Avós sustentam lares, criam netos e absorvem custos que o Estado e a família transferiram em silêncio.
Brasil construiu, sem debate público e quase sem estatística oficial dedicada, uma engrenagem social perversa: aposentados passaram a ocupar o papel de última âncora financeira de famílias inteiras. Em milhares de lares, o benefício previdenciário deixou de ser renda de descanso para se tornar salário coletivo, bancando alimentação, aluguel, escola, remédios e, não raro, a criação integral dos netos.

Os dados gerais confirmam o fenômeno. Levantamentos do IBGE e de institutos de pesquisa social mostram que cresce o número de domicílios sustentados majoritariamente por pessoas com mais de 60 anos. Em muitos casos, o idoso é o único rendimento estável da casa. Aposentadoria e pensão viraram colchão social informal - função que jamais foi pensada para o sistema previdenciário.
A lógica tradicional foi invertida. Pais que deveriam contar com apoio dos filhos adultos assumem despesas permanentes de gerações mais novas. O discurso é sempre provisório - “até arrumar emprego”, “até o menino crescer”, “até a situação melhorar”. O provisório, porém, se cristaliza. O custo sobe de geração e o tempo passa sem que a responsabilidade volte para quem deveria exercê-la.
Nesse contexto, multiplicam-se histórias conhecidas: filhos adultos que retornam à casa dos pais com família formada; mães-solo que dependem integralmente dos avós; e pais ausentes que “não entregam” - não cuidam, não pagam, não assumem - e ainda repassam a conta para os pais da companheira. O conflito não é doméstico; é estrutural.
Criar netos na velhice cobra um preço alto. Há o impacto financeiro direto, que corrói um benefício já apertado, e o desgaste físico e emocional de quem deveria estar reduzindo o ritmo. Avós assumem rotinas escolares, consultas médicas, despesas imprevistas e responsabilidades legais sem qualquer proteção adicional do Estado.
Não há política pública robusta para esse contingente. A assistência social trata o fenômeno como exceção; a Previdência ignora o desvio de função; e o mercado simplesmente se beneficia do consumo sustentado por uma renda que não cresce. O resultado é um sistema que se equilibra à custa de quem já trabalhou a vida inteira.
O ponto sensível da discussão não é gênero, mas responsabilidade. A evasão do dever parental tornou-se socialmente tolerada, diluída em narrativas de crise econômica e desemprego crônico. O problema é real, mas não explica tudo. Há abandono, conveniência e acomodação - porque alguém, quase sempre os avós, cobre o rombo.
A Justiça até prevê pensão, mas a execução é lenta, falha ou inexistente. Na prática, o custo recai sobre quem não tem mais tempo de recompor renda. O silêncio social em torno disso ajuda a perpetuar o arranjo.
Enquanto isso, o País discute sustentabilidade do INSS sem olhar para dentro das casas. A aposentadoria virou política social informal, sem regra, sem amparo e sem reconhecimento. O Brasil envelhece transferindo responsabilidades para quem já deveria estar protegido - e naturaliza o desequilíbrio como se fosse virtude familiar.
A pergunta incômoda: quem sustenta quem neste País? E até quando os avós seguirão pagando uma conta que não contraíram?

• Lula (foto) celebrou as quatro indicações de O Agente Secreto ao Oscar e destacou o momento do cinema brasileiro.
•O presidente também parabenizou Adolpho Veloso, indicado a Melhor Fotografia, afirmando que o reconhecimento internacional valoriza a cultura do país.
•"O Agente Secreto" vai além do cinema e propõe uma leitura política sobre hierarquia, burocracia e funcionamento do Estado, colocando as instituições no centro da narrativa.
•PRF alertou para riscos à segurança viária na BR-040 devido à marcha liderada pelo deputado Nikolas Ferreira rumo a Brasília.
•Gleisi Hoffmann confirmou que será candidata ao Senado pelo Paraná.
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•O autor, Fausto Pinato, admitiu retirar o texto se a mudança for mantida. Na CCJ, o relator Kim Kataguiri promete excluir a exigência e rever o projeto.
•Pesquisa do Instituto Locomotiva revelou que 94% dos brasileiros associam o cigarro ilegal ao financiamento do crime organizado.
•Levantamento indicou ainda cobrança por mais fiscalização e punições mais duras ao comércio ilegal.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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