.
Há registros de invasão de área privada - fato ignorado pelos justiceiros digitais - e de vandalismo reiterado. Amor à natureza que urina, depreda e incendeia não é amor: é descaso.
Pouco se falou que a Fazenda Bom Jesus mantém, há anos, parceria com o Ibama, servindo como refúgio para animais silvestres em recuperação. Que atua na proteção de manguezais. Que permite, por acordo, o trânsito de comunidades locais por sua área privada. Preservação real não viraliza.
A nota dos proprietários é clara: não há pedágio, não há bloqueio de acesso, não há proibição de fotos. Há, sim, uma tentativa de reagir a ataques, mentiras e à degradação contínua de um bioma sensível.
O episódio revela algo maior: o Marajó está sendo consumido por um turismo predatório, embalado por discursos bonitos e práticas irresponsáveis. A pergunta que fica é: quem aponta o dedo, aponta para quem? Para quem preserva há décadas - ou para quem destrói em nome de likes?
Resumo da ópera: no Marajó, como em qualquer lugar, a natureza não precisa de mais discursos; precisa de menos hipocrisia.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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