Marina Silva, Papa Francisco e Arnold Schwarzenegger encenam debate ambiental em que santos, folhas e músculos tentam salvar o planeta
om base nas informações que circulam nas redes sociais a partir do Vaticano, imagine - apenas imagine - um auditório lotado às vésperas da COP30. No centro, três personagens que dificilmente dividiriam o mesmo palco. De um lado, Marina Silva, a sacrossanta ministra do Meio Ambiente do Brasil varonil, segundo críticos e adversários que a acusam de pisar em todas as pedras sem nunca se molhar; do outro, o Santo Padre, que entre encíclicas e exortações incorpora, diferente de Donald Trump, a consciência moral católica da ecologia, aqui chamado “Ora-pro-nóbis”; e, fechando o trio, ninguém menos que Arnold Schwarzenegger, ex-governador da Califórnia, ator aposentado de filmes de ação, eterno “Predador” e ativista ambiental de ocasião.

Marina fala manso, espalhando metáforas de floresta e águas barrentas como quem planta sementes de ambiguidade política. O Papa ergue as mãos e cita a Laudato Si - de Francisco -, lembrando que cuidar da Terra é também cuidar da alma - ou ao menos da imagem de uma Igreja que quer parecer verde. Schwarzenegger, com seus bíceps mais flexíveis que rígidos, solta a frase de efeito: I’ll be back… for the climate, provocando aplausos e memes instantâneos.
Entre conceitos vagos e discursos inflamados, o encontro parece mais um cardápio amazônico que mistura açaí, farinha e camarão seco. Marina se esquiva quando perguntam sobre exploração de petróleo na foz do Amazonas; o Papa recorre a parábolas sobre pobres e ricos; Schwarzenegger promete plantar árvores “com as próprias mãos”. O público, dividido entre risos e aplausos, percebe que a cena tem mais de teatro político que de plano concreto.
Ao final, resta a imagem curiosa: a “Sacrossanta”, o “Ora-pro-nóbis” e o “Predador” de mãos dadas, posando para fotógrafos como se o destino do planeta dependesse daquela improvável aliança. Talvez dependa. Talvez não. Mas, no mínimo, Belém - com sua feira de cheiros, cores e preços - ganha mais um episódio para ser narrado entre um tacacá e outro. O resto fica para os negociadores da COP30, esses sim, especialistas na arte de fazer o que fazem - e como fazem -, com ou sem sotaques.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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