Traição vira ato político e passa a interferir diretamente em poder, fé e reputações.
á cerca de 15 ou 20 anos, casos de traição envolvendo políticos e figuras públicas costumavam ganhar repercussão quando a esposa traída rompia o silêncio em entrevistas à televisão. O episódio mais emblemático talvez seja o do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, cuja derrocada política foi acelerada quando Nicéia Pitta expôs não apenas a infidelidade do marido, mas também denúncias de corrupção que se tornaram públicas e devastadoras.

O tempo passou, a tecnologia avançou - e o palco mudou. Hoje, a crise conjugal não precisa mais de estúdio, repórter ou edição. Ela nasce pronta, no Instagram, viraliza no WhatsApp e se consolida como narrativa pública com engajamento, curtidas e comentários. A intimidade virou conteúdo. E, em muitos casos, instrumento político.
Nos últimos dois meses, uma curiosa - e preocupante - sequência de episódios envolvendo mulheres ligadas à política, à religião e ao poder ganhou as redes. Três casos recentes têm ligação direta com o Pará, Belém ou personagens com influência na região, evidenciando como o que seria estritamente pessoal passou a produzir efeitos públicos imediatos.
O episódio mais recente veio à tona na segunda-feira, 29, quando a ativista Nice Tupinambá anunciou em seu perfil no Instagram que estava solteira - e o motivo, sem rodeios, foi traição. A postagem, acompanhada de ironia e ressentimento, rapidamente se espalhou. Nice havia se casado no fim de 2023 com o jornalista Aldenor Jr., então chefe de gabinete do ex-prefeito de Belém Edmilson Rodrigues, todos ligados ao Psol.
O casal, que mantinha relação antiga antes da oficialização, transformou o casamento em espetáculo público, com registros nas redes, festa em Mosqueiro e referências simbólicas à identidade indígena. Dois anos depois, o rompimento também se deu de forma pública - como se a mesma lógica de exposição que celebrou a união agora legitimasse o fim.
Na postagem, Nice afirmou que foi traída, disse não disputar espaço com amantes e prometeu revelar mais detalhes, alegando ter sido difamada. Apagou fotos do ex-marido e anunciou a nova fase. O gesto foi interpretado por aliados e observadores como mais que um desabafo: soou como ruptura simbólica em um momento de desgaste político do grupo ao qual ambos estavam ligados. Para alguns, o colapso pessoal teria antecipado o político.
Outro caso, de repercussão ainda mais delicada, envolve a liderança da Assembleia de Deus Missão, em Marabá. Desde o fim de dezembro, circulam nas redes relatos sobre o afastamento do pastor Sales Batista dos cargos de presidente da igreja e vice-presidente da Convenção Estadual (Comieadepa), após 22 anos à frente da instituição.
Segundo informações divulgadas publicamente, a missionária Raquel Viegas, esposa do pastor, teria descoberto um relacionamento extraconjugal do marido, o que levou ao afastamento imediato do líder religioso. Em nota divulgada na segunda-feira, 29, Sales Batista não negou os fatos, pediu perdão à igreja e orientou os fiéis a orarem por sua família.
A polêmica ganhou dimensão nacional e foi amplificada por vídeos e comentários em redes sociais. Algumas versões mais graves passaram a circular, atribuídas a influenciadores digitais, mas sem confirmação oficial. Esses relatos, não reconhecidos por autoridades ou pela própria igreja, seguem restritos ao campo das alegações e dos bastidores virtuais.
O episódio, ainda assim, expôs uma ferida profunda: a dificuldade de instituições religiosas lidarem com crises morais em tempos de superexposição, quando o silêncio já não é opção e a fé disputa espaço com o tribunal digital.
O terceiro caso veio à tona em novembro passado e envolve dois parlamentares federais e líderes religiosos da Região Norte. A deputada Antônia Lúcia Câmara, do Republicanos-AC, publicou nas redes um relato pessoal sobre o fim do casamento com o deputado Silas Câmara, do mesmo partido, no Amazonas, pastor da Assembleia de Deus e irmão de Samuel Câmara, de Belém.
Em tom de desabafo, Antônia Lúcia afirmou ter sido traída e descreveu o impacto emocional da separação sobre a família, incluindo netos que estariam em acompanhamento psicológico. Chegou a alterar a biografia do perfil para registrar a condição de esposa traída - frase que depois foi retirada.
O casamento de mais de 35 anos, marcado por influência política e liderança religiosa, teve conflitos que se tornaram públicos ao longo de 2024, incluindo episódios noticiados pela imprensa especializada. Em entrevistas, a deputada associou o afastamento do marido a mudanças comportamentais profundas e reforçou sua identidade religiosa como contraponto moral.
O que une esses episódios não é apenas a traição, mas o uso público da dor privada. Em todos os casos, o desabafo deixou de ser apenas pessoal e passou a produzir efeitos concretos: desgaste político, afastamentos institucionais, fissuras partidárias e crises de imagem.
A traição, que antes se resolvia no âmbito doméstico - ou, no máximo, nos tribunais - agora se transforma em ato político, consciente ou não. A exposição vira arma. O feed, palco. E o julgamento, permanente.
Não se trata de voyeurismo, mas de sintoma. Em tempos de redes sociais, a intimidade perdeu o abrigo. O quarto virou feed - e o que antes se resolvia em silêncio hoje se disputa em curtidas.

•A prefeita de Marituba, Patrícia Alencar (foto), se despediu do ano velho do jeito que entrou no Ano Novo: sacudindo ruidosamente as redes sociais.
•Pescadores profissionais detentores do Registro Geral da Atividade Pesqueira no Brasil passam a cumprir os mesmos critérios de comprovação exigidos para novos registros, sob risco de perda do cadastro e benefícios.
•A nova regulamentação altera normas editadas em 2015 e em 2025, passando a vincular diretamente o RGP às exigências previstas em legislação mais recente visando coibir a farra com o seguro-defeso.
•O decreto também revoga um trecho que previa tratamento excepcional para parte dos pescadores artesanais, eliminando brechas que permitiam a manutenção do registro sem o cumprimento integral das exigências atuais.
•O que se espera é que a medida uniformize os critérios de controle do cadastro e reduza a possibilidade de registros irregulares.
•Distante da meta: dados do Tesouro Nacional revelam que as contas públicas voltaram a apresentar forte desequilíbrio em novembro, por conta da gastança desenfreada do governo federal, que registrou déficit primário de R$ 20,2 bilhões.
•O desempenho indica deterioração em relação a novembro de 2024, quando o saldo negativo não passou de R$ 4,5 bilhões, já corrigidos pela inflação.
•Os Correios projetam corte de até 15 mil postos de trabalho no tal "plano de recuperação", tudo para conter as despesas com pessoal e avanço da folha, que consome mais de 60% do orçamento da estatal.
•Ou seja, os Correios descartaram a privatização apostando em parcerias para reestruturação.
•A Receita negou a taxação de transações financeiras a partir de R$ 5 mil.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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