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É CARNAVAL!

Divagações sobre o "Bloco da Epifania Federal"; dinheiro acidental cai do céu.

É certo que os melhores absurdos sempre começam por acaso – e no carnaval nunca foi diferente.

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  • 13/02/26 17:00
Divagações sobre o
A


 o leitor: este enredo é inspirado no caso de Camboriú, onde dinheiro atirado pela janela nada tinha a ver com a operação policial em curso. Qualquer semelhança, portanto, não é mera coincidência, conforme atesta um atento observador da cena.

Dia desses, um celular voou pela janela de um apartamento em Brasília; agora, em Camboriú, o salro precipitado de quase meio milhão/Fotos: Arquivo.
Carnaval é o único período do ano em que o absurdo não pede desculpas. Ele simplesmente acontece. Em Belém - e seus personagens -, então, o exagero vira método, e a fantasia, documento oficial. Lembra do episódio em que um celular voou pela janela? Pois é: mudou.

Imaginem a cena - porque imaginar ainda é grátis. Pessoas fantasiadas de agentes da Polícia Federal surgem num bairro de bacanas. Coletes pretos, letras amarelas, aquele ar sisudo que, fora do carnaval, provoca calafrios e consultas apressadas ao advogado. Tudo fantasia, claro. Ou quase.

Atrás deles, compondo o cortejo, seguem pobres selecionados. Nada aleatório: há sempre uma curadoria invisível quando o assunto é miséria. São brincantes. Não sambam, observam. Olhos treinados para o improvável, mãos livres, esperança contida - artigo de luxo.

A batucada cresce. Um surdo marca o passo. Um bêbado anuncia: “Hoje tem operação”. Riso geral. Alguém pergunta se é da PF ou da escola de samba. Tanto faz. No carnaval, autoridade também sai fantasiada.

Então, por acaso - porque os melhores absurdos sempre começam assim: por acaso - como nos diálogos intermináveis e deliciosos de Quentin Tarantino, algo cai do alto de um apartamento. Primeiro uma nota. Depois outra. Logo, uma chuva miúda, indecisa, dançando no ar friorento da noite.

É Dinheiro.

Não é metáfora. Não é promessa de campanha. É dinheiro mesmo, desses que costumam circular por vias mais discretas, elevadores de serviço e planilhas invisíveis. Alguém ousa perguntar se isso é legal.

Outro responde que ilegal é guardar. Um terceiro lembra que, se caiu, é do chão. Jurisprudência popular.

Há quem reclame do desperdício. Sempre há. “Jogar dinheiro assim?”, protesta um moralista de fantasia importada. “Isso vai dar B.O.”, pragueja um folião com pós-graduação em burocracia nacional. Alguém cogita chamar o síndico. E outro indaga se precisa declarar no Imposto de Renda. 

O carnaval, ingrato, não responde.

No Ver-o-Peso, o diagnóstico seria curto e definitivo: fê-lo porque quilo. Talvez para espantar os próprios medos. Talvez porque, sob máscara, até o pavor cria coragem. Ou talvez porque, lá em cima, alguém confundiu consciência com ventilação.

Os falsos agentes observam a cena com profissionalismo cênico. Nada recolhem. Nada anotam. Não é atribuição deles. Os pobres, esses sim, trabalham. Catam nota por nota, com a eficiência de quem sabe que oportunidade não avisa duas vezes. 

A decantada distribuição de renda finalmente acontece - sem seminário, sem painel, sem discurso inflamado, sem grupo de trabalho. Cai. Literalmente.

As janelas se fecham. As cortinas tremem. O bairro volta ao seu silêncio climatizado. No chão, sobra a suspeita rodopiando, leve, como nota esquecida no asfalto: se era fantasia, por que parecia tão real?

Missão cumprida, os “agentes” recolhem os adereços. O susto foi calculado, como todo bom espetáculo. Para onde vão depois? Evidente: Bar do Parque. Onde mais? Antigo ponto da boêmia, território neutro entre o delírio e a ressaca, lugar ideal para comentar operações que nunca existiram - ou existiram demais.

Entre uma cerveja e outra, alguém ainda pergunta se aquilo tudo foi exagero. Outro responde que exagero, no Brasil, é achar que não vai se repetir.

E o carnaval segue. Porque, afinal, quando o dinheiro começa a cair do alto, o povo aprende rápido: não é milagre. É só o sistema perdendo o equilíbrio - ainda que por alguns segundos de folia. 

Papo Reto

A presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia (foto), apresentou código de conduta para magistrados nas eleições de 2026. As regras vedam manifestações políticas e exigem transparência em agendas com partidos e candidatos. 

•O TSE retomou o julgamento do recurso que pode levar à cassação do senador Jorge Seif, acusado de abuso de poder econômico nas eleições de 2022. 

O relator, ministro Floriano de Azevedo Marques, votou pela manutenção da decisão do TRE-SC que rejeitou as acusações. A análise foi suspensa após o voto e será retomada com a manifestação dos demais ministros. 

• O Fundo Garantidor de Crédito aprovou medidas emergenciais para recompor seu caixa após perdas com a liquidação do Banco Master, incluindo a antecipação de contribuições futuras dos bancos. 

O plano prevê adiantamento de até sete anos de aportes e aumento temporário das contribuições mensais das instituições financeiras. Mas, ninguém duvide, o custo será "democratizado". Ou alguém acha que os bancos ficarão no prejuízo? 

• Hugo Motta descartou pautar revisão da autonomia do Banco Central, mesmo após pressões do PT ligadas ao caso Banco Master. 

O presidente da Câmara também afastou novos aumentos de impostos em 2026 e disse que pedidos de CPI seguirão as regras regimentais. "Tem 16 na fila", afirmou em relação à CPI do Caso Master.

• André Esteves afirmou que o próximo presidente, seja de direita, seja de esquerda, herdará uma economia organizada, com inflação sob controle, reservas elevadas e perspectiva de queda dos juros.

Mais matérias OLAVO DUTRA

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.