Ex-primeira-dama amplia crise com enteado e reacende debate sobre quem herdará a liderança política do bolsonarismo.
o início da noite de quarta-feira, antes da vitória do Brasil sobre a Escócia pela Copa do Mundo, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgou dois vídeos, com cerca de 28 minutos de duração, para comentar publicamente a crise instalada no núcleo político do bolsonarismo. Nas gravações, acusou o senador Flávio Bolsonaro de tê-la humilhado, criticou aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e relacionou o desgaste às articulações do PL no Ceará.

O estopim da divergência foi a condução das alianças políticas no Estado envolvendo candidaturas ao Senado e entendimentos com lideranças locais. Mas o episódio rapidamente extrapolou a disputa regional e passou a ser visto como mais um capítulo da discussão sobre os rumos do bolsonarismo diante da inelegibilidade de Jair Bolsonaro.
Mais do que um desabafo, Michelle organizou sua manifestação em torno de temas políticos. Defendeu posições ideológicas, contestou alianças consideradas incompatíveis com o projeto do grupo e afirmou participar das principais decisões do campo bolsonarista. Ao rebater críticas de que teria ingressado recentemente na política, procurou demonstrar protagonismo na construção do movimento e na interlocução com sua base de apoio.
A resposta de Flávio Bolsonaro veio pouco depois. O senador negou ter desrespeitado a ex-primeira-dama, afirmou que jamais teve a intenção de ofendê-la e declarou que suas posições contam com o respaldo do pai. Também disse que Jair Bolsonaro lhe confiou o "manto", expressão interpretada por aliados como uma referência à continuidade da liderança política da família.
A troca de manifestações evidencia que a disputa ultrapassa a definição de candidaturas estaduais. Em jogo está a influência sobre o eleitorado identificado com Jair Bolsonaro e o espaço de cada liderança na reorganização do grupo para as próximas eleições.
Nos últimos meses, aliados do ex-presidente vinham tratando a posição de Flávio Bolsonaro como natural dentro da estrutura partidária. A entrada de Michelle no debate público, porém, acrescenta um novo elemento ao cenário. Sem anunciar qualquer pretensão eleitoral, a ex-primeira-dama reafirma seu peso político junto a segmentos importantes do bolsonarismo, especialmente entre o eleitorado feminino e evangélico, onde mantém forte capacidade de mobilização.
Se o episódio começou com divergências sobre estratégias no Ceará, seus efeitos tendem a alcançar a política nacional. Afinal, mais do que a disputa por um palanque regional, a crise expõe um debate cada vez mais evidente dentro do bolsonarismo: quem terá legitimidade para conduzir o projeto político construído em torno de Jair Bolsonaro nos próximos anos.

•O campus do IFPA em Bragança vai homenagear o professor Laércio Gomes (foto), que também é coordenador regional do Instituto Brasileiro de Concreto.
•A turma do curso Técnico de edificações terá o professor como referência durante a formatura, prevista para este semestre.
•O Centro Integrado de Educação e Tecnologia em Abaetetuba não fechará as portas durante as férias.
•Durante o período de veraneio será planejado o primeiro torneio de drone para a comunidade escolar, a cargo da professora Keila Cattete.
•A banda de música do Corpo de Bombeiros estará na estrada durante esse final de semana. Com agenda disputada, o maestro e tenente Claudemir Rodrigues estará à frente dos músicos nos municípios de Tailândia e Marabá.
•O ministro Alexandre de Moraes pediu que a PGR se manifeste sobre a apreensão da arma de fogo de Jair Bolsonaro, diante da possibilidade de configuração de "falta grave".
•Caso esse entendimento prevaleça, o ex-presidente pode perder o benefício da prisão domiciliar e sofrer regressão no regime de cumprimento da pena. Trocando o juridiquês pela linguagem da arquibancada: a pistola pode custar a Bolsonaro a volta à Papudinha.
•Enquanto a PGR examina a possível falta, a defesa joga na direção oposta. Pediu ao STF a prorrogação da prisão domiciliar, sustentando que o quadro de saúde de Jair Bolsonaro permanece inalterado e exige acompanhamento médico contínuo.
•Em depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal, Jair Bolsonaro afirmou que mantinha a arma registrada em seu nome por razões de segurança pessoal, porque "tem três mulheres em casa".
•A explicação pretendia justificar uma precaução doméstica, mas pode acabar produzindo consequência carcerária.
•O deputado italiano Angelo Bonelli cobrou do governo de Giorgia Meloni informações sobre o paradeiro de Carla Zambelli.
•A conservadora Keiko Fujimori abriu vantagem irreversível na eleição presidencial do Peru, segundo a autoridade eleitoral do país.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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