Executiva nacional decide que Daniel Santos irá disputar reeleição e frustra trama do presidente da legenda no Pará.
avorito até em pesquisa de inimigos políticos, o prefeito de Ananindeua, Daniel Santos, do PSB, está apto, e disputará novo mandato à frente do Executivo municipal. A decisão unânime da Executiva Nacional de seu partido, nessa semana, era tão óbvia que surpreendeu apenas uma pessoa: Cássio Andrade.

Dono da legenda no Pará por décadas,
cujo espólio herdou de seu pai Ademir Andrade - hoje um latifundiário e
aderente ao bolsonarismo -, Cássio Andrade ficou sem mandato ao perder as
eleições, em 2022. Abrigado por Helder em uma secretaria secundária, desde
então ele tenta manobras judiciais para retomar o mandato, que perdeu embora
tenha disposto do Fundo Eleitoral e da estrutura de seu partido como um títere.
A esperança do ex-deputado passa, ou
pela recontagem das sobras - que mexeria na correlação de forças do Congresso
Nacional, o que quase ninguém quer -, ou pela cassação da chapa do PL, hipótese
mais provável, mas que dificilmente seria votada às vésperas de uma eleição.
Desse modo, parece que as coisas ficarão como estão, pelo menos até outubro.
Cássio tinha como cacife principal em
sua corrida pelo lugar de vice de Igor dar ao governador Helder Barbalho um
mágico carregamento de incenso, ouro e mirra, como os Reis magos deram a Jesus:
impedir a candidatura de Daniel Santos, prefeito mais bem avaliado do Estado e
arqui-inimigo de Helder Barbalho. Trabalhou muito por isso, dividindo-se entre
as caminhadas ao sol ao lado de Igor Normando para gerar imagens para as redes
sociais e viagens a Brasília, onde tentava articular a queda da insurgente “República
de Ananindeua”.
Voltou de mãos abanando, mas não
informou isso ao governador: seguiu alimentando esperanças que se esvaíram pela
decisão unânime da Executiva de seu partido essa semana. O PSB não deixou nas
mãos dos diretórios locais decisões majoritárias justamente para impedir que
vilanias domésticas tirassem de rota nomes competitivos. O PT adota organograma
similar.
Após o desfecho desfavorável que
garantiu legenda ao inimigo número 1 do governador, a própria permanência de
Cássio Andrade no comando do PSB paranaense tem data para terminar, como
informam fontes socialistas em Brasília. Na renovação do diretório, com Daniel
Santos reeleito, ficará difícil a um dirigente sem mandato sustentar essa
posição.
“Partidos são comandados por
políticos poderosos ou por prepostos de políticos poderosos”,
esclarece o consultor de marketing, Pedro Mantovani. “Cássio não está
mais em nenhuma dessas categorias”.
A acachapante derrota de Cássio na
disputa pelo comando da legenda e na tentativa de impedir a homologação de
Daniel Santos coloca em risco terminal sua pretensão de ser “o vice” na chapa
de Igor Normando nas próximas eleições.
Depois de uma movimentação agressiva,
que incluiu caminhadas exaustivas, evento com centenas de figurantes para
declarar apoio “do PSB” para o candidato de Helder, enquetes frustradas nas
redes sociais e movimentação de bastidores para criar embaraços a Úrsula Vidal,
uma das preferências do governador, possivelmente o gás de Cássio Andrade
acabou.
Com peso administrativo maior que seu
peso eleitoral na gestão de Edmilson, do Psol - o então deputado detinha três
secretarias -, Cássio passou quatro anos dirigindo a poderosa Secretaria de
Urbanismo, onde colocou na titularidade um amigo de infância que até então só
tinha administrado um pet shop especializado em aquários e
peixes ornamentais. O órgão é responsável pelo controle e fiscalização das
construções e alinhamentos prediais. Também é responsável por atividades
referentes a projetos, execução e conservação de obras públicas; e análise e
legalização das obras em geral. Contratos milionários, como o de iluminação
pública, passaram por ali. E tudo foi entregue ao psbista por Edmilson de modo,
por assim dizer, fraterno - “porteira fechada” no linguajar agrário.
