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Histórico

Theatro da Paz torna-se primeiro Patrimônio Mundial da Unesco da região Norte

Candidatura conjunta com o Teatro Amazonas, em Manaus, que também foi eleito, contou com empenho coletivo dos entes federais e estaduais

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  • Da Redação
  • 27/07/26 11:09
Theatro da Paz torna-se primeiro Patrimônio Mundial da Unesco da região Norte

BeA espera terminou e trouxe boas notícias. Às 4h20, no horário de Brasília, o Theatro da Paz, em Belém, e o Teatro Amazonas, em Manaus, passaram a ser inscritos na Lista do Patrimônio Mundial, na 48ª sessão do Comitê de Patrimônio Mundial da Unesco, realizada em Busan, na Coreia do Sul, nesta segunda-feira, 27, e tornaram-se os primeiros Patrimônio Mundial Cultural da Região Norte do Brasil.


Proposta


lém, PA - A proposta de reconhecimento foi formalizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em parceria com o Ministério da Cultura (MinC) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE), com colaboração das Secretarias de Cultura do Amazonas e do Pará, se baseou numa candidatura conjunta dos dois teatros. Com isso, os dois passam a figurar juntos na lista da Unesco, sob a designação “Teatros da Amazônia”.


Com a aprovação, o Iphan conseguiu superar os problemas na candidatura do Brasil, e defendia a inclusão dos teatros juntos, reconhecidos pelo conjunto. Já o parecer técnico do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios, ligado à Unesco, sugeria que apenas o teatro Amazonas fosse inscrito.


O órgão apresentou argumentos de que os dois teatros conversam entre si. "Eles têm uma relação de complementaridade", afirma Deyvesson Gusmão, presidente do Iphan. Segundo ele, há uma ligação do contexto histórico, econômico e político em comum na época da construção dos dois teatros, muito importantes na formação urbana das duas metrópoles da Amazônia.


A reunião do comitê é a etapa final de um longo processo, que começa com a inscrição feita pelos próprios países e passa por avaliações técnicas de órgãos independentes. O grupo, presidido pelo diplomata Lee Byong-Hyun, analisa em conjunto os textos apresentados pelas candidaturas, que devem seguir uma série de regras.


História


Os dois nasceram em contexto histórico próximo, o Ciclo da Borracha, tempos que transformaram as duas capitais em centros cosmopolitas, que trouxe a chamada Belle Époque. Inaugurado em 1878, o Theatro da Paz foi a primeira casa de espetáculos monumental do Norte e é uma das maiores obras neoclássicas do Brasil.


O Teatro Amazonas, de 1896, é um dos mais icônicos palcos líricos erguidos no país e um dos maiores exemplares do ecletismo brasileiro, e tem uma cúpula com cerca de 36 mil peças de cerâmica nas cores nacionais.


Mais de um século depois, os dois teatros seguem vivos, com orquestras, óperas e festivais. O reconhecimento não se limita apenas aos edifícios: a praça da República, em Belém, e o Largo de São Sebastião, em Manaus, integram as áreas protegidas.


A historiadora Marcela Araújo, formada pela UFPA, disse que espera que a conquista desperte ainda mais orgulho, valorização e compromisso com a preservação do patrimônio histórico. "Proteger esses espaços é preservar a história de quem fomos, e do que queremos deixar para as próximas gerações. Hoje é um dia histórico para a cultura amazônica nortista e para o Brasil", complementou.


Da Paz


O Theatro da Paz, fundado em 15 de fevereiro de 1878, foi a primeira casa de espetáculos da Amazônia e um dos teatros-monumentos mais luxuosos do Brasil. Projetado pelo engenheiro pernambucano José Tibúrcio Pereira Magalhães, seu desenho externo foi fortemente inspirado no famoso teatro Scala de Milão, na Itália.


Toda a sua estrutura interna ostenta materiais luxuosos trazidos da Europa, incluindo grandes lustres de cristal francês, mármore italiano e grades de ferro inglês. A sala de espetáculos foi planejada milimetricamente para atingir uma acústica perfeita, com capacidade original de 1.100 espectadores, e após reformas para modernização e conforto, comporta atualmente 900 lugares.


O teto da sala de espetáculos exibe uma pintura do artista Domenico de Angelis que retrata deuses da mitologia greco-romana. A obra ilustra Apolo guiando Afrodite em direção à própria Amazônia. Inicialmente batizado como Theatro Nossa Senhora da Paz, o nome foi escolhido para celebrar a assinatura do tratado de paz que encerrou a Guerra do Paraguai.


Na sala principal, as icônicas poltronas mantêm o assento feito de palha de carnaúba (palhinha), que não foi escolhido apenas pela estética, mas sim para amenizar o calor úmido de Belém nos trajes pesados da elite da época e por não abafar o som que vem do palco. Por isso, a acústica do Da Paz é considerada uma das melhores do Brasil.


Futuro


O Iphan destaca que o título trará visibilidade internacional aos prédios históricos e uma perspectiva de aumento de turismo e economia na região, mas que exigirá um plano de gestão com estratégias e conservação das edificações.


O primeiro passo agora será construir esse plano de gestão que vise a conservação e promoção. Essa etapa é uma exigência da agência das ONU e os países são os únicos responsáveis pela manutenção dos seus patrimônios.


A Reserva da Biosfera da Amazônia já é reconhecida como um patrimônio natural mundial desde 2000. Com a adição dos dois teatros, o Brasil acumula atualmente 26 patrimônios mundiais; um misto - Paraty e Ilha Grande, no estado do Rio de Janeiro -, nove naturais e 16 culturais.


Foto: Agência Pará

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.