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Fim do sonho

Brasil abusa de perder gols e segue freguês de seleções europeias em Copas

Haaland provou ser um dos goleadores mais letais do futebol mundial e decretou a classificação norueguesa marcando duas vezes contra o Brasil

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 05/07/26 19:51
Brasil abusa de perder gols e segue freguês de seleções europeias em Copas
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busca pelo hexa terá de esperar mais quatro anos. Cenário repetido nas últimas Copas do Mundo, o Brasil foi eliminado mais uma vez para um rival europeu. Caiu para a Noruega, adversário que nunca derrotou na história, ao perder por 2 a 1 neste domingo, no MetLife Stadium.


Haaland provou ser um dos goleadores mais letais do futebol mundial e decretou a classificação norueguesa. Foram dele, no segundo tempo, os dois gols que definiram o triunfo da seleção europeia. Novamente um europeu, e que nem é do primeiro escalão, a deixar o Brasil pelo caminho. Neymar, de pênalti, fez o gol brasileiro no acréscimo.


Haaland teve três chances e marcou duas vezes: um artilheiro letal/Foto: Divulgação

Recorde negativo


Foi a pior campanha da seleção brasileira em um Mundial em 36 anos. Como em 1990, a equipe treinada por Carlo Ancelotti encerrou sua participação nas oitavas de final.


Eliminada nas últimas Copas por França, Holanda, Bélgica, Croácia e agora a Noruega, a seleção só vê cair, torneio a torneio, o seu nível técnico, e tem sido mais respeitada pelo que fizeram Pelé, Garrincha, Ronaldo e outros craques do passado do que faz hoje a geração atual, de Neymar e Vini Jr.


A Noruega ainda vai conhecer seu adversário das quartas de final, em duelo marcado para o próximo sábado, 11, às 19h (de Brasília), em Miami. O rival dos noruegueses será México ou Inglaterra, que duelam neste domingo.


Pênalti perdido e abuso da sorte


Não foi bom o primeiro tempo da seleção brasileira. Dois motivos ajudam a explicar: a postura da Noruega, que se defendeu ficando com a bola e travou a equipe brasileira, e a pouca inspiração do craque do time. Vini Jr errou quase todos os lances ofensivos, algo incomum neste Mundial.


O jogo ficou travado, sem muita dinâmica. Mesmo assim, o Brasil, na estratégia de transição rápida, descolou chances para marcar. A mais clara resultou num pênalti sofrido por Matheus Cunha e que o árbitro demorou para enxergar. Ele precisou ir ao monitor do VAR para ver que o camisa 9 havia sido derrubado por Ajer.


O problema é que Bruno Guimarães bateu mal a penalidade, no canto esquerdo, para onde pulou o goleiro Nyland para espalmar.


Unhas de fora


A estratégia dos noruegueses, que tiveram um gol anulado aos dois minutos por impedimento, deu certo na maior parte do tempo, ainda que tenham tido poucas oportunidades.


O volume de jogo dos europeus foi alto, e conseguiram incomodar Alisson, que fez defesa providencial no fim da primeira etapa em finalização do camisa 10 Odegaard, um meia cerebral que faz falta à seleção brasileira.


O atleta do Arsenal apareceu nos principais lances de ataque, para criar e finalizar. Acertou a rede pelo lado de fora e foi bloqueado por Danilo. Haaland puxou a marcação, criando espaços para seus colegas. Perseguido por Gabriel Magalhães, não levou perigo.


Abusar de perder gols


Ancelotti, evidentemente, cria mais de seu time. A produção ofensiva tinha de ser maior. Por isso, colocou primeiro Endrick em campo. Caiu nos pés do jovem atacante a melhor chance da partida até então. Ele foi lançado por Vini Jr e, de frente para o goleiro, concluiu mal, para fora.


O italiano, na sequência, decidiu lançar mão de Neymar aos 22 minutos, dando o maior tempo de jogo ao camisa 10 nesta Copa do Mundo. Danilo Santos também entrou em campo.


O panorama da partida pouco mudou. Pouca dinâmica, jogo travado, e algumas oportunidades criadas a partir de lances individuais. Até que Haaland, aparentemente esquecido na partida, provou que só precisa mesmo de uma bola para decidir.


O gigante norueguês se antecipou à marcação e acertou cabeceio violento no canto esquerdo de Alisson. Minutos depois, completamente livre, teve tempo de limpar e bater de canhota no canto de Alisson. São sete gols para o craque norueguês, artilheiro do torneio ao lado de Mbappé e Messi.


Estavam decretadas a classificação norueguesa e a eliminação do Brasil, que fez uma pressão nos minutos finais, mas mereceu ser eliminado devido ao péssimo desempenho. Chegou a acertar a trave, e até diminuir o placar, com Neymar, em pênalti bem cobrado, ao contrário da batida de Bruno Guimarães no primeiro tempo.


Mas o relógio marcava 54 do segundo tempo. Foi o último lance, não havia mais tempo para o empate. O hexa terá de esperar. Até quando? A paciência do torcedor acabou.


Um calo chamado Europa


A seleção brasileira foi eliminada neste domingo da Copa do Mundo 2026. Dessa vez, a queda foi para a Noruega em derrota por 2 a 1. Erling Haaland marcou dois gols no segundo tempo e decretou a queda no MetLife Stadium, em East Rutherford. Ainda houve tempo para Neymar marcar de pênalti.


O Brasil jamais derrotou a Noruega, seja em jogos oficiais ou amistosos. Agora, são cinco partidas, com três triunfos noruegueses e dois empates.


A eliminação também reavive uma discussão sobre o nível da seleção brasileira em Copas do Mundo. Nos últimos três Mundiais, o Brasil perdeu para seleções médias da Europa, que nunca venceram uma Copa.


Em 2018, sob o comando de Tite, o Brasil caiu nas quartas de final para a Bélgica, sendo derrotado por 2 a 1. Em Kazan, na Rússia, os belgas marcaram com Fernandinho (contra) e De Bruyne, enquanto os brasileiros descontaram com Renato Augusto.


Quatro anos depois, ainda com Tite como treinador, a despedida da Copa foi com a Croácia como adversária. Depois de empate por 1 a 1, entre tempo normal e prorrogação (Neymar fez pelo Brasil e Petkovic igualou para os croatas), o jogo foi definido nos pênaltis, com os europeus levando a melhor por 4 a 2.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.