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ERA SÓ PROMESSA?

Belém muda trânsito sem ouvir quem vai enfrentar o trânsito; Mudou? Nem tanto.

Prefeitura prepara alteração no eixo da Pedro Álvares Cabral, mas população ainda não sabe como ficará a vida de quem circula pela região.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 19/08/26 12:00
Belém muda trânsito sem ouvir quem vai enfrentar o trânsito; Mudou? Nem tanto.
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e a Prefeitura de Belém entende que pode redesenhar uma praça sem necessariamente ouvir quem mora no entorno, aparentemente também acredita que pode redesenhar o trânsito sem perguntar aos motoristas, moradores, comerciantes e trabalhadores que terão de conviver com a mudança. Recentemente, a gestão municipal deu sinais de que mudaria a estratégia de comunicação para antecipar atos e ações de interesse público.

 

Previsão é de alteração no sentido de circulação da Pedro Álvares Cabral entre a Arthur Bernardes e Doca/Fotos: Divulgação.

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Prefeitura começa a explicar praças, mas moradores cobram o direito de decidir

A nova questão ganhou força com a previsão de alteração no sentido de circulação da avenida Pedro Álvares Cabral, trecho entre a avenida Arthur Bernardes e a Doca. Trata-se de um dos eixos estratégicos de entrada e saída da cidade, com impacto direto sobre uma extensa área da capital. E a pergunta é simples: como vai ficar o trânsito?

Não é uma pergunta retórica. É uma pergunta que a prefeitura deveria responder antes de colocar a mudança na rua. Mudanças de circulação podem ser necessárias. O trânsito de Belém há muito exige soluções - e soluções que levem em conta crescimento urbano, novos polos de atração, transporte público, horários de pico e o comportamento de quem efetivamente utiliza as vias.

O problema começa quando a população descobre a mudança praticamente pronta. Foi assim, segundo reclamações que chegaram à coluna, em alterações anteriores de circulação na região. A decisão é tomada, a sinalização aparece, os motoristas descobrem na prática e, se der errado, resta a velha receita brasileira: esperar para ver se melhora.

Só que trânsito não é laboratório.

Uma alteração no sentido de uma avenida não mexe apenas com quem está ao volante. Muda o caminho de quem vai trabalhar, estudar, levar filho à escola, buscar atendimento médico, abastecer, fazer compras ou simplesmente voltar para casa. Pode deslocar congestionamentos para ruas residenciais, alterar itinerários de ônibus, afetar comércio e criar novos gargalos onde antes não existiam. Por isso, a discussão não deveria ser se a prefeitura pode mudar. Pode.

Portas fechadas

A pergunta é se ela deve mudar sem explicar previamente à sociedade o que pretende fazer, por quê, quais estudos sustentam a decisão e quais alternativas foram consideradas. E aqui entra um detalhe que parece óbvio, mas nem sempre é praticado: quem mora na região conhece o trânsito de um jeito que nenhum mapa consegue reproduzir. Sabe onde o congestionamento começa, em que horário determinado a rua trava, onde o ônibus não consegue passar, qual cruzamento vira um nó e qual desvio aparentemente inteligente transforma cinco minutos em meia hora. Ouvir essas pessoas não significa entregar a elas o comando da engenharia de tráfego. Significa, apenas, reconhecer que cidade não é planilha.

A prefeitura poderia, portanto, apresentar publicamente o projeto da Pedro Álvares Cabral, explicar os objetivos, mostrar os estudos técnicos e abrir espaço para que moradores, comerciantes, especialistas e usuários do corredor apontem problemas e sugestões. Depois, decide.

Autoridade e silêncio

É assim que se faz gestão pública em uma cidade democrática: a administração mantém a responsabilidade pela decisão, mas não confunde autoridade com silêncio. Há uma diferença importante entre governar e simplesmente comunicar uma decisão depois de tomada.

E Belém já tem problemas suficientes de mobilidade para não transformar cada mudança de trânsito em uma surpresa para quem está preso dentro do próprio carro.

A prefeitura deveria dizer, antes da mudança: qual é o problema que pretende resolver, qual solução está propondo e como sabe que ela vai funcionar? Depois, pode até pedir paciência ao belenense. Mas, por favor, que não peça primeiro que ele enfrente o congestionamento para só depois explicar o experimento.

Papo Reto

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.