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LEGENDÁRIOS

Sínodo Presbiteriano considera movimento incompatível com seu princípio doutrinário

Decisão deve ser anunciada no final deste mês; no Pará, franquia é coordenada pelo filho do pastor Samuel Câmara.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 21/07/26 12:00
Sínodo Presbiteriano considera movimento incompatível com seu princípio doutrinário
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Igreja Presbiteriana do Brasil deve decidir, no fim deste mês, se o movimento Legendários - que se apresenta como uma iniciativa para “restaurar o verdadeiro potencial masculino” - pode ser considerado incompatível com os princípios doutrinários da denominação. A discussão está prevista para ocorrer durante o Supremo Concílio, que começa no próximo domingo, 26.

 

Movimento é considerado uma máquina de fazer dinheiro: cada edição custa cerca de R$ 2 mil por participante/Fotos: Divulgação.

O movimento se espalha em estilo de franquia por todos os Estados do Brasil e, no Pará, está sob a responsabilidade do pastor Philipe Câmara, filho do líder da Assembleia de Deus no Estado, o também pastor Samuel Câmara, e movimenta uma verdadeira fortuna a cada edição de acampamento dado o valor que precisa ser pago por cada participante: algo em torno de R$ 2 mil.

Em abril do ano passado, reportagem do Portal G1 mostrou que algumas pessoas chegaram a pagar até R$ 81 mil para “subir a montanha”, como é chamado o retiro realizado pelo movimento. Em nota, no entanto, a liderança nacional do movimento alegou que o fato “se deu em função de um erro técnico de sistema na página de inscrições e que nenhum participante jamais pagou esse valor”.

Possível expulsão

A análise sobre a possível “expulsão” da doutrina presbiteriana será baseada em um parecer elaborado pelo Sínodo do Tocantins. O texto recomenda que integrantes da igreja, entre eles pastores, presbíteros e diáconos, deixem de participar ou incentivar o Legendários.

O que não fica claro, porém, é o rumo que tomará o movimento em locais onde o Legendários é coordenado por outras denominações, como no caso do Pará, cuja responsabilidade pelos integrantes está sob a tutela de um pastor da Assembleia de Deus. A credibilidade, no entanto, tende a despencar caso a igreja confirme a exclusão do movimento.

Para se tornar um legendário, os homens precisam passar 72 horas em uma montanha sem contato com o mundo exterior, e superar desafios físicos e espirituais. Levar uma Bíblia é requisito obrigatório. O objetivo é alcançar uma "nova relação" com Deus, com a promessa de que os participantes se tornarão melhores maridos e pais.

Justificativas da decisão

Na avaliação dos autores do documento, o programa contraria a tradição reformada das igrejas protestantes ao adotar métodos ligados ao coaching. O parecer sustenta que essa abordagem relativiza a suficiência das Escrituras e da obra de Jesus Cristo.

Caso seja aprovado pelo Supremo Concílio, o documento servirá como orientação oficial para toda a Igreja Presbiteriana do Brasil. Além disso, poderá subsidiar os conselhos regionais na análise da situação de membros que optarem por permanecer vinculados ao movimento.

O parecer também critica a incorporação de práticas inspiradas no ambiente corporativo, como técnicas motivacionais e estratégias de marketing, entre eles, gritos de guerra, o uso de camisetas padronizadas e a identificação numérica dos participantes - incluindo situações em que Jesus Cristo seria chamado de “Legendário 001”. Segundo o documento, esses elementos representam um “nítido desvio” do Evangelho.

 Os riscos da unidade

Outro ponto levantado é que atividades como restrição alimentar, esforço físico intenso e pressão psicológica podem provocar estados emocionais posteriormente interpretados como experiências espirituais. O parecer ainda alerta que o movimