Plano da Prefeitura de Belém para dispersar as aves confirma diagnóstico antigo: falta de resgate e risco à saúde pública.
Praça Batista Campos, um dos principais cartões-postais de Belém, vive um problema que há tempos deixou de ser apenas ambiental. Depois de meses de reclamações sobre o forte odor provocado pelos dejetos das garças, a coluna passou a receber denúncias de frequentadores sobre aves encontradas mortas ou debilitadas, além da dificuldade de atendimento aos animais.

Na terça-feira, 14, a Prefeitura de Belém iniciou um plano emergencial para reduzir a concentração das aves. As ações incluem lavagem e desinfecção diária da praça, recolhimento das aves mortas, atendimento aos animais feridos e a retirada da principal fonte de alimento das garças: as tilápias que hoje dominam os lagos.
A medida, na prática, confirma uma avaliação feita há meses por especialistas e pessoas que acompanham a situação da praça.
Segundo a veterinária da prefeitura Ellen Eguchi, a migração das garças para a Batista Campos vinha sendo observada há algum tempo, mas a combinação entre as grandes árvores e a abundância de tilápias criou as condições ideais para que as aves permanecessem no local.
Muito antes do anúncio oficial, uma fonte da coluna já apontava exatamente esse fator como responsável pela explosão da população de garças.
Segundo ela, os lagos da Batista Campos - assim como ocorreu na Praça da República - já chegaram a abrigar pirarucus. Após sucessivas tentativas de pesca clandestina, os peixes foram retirados e substituídos por tilápias, espécie de rápida reprodução e que acabou se transformando em um verdadeiro banquete permanente para as aves.
Em tom de brincadeira, mas resumindo o diagnóstico, a fonte comentou: - Não vão conseguir tirar as garças da praça. O ideal é secar os lagos e promover uma grande "caça às tilápias".
Curiosamente, a solução agora anunciada pela prefeitura segue exatamente essa lógica: retirar dos lagos a principal fonte de alimento das aves. Resta saber para onde serão levadas as tilápias e qual será o destino desse material.
Enquanto o poder público tenta reduzir a população de garças, aumentam as denúncias sobre a morte das aves. Frequentadores relatam já ter presenciado garças caindo mortas durante caminhadas pela praça. Em um episódio recente, uma ave debilitada foi encontrada ainda viva, enquanto outra permanecia morta no chão, cercada por urubus. Há também reclamações sobre a dificuldade de acionar os órgãos responsáveis pelo resgate da fauna silvestre.
Uma moradora contou que tentou socorrer uma garça ferida há cerca de duas semanas. Segundo ela, após contato com o Batalhão de Polícia Ambiental, foi orientada a procurar a Agência de Defesa Agropecuária do Estado (Adepará). Sem atendimento imediato, o animal acabou morrendo.
Moradores afirmam que buscaram auxílio junto ao Centro de Controle de Zoonoses e à própria Adepará, mas dizem não ter recebido uma resposta efetiva para o problema.
Alguns frequentadores levantam, inclusive, a suspeita de que parte das mortes possa não decorrer apenas de causas naturais. Até o momento, porém, não há confirmação oficial sobre essa hipótese.
O problema ganhou outra dimensão em abril deste ano, quando veio a público o caso de um fisioterapeuta de 53 anos que morreu em decorrência de uma grave infecção fúngica associada à exposição a fezes de garças na Praça Batista Campos. Desde 2023, moradores reclamam da concentração de dejetos e do forte odor na praça. A morte transformou um problema ambiental em uma preocupação também sanitária. Os ambulantes que trabalham no local afirmam que as vendas despencaram. Segundo eles, muitos clientes evitam permanecer na praça por causa do cheiro e do receio de serem atingidos pelas fezes das aves. Apesar da presença frequente das equipes de limpeza urbana, bancos, brinquedos infantis e áreas de convivência continuam sendo constantemente atingidos pelos dejetos.
Agora, a retirada das tilápias passa a ser a principal aposta da prefeitura para reduzir a presença das garças. A eficácia da medida, no entanto, ainda dependerá do comportamento das aves e da recuperação do equilíbrio ambiental de um dos espaços públicos mais tradicionais de Belém.

•A governadora Hana Ghassan (foto) sancionou lei que garante a templos religiosos e escolas confessionais no Pará o direito de definir o uso de banheiros pelo sexo biológico, e não pela identidade de gênero.
•O tema é sensível, mobiliza convicções religiosas, direitos individuais e certamente ainda vai parar nos tribunais. Afinal, quando política e costumes se encontram, o debate raramente termina com a sanção da lei.
•Quando o relógio corre mais rápido que o debate, convém prestar atenção. Em apenas dez minutos, o Senado aprovou projeto que reduz a proteção de 486 mil hectares da Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará, abrindo espaço para regularização de ocupações privadas e mineração.
•A velocidade da tramitação foi inversamente proporcional ao tamanho do impacto ambiental e político da decisão. Agora, a palavra final está nas mãos do presidente Lula.
•O Tribunal de Contas da União decidiu liberar o pagamento integral de gratificações por função de chefia a servidores do próprio tribunal e do Congresso Nacional, mesmo quando a remuneração ultrapassar o teto constitucional, hoje de R$ 46.366,19.
•Pela regra anterior, quem já recebia próximo ao limite tinha a gratificação reduzida ou cortada. A mudança pode beneficiar cerca de 25,7 mil servidores e gerar impacto de R$ 211 milhões.
•O ministro Flávio Dino, do STF, criticou a atuação de assessores jurídicos de prefeituras em casos envolvendo irregularidades no uso de emendas parlamentares.
•Segundo Dino, municípios pequenos, com 3 mil a 4 mil habitantes, conseguem executar milhões de reais em emendas com “precisão técnica exemplar”, mas sem a mesma preocupação ética.
•O ministro também cobrou da OAB maior capacitação ética dos advogados que prestam assessoria a prefeituras.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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