São Paulo, 30 - A internação provisória de
um adolescente morador de Arapiraca foi decretada pela Justiça de Alagoas na
quarta-feira, 27. O jovem é acusado de ato infracional análogo ao crime de
ameaça cometido contra uma psicóloga que concedeu entrevista ao influenciador
Felca.
A internação provisória foi decretada pelo prazo máximo de 45 dias. A Justiça
também determinou busca e apreensão na residência do adolescente para que sejam
coletados objetos, documentos e outros elementos voltados à elucidação da
investigação.
O adolescente é apontado ainda como administrador de um grupo virtual conhecido
por orquestrar atentados contra moradores de rua. "Os fatos sob apuração
são de extrema gravidade, havendo inclusive indÃcios de múltiplas vÃtimas,
razão pela qual entende este magistrado que os elementos probatórios até então
coligidos são suficientes para justificar, neste momento, o cerceamento da
liberdade do adolescente", afirmou o juiz Anderson Passos, titular da 1.ª
Vara CÃvel de Arapiraca.
Segundo o processo, o adolescente estaria envolvido ainda em exploração sexual
de menores, promoção de estupro virtual, indução, instigação e auxÃlio Ã
automutilação, "doxxing" (exposição de dados pessoais de vÃtimas com
o intuito de intimidação e coerção) e apologia ao nazismo.
Após conceder entrevista sobre adultização de crianças, a psicóloga recebeu
e-mail com insultos e ameaças de morte. No texto, o adolescente afirmou:
"Você mexeu em um ninho de abelhas".
As autoridades policiais chegaram ao jovem após a extração de dados de IMEIs e
IPs da rede mundial de computadores. "A medida de internação provisória
mostra-se adequada e proporcional para resguardar o bom andamento das
investigações e evitar o cometimento de novos atos infracionais", reforçou
o juiz.
Homem de 21 anos é preso por suspeita de ameaça de morte a Felca e venda de
pornografia infantil
Ação conjunta das polÃcias de São Paulo e de Pernambuco prendeu na
segunda-feira, 25, em Olinda, Cayo Lucas Rodrigues dos Santos O homem, de 21
anos, é suspeito de ameaçar o youtuber Felca de morte, além de vender
pornografia infantil na internet.
Ele foi localizado e preso na casa em que morava, junto com um rapaz
identificado como Paulo VinÃcius, que também foi detido. A reportagem busca a
defesa de ambos.
No momento da abordagem, o computador da dupla estava aberto na tela de acesso
à plataforma da Secretaria da Segurança Pública do Estado de Pernambuco.
Segundo o delegado-geral da PolÃcia Civil de São Paulo, Artur Dian, o suspeito
estava entrando no sistema para "inserir dados, vendendo mandados de busca
e prisão falsos". "Circunstância que reforça a gravidade da conduta e
será objeto de análise pericial", disse a polÃcia.
Entenda as denúncias
O tema da adultização entre crianças e adolescentes nas redes sociais ganhou
força depois que o influenciador digital Felca publicou, no último dia 6, um
vÃdeo com denúncias após observar o crescimento desse tipo de conteúdo nas
redes sociais - um assunto, segundo ele, "pouco falado por quem tem
alcance".
Felca tem expressiva presença nas redes sociais, contando atualmente com 17,7
milhões de seguidores no Instagram, 8,45 milhões no YouTube e 870 mil na rede X
(ex-Twitter).
Após a publicação do vÃdeo, o assunto também entrou em discussão entre
parlamentares e autoridades, que, pressionados a reagir diante de um tema tão
importante, passaram a tratar com urgência uma proposta de regulamentação das
redes sociais que estava parada no Congresso.
O projeto de lei chamado de "ECA Digital"- referência ao Estatuto da
Criança e do Adolescente - foi aprovado no Senado na quarta-feira, 27, e agora
deve ser sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em 50 minutos, o youtuber mostrou na prática como o algoritmo funciona para
entregar conteúdos com menores para pedófilos e entrevistou uma psicóloga
especializada para falar sobre o perigo da exposição nas redes sociais para as
crianças e adolescentes. Hytalo Santos, preso em São Paulo no dia 15 suspeito
de exploração sexual infantil, foi um dos citados no vÃdeo do youtuber. Ele
nega as acusações.
Fonte: Estadão conteúdo
Foto:Reprodução