Mesmo assim, Cássio nadou para a
outra margem e abandonou o navio de Edmilson tão logo os primeiros rombos na
fuselagem do governo do Psol se apresentaram. Fez o mesmo com Daniel Santos, de
quem partilhava a amizade pessoal e frequentava a casa, tão logo o prefeito de
Ananindeua entrou em rota de colisão com Helder Barbalho - ou vice versa.
O jogo de sobrevivência de Cássio
Andrade não tem espaço para nada além de seus próprios interesses.
Daniel Santos, alvo da 'cassada' de
Andrade nos últimos meses, articulou seu ingresso no PSB na ponte aérea
Macapá-Brasília e teve como principal articulador o senador
Davi Alcolumbre, do Amapá. Alcolumbre decidiu ajudar Daniel em retaliação
aos movimentos feitos por Helder no Amapá, que implicou na filiação de Antônio
Furlan, prefeito de Macapá, ao MDB. Bem avaliado, favorito à reeleição, Furlan
está para Alcolumbre como Daniel está para Helder Barbalho.
A nacionalização das eleições em
Belém, devido à emergência da COP30 em 2025 e ao protagonismo nacional do
governador paraense, tem uma outra face - oculta da maioria das pessoas: a
disputa entre Helder e o prefeito de Recife, João Campos, pelo lugar de
vice de Lula, em 2026. Campos é herdeiro político de Eduardo Campos, governador
de Pernambuco que impôs uma dinâmica nova ao Estado e faleceu de modo trágico
em agosto de 2014, aos 49 anos. Ele era neto de Miguel Arraes, fundador do PSB,
justamente o partido escolhido por Daniel Santos para continuar sua carreira
política e, quem sabe, disputar o governo do Estado em 2026.

· Os cantores líricos em Belém
estão “em baixa”, ultimamente. Além de terem o cachê reduzido no quase
cancelado Festival de Ópera do Theatro da Paz 2024.
· Desde maio deste ano, para se
ter ideia, eles amargam um provável calote aplicado pelo superintendente da
Fundação Carlos Gomes, Gabriel Titan (foto).
· Naquele mês, durante o
Festival Internacional de Música do Pará, eles cantaram na apresentação de
‘Floresta do Amazonas’, de Heitor Villa-Lobos. Dois meses depois, ninguém viu a
cor do dinheiro, mas, os cantores de fora do Estado foram regiamente
pagos.
· Todo mundo está careca de
saber que “santo de casa não faz milagres”, mas isso não faz deles
desmerecedores de promessas, nem vítimas de calote.
· Belém-Rio Branco, no Acre, e
Belém-Altamira, no Pará, são os trechos alcançados pela parceria entre as
voadoras Azul e Gol para compartilhamento de rotas, que já está no ar
· Reitores de institutos
federais, Cefets e do Colégio Pedro II estão recorrendo ao Congresso Nacional
em busca de uma recomposição orçamentária se R$ 1,1 bilhão em 2025 para
adequação da merenda escolar da rede de ensino técnico do País, que tem 1,5
milhão de estudantes matriculados, mais de 85% oriundos de famílias de baixa
renda.
· Falando
nisso: no sul e sudeste, escolas servem feijão, arroz e carne na merenda
escolar, mas, na Escola Teodomira Lima, bairro do Trevo, em Bragança, a merenda
é à base de pipoca.
· Depois suas excelências
travestidos de gestores públicos vão se queixar ao juízo da comarca, à falta de
bispo, com o selo de “calúnia e difamação” e ainda pedem indenização por danos
morais.
· Obrigação de fazer, que deveria
ser regra aplicável pelo Ministério Público nesses casos, nem pensar.
· Tudo indica que o
pré-candidato a prefeito de Colares, Noé Palheta, não irá resistir ao rolo
compressor do União Brasil, comandado pelo ministro Celso Sabino.
· A presidente do MDB local,
Maria Lucimar, antevendo a queda, publicou nota de solidariedade a Noé, que
pode ser “removido da disputa por meios desonestos e traiçoeiros”.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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