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ALVO OU PRETEXTO?

Trump não recua, negocia: o caso do ministro é maior do que o próprio STF

Tudo indica que há um jogo geopolítico em curso e o ministro Alexandre de Moraes é apenas personagem central do embate; a conta chega.

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  • Por Olavo Dutra | Especial
  • 15/12/25 11:00
Trump não recua, negocia: o caso do ministro é maior do que o próprio STF
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decisão atribuída ao governo dos Estados Unidos de suspender ou neutralizar a ofensiva baseada na Lei Global Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes provocou barulho imediato nas redes brasileiras. Para uns, a narrativa ruiu; para outros, Moraes venceu. Ambas as leituras erram o foco.

 

“Cumpram seus compromissos”: advertência reiterada pelo governo Trump ao governo brasileiro sugere bem mais do que imagina a vã filosofia/Fotos: Divulgação.

Quando Donald Trump entra em cena, gestos não são morais nem ideológicos. São transacionais. Trump não recua por convencimento: reposiciona para negociar. E o episódio envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal parece menos um ponto final e mais um movimento dentro de um tabuleiro maior.

Sanção ou pressão?

Até aqui, não há comprovação pública inequívoca de que Alexandre de Moraes tenha sido formalmente incluído, nos moldes clássicos, na lista ativa de sancionados pela Lei Magnitsky. O que existiu foi algo politicamente mais eficiente: a construção de uma ameaça plausível, alimentada por parlamentares republicanos, plataformas digitais em litígio com o STF e influenciadores conservadores internacionais.

A Magnitsky funcionou mais como instrumento de pressão diplomática do que como sanção jurídica consumada. Nesse contexto, a chamada “retirada” da medida deve ser lida como sinal político - não como absolvição nem chancela externa.

No centro do símbolo

Alexandre de Moraes tornou-se personagem central de um embate que ultrapassa o Judiciário brasileiro. O núcleo do conflito está na capacidade dos Estados de regular plataformas digitais e impor limites a empresas que concentram poder econômico, informacional e político.

Não por acaso, companhias como Rumble e atores ligados à Trump Media judicializaram decisões do STF nos Estados Unidos. A disputa deixou de ser doméstica. Tornou-se geopolítica. Moraes virou o rosto visível de um modelo que incomoda interesses globais - tanto quanto serve de bandeira política.

O que Washington quer

O interesse real dos Estados Unidos não é o destino individual de um ministro do STF. O foco está em ativos estratégicos, mercados e alinhamentos. As terras raras brasileiras, essenciais para tecnologia de ponta, defesa e transição energética, estão no radar de Washington há anos, especialmente na tentativa de reduzir a dependência da China. 

Nota do redator: com o aval do governo Lula, o governo chinês assumiu o controle acionário das minas de Pitinga, no Amazonas, e de Barro Alto, em Goiás, para exploração de minerais estratégicos nas chamadas terras raras.

Somam-se a isso temas sensíveis: regulação de plataformas, tributação de big techs, satélites, conectividade e cooperação em segurança. Nada disso é novo. O que mudou foi o timing - e o uso do conflito institucional brasileiro como alavanca.

Negócios em andamento

Nos bastidores, há sinais consistentes de recomposição das relações entre Brasília e Washington, após um período de desgaste marcado por acusações de censura, violações de direitos e entraves comerciais. Tarifas, vistos e cooperação bilateral entraram na mesa.

Assim, a neutralização da ofensiva política contra Moraes teria sido tratada como condição mínima para destravar negociações mais amplas - não para proteger o ministro, mas para retirar um foco de instabilidade institucional.

A fala do advogado Martin De Luca, ligado à Trump Media, reforça essa leitura. Ao afirmar que a suspensão não seria definitiva e dependeria do cumprimento de compromissos pelo Brasil, deixou claro: o jogo continua.

Bastidores e cautela

Circula, ainda, o nome de Joesley Batista como possível articulador informal. Não há prova documental nem confirmação oficial. O jornalismo responsável registra o indício sem transformá-lo em fato consumado - mas também sem ignorar que rearranjos desse porte raramente ocorrem sem operadores experientes nos bastidores.

O ponto central

Não houve vitória nem derrota. Houve negociação. Moraes pode até ser o alvo aparente, mas tudo indica que é, sobretudo, pretexto. O conteúdo real envolve soberania regulatória, ativos estratégicos e o lugar do Brasil num cenário global cada vez mais disputado.

Trump não mete prego sem estopa.  Se houve recuo, houve cálculo. E, na geopolítica, o custo raramente aparece na primeira manchete, mas sempre chega.

Papo Reto

Antes mesmo da festa natalina que oferece hoje no Palácio do Governo, o governador Helder Barbalho (foto) cuidou de encaminhar aos prefeitos um outdoor com recomendação expressa de fixem em seus municípios.

•Cada prefeito assina como “apoio”. O pedido é feito de forma bastante gentil para evitar recusas, por assim dizer. São 144 peças.

Sobre a prescrição do processo criminal envolvendo o traficante Marcola, do PCC, que inicialmente investigou 175 pessoas, seguem algumas conclusões de quem conhece do riscado.

•No Judiciário penal, processos com mais de 10 réus são de difícil condução. Prato cheio para advogados. 

Há crimes de penas leves que vão prescrevendo no meio da confusão e crimes como tráfico de drogas que exigem rápida solução, mas ficam amarrados com crimes de lavagem de dinheiro - pesquisas em bancos, cartórios, imposto de renda de terceiros...

•A investigação da polícia é espalhafatosa, mas exige complementação e aí começa o problema, agora com o MP, cobrando provas.

Por mais gigante que seja o processo, o quase centenário Código de Processo Penal tem a solução: o desmembramento.  

•O contrário exige uma estrutura que só agora chegou: a inteligência artificial - o computador como ferramenta vai ajudar a localizar tudo o que envolve o réu. Só não vai julgar.

•Hugo Motta lamentou os transtornos decorrentes da ação da Polícia Legislativa para retirada do deputado Glauber Braga da Mesa da Câmara. 

•O presidente ressaltou seu compromisso com a livre atividade da imprensa e com a transparência da Casa, e determinou a investigação dos agentes de segurança que agiram de forma violenta contra jornalistas. Tá bom, presidente.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.