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Virada do ano expõe velho gargalo e larga Marajó e suas visitas à própria sorte

Confusão no Porto de Camará no retorno do Ano Novo revela falhas recorrentes na logística, fiscalização insuficiente e a ausência de planejamento estatal em períodos de alta demanda.

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 06/01/26 17:00

Disputa por vagas entre passageiros e caminhoneiros é exemplo da falta de atenção do poder público no Marajó e leva turismo a patinar/Fotos: Divulgação-Redes Sociais.


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Marajó é bonito, real e plenamente competitivo como destino turístico. Em períodos específicos - alta estação, feriados prolongados e festas de fim de ano - chega a disputar público com Salinópolis, Ajuruteua, em Bragança, e até com Alter do Chão, em Santarém. A diferença é que, ao contrário dos “concorrentes”, o arquipélago segue entregue a um problema crônico: a falta de atenção do poder público na medida certa e no tempo certo.

O Brasil conhece o Marajó mais por suas mazelas do que por suas belezas. Exploração sexual infantil, pobreza extrema, baixos índices de desenvolvimento humano, tráfico de drogas e pirataria costumam ocupar mais espaço no noticiário do que suas praias, campos naturais e potencial turístico. Talvez por isso o território só volte ao centro das atenções quando algo dá errado - geralmente depois que os visitantes tentam voltar para casa.

O gargalo previsível

Foi exatamente o que ocorreu após a virada do ano. Pessoas que escolheram passar o réveillon no Marajó, muitas delas com passagens de ida e volta já adquiridas, ficaram retidas no Porto de Camará, em Salvaterra, no retorno a Belém, no domingo, 4.

O que se viu foi um choque anunciado entre passageiros comuns e caminhoneiros que, cumprindo sua rotina de trabalho, aguardavam no local para tentar embarcar sem bilhete de retorno. O resultado foi o de sempre: tumulto, atraso, gritaria e tensão em um espaço que já opera no limite em dias normais.

Quando tudo para

As empresas de navegação priorizam, por regra, quem tem passagem de volta comprada. O problema começa quando carretas atravessam o acesso ao porto e bloqueiam o embarque. Nesse momento, nada anda. A fiscalização estadual, a cargo da Agência de Regulação e Controle de Serviços Públicos do Pará (Arcon), mostrou-se insuficiente para conter o impasse. O efetivo reduzido da Polícia Militar tampouco deu conta de organizar o fluxo. O resultado prático foi a paralisação do sistema e o prejuízo direto à imagem do Marajó como destino turístico.

Confusão registrada

Imagens que circularam nas redes sociais mostram discussões acaloradas no Porto de Camará, com a presença de policiais militares tentando intermediar a situação. Relatos apontam aglomeração, desinformação e revolta generalizada de passageiros que tentavam retornar no mesmo dia.

Até o início da noite de domingo, não havia informações oficiais sobre reforço imediato na operação nem registro de feridos. Passageiros cobravam providências para evitar a repetição do cenário, comum em feriados prolongados.

Bloqueio e negociação

A viagem das 18h do ferry-boat que liga o porto da foz do rio Camará a Belém chegou a ser impedida por um movimento de caminhoneiros, que bloquearam o embarque até a promessa de balsas extras capazes de absorver a fila acumulada.

Diante do impasse, a Polícia Militar atuou como mediadora e o empresário Daniel Pereira, proprietário da Henvil Transporte foi pessoalmente ao local negociar uma saída. Ao final, a Henvil se comprometeu a disponibilizar mais três balsas para atender veículos e passageiros represados.

A versão da empresa

Em contato com a coluna, a empresa Henvil foi direta ao apontar o nó do problema. Segundo a direção, os próprios vídeos divulgados nas redes sociais explicam melhor a situação do que qualquer nota oficial.

A empresa afirma não ter como atender veículos de grande porte que chegam sem passagem de retorno e tentam ocupar o lugar de passageiros que compraram bilhetes com antecedência. Aponta ainda a atuação deficiente da fiscalização e o apoio insuficiente do policiamento como fatores que agravam o caos.

Turismo sem Estado

O episódio escancara um paradoxo conhecido. O Marajó é promovido como destino turístico, mas não recebe, nos momentos críticos, a estrutura mínima de planejamento, fiscalização e presença do Estado.

Quando as luzes das festas se apagam e os visitantes precisam voltar, o arquipélago fica entregue à improvisação. E o esforço - ainda tímido - de fomentar o turismo sustentável na região acaba indo, literalmente, por água abaixo.

Não é um problema novo. Tampouco é surpresa. É apenas mais um retrato de um território que, mesmo competitivo e desejado, segue tratado como exceção quando deveria ser prioridade.

Papo Reto

Ao menos 20 ministros devem deixar o governo Lula até abril de 2026 para cumprir o prazo de desincompatibilização eleitoral. 

•As saídas devem provocar uma ampla reformulação na Esplanada, com foco sobretudo em candidaturas ao Senado, à Câmara e a governos estaduais. 

Novas etapas da reforma da Previdência entraram em vigor no primeiro dia de 2026 e elevaram a idade mínima e a pontuação exigida para aposentadoria pelo INSS. 

•As mudanças, previstas desde 2019, atingem quem estava perto de se aposentar e prolongam a permanência no mercado de trabalho. 

Enquanto isso, as falcatruas perpetradas contra os cofres da Previdência travam a concessão de novas aposentadorias.

•O governo enviou ao Congresso projeto de lei que reestrutura o serviço público federal, cria e transforma carreiras, ajusta regimes de trabalho e prevê reajustes salariais a partir de abril de 2026. 

O STF promove nesta quinta-feira um evento institucional para marcar os três anos dos ataques às sedes dos Três Poderes, com exposições, documentário e debates públicos em Brasília. 

•A programação relembra o contexto da escalada golpista e busca reafirmar a defesa da democracia após os atos de 2023. 

Com a queda de Nicolás Maduro, Elon Musk anunciou que a sua Starlink vai disponibilizar internet gratuita ao povo da Venezuela - a princípio até o início de fevereiro de 2026.

•Aliás, enquanto milhares de venezuelanos seguiam nas ruas festejando a prisão do ditador e os ventos de liberdade, membros da esquerda brasileira esgoelavam-se na avenida Paulista protestando contra Donald Trump. 

Foi em meio a esse cenário depressivo nacional que alguns gaiatos da internet se saíram com a ideia de que “o MST planeja invadir os EUA para libertar Maduro” das garras de Trump.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.