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ELEIÇÕES 2026

Velório simbólico na Câmara de Altamira; vereadores correm pela sobrevivência

Parlamentares abandonam sessões plenárias para fazer campanha e adiam problemas da cidade para quando Deus mandar bom tempo.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 10/09/26 17:00

Silvano, Chester Pedro e Enfermeiro Jaime: parlamento “congelado” supostamente por ordem do prefeito em período eleitoral/Fotos: Divulgação.


I


nsatisfeitos com o que consideraram “falta de compromisso” dos colegas com a população de Altamira, cidade do sudoeste paraense, os vereadores Silvano Fortunato (PSB), Chester Pedro (PSD) e Enfermeiro Jaime (PP) realizaram um velório simbólico na Câmara Municipal depois que 10 dos 15 integrantes da Casa de Leis deixaram de comparecer às sessões desde de que teve início o período eleitoral.

De acordo com os vereadores, a ausência segue uma orientação do próprio prefeito de Altamira, Loredan Mello, do PSD, que estaria, segundo eles, “tentando esconder” os problemas da cidade no período que antecede as eleições, já que a esposa do gestor, Paola Abucater, é candidata a uma das vagas na Assembleia Legislativa do Estado, Alepa, pelo mesmo partido do marido.

Além dos três vereadores que realizaram o ato de protesto, também compareceram à última sessão os vereadores Victor da Focus, PSB, e o presidente da Casa, Engenheiro Diogo, do União Brasil, que é candidato a deputado federal, mas que, ainda assim, não abriu mão de comparecer aos compromissos na Câmara.

Para baixo do tapete

Os vereadores alegam que a intenção com a suspensão das sessões é evitar que muitos dos problemas enfrentados atualmente pela população de Altamira sigam ganhando visibilidade, já que as sessões vinham recebendo um grande número de pessoas durante votações importantes para a cidade, principalmente as que tratam sobre o abastecimento de água no município.

Na tentativa de eleger a primeira-dama, o prefeito Loredan teria feito acordos para esvaziar as sessões e evitar, ao menos nesse momento pré-eleitoral, os tumultos que em nada favorecem o grupo político comandado por ele. A Coluna tentou contato com o prefeito para ouvi-lo a respeito da suposta estratégia, mas as ligações não foram atendidas.

Também não é diferente

A situação na Assembleia Legislativa do Estado não é muito diferente. Pela terceira semana seguida, o quórum na Casa de Leis foi suficiente para abrir a Sessão - que precisa de apenas 3 deputados presentes -, mas não para dar prosseguimento à pauta, que precisa de ao menos 9 parlamentares para seguir com o Grande Expediente, onde projetados são debatidos e votados.

Apesar de concorrer a uma vaga ao Senado, o presidente da Casa, deputado Chicão Melo, do União Brasil, foi um dos poucos a comparecer às últimas três sessões. Coube a ele abrir e encerrar as reuniões, todas por falta de quórum. Conforme estabelece o regimento interno da Casa, ausências sem justificativas plausíveis são passíveis de descontos no contracheque dos parlamentares.

De acordo com uma fonte ouvida pela coluna, a principal razão para tantas faltas está no grau de dificuldade para se reeleger este ano. São muitos os concorrentes de peso - e com dinheiro de sobra - este ano, o que tem levado os parlamentares com mandato a percorrem o Estado mesmo com projetos de lei aguardando para serem votados em Belém. Ou é esse tipo de sacrifício, ou é rua.

O cenário de ausências em tempos eleitorais não é novidade nas Câmaras Municipais. Isso porque o compromisso assumido agora pode representar a reeleição de muitos vereadores daqui a dois anos. Um jogo de troca e poder recorrente que assegura uns e expulsa outros.

Papo Reto

·Enquanto Brasília discute semântica, o brasileiro parece ter perdido a paciência: pesquisas apontam cerca de seis em cada dez favoráveis a enquadrar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.

·A mensagem é cristalina: para a maioria, facção que domina territórios, impõe medo e desafia o Estado deixou há muito de ser apenas “crime comum”. O povo quer enfrentamento duro, mas sem entregar a soberania brasileira a ninguém.

·Se confirmadas as suspeitas relatadas por Fux (foto) e Nunes Marques, a crise deixa de ser policial para virar escândalo de Estado: inteligência da PF supostamente rondando ministros, familiares e escritórios de advocacia, com possível vazamento para a imprensa.

·Em julho de 2026, enquanto o IPCA acumulava 4,44% em 12 meses, a alimentação fora de casa subia 5,55%. Ou seja: comer em restaurante ficou mais caro que a inflação geral.

·O detalhe revelador é que a própria Abrasel reconhece que preços maiores podem afastar clientes. Em julho, 36% dos estabelecimentos disseram que simplesmente não conseguiam reajustar seus preços, e apenas 7% haviam aumentado acima da inflação.

·Isso sugere que o mercado já está impondo um teto: passou do ponto, o cliente reduz frequência, troca de restaurante ou fica em casa. Muitos restaurantes já seguem vazios. 

·Flávio Bolsonaro aparece pela primeira vez à frente de Lula em um cenário de 2º turno na série BTG/Nexus: 46% a 45%. Há empate técnico, mas o resultado inverte o placar da rodada anterior. 

·Lula e Flávio Bolsonaro chegaram a 41% cada em eventual 2º turno, segundo a Quaest. A diferença, que era de cinco pontos em agosto, caiu rodada a rodada até desaparecer.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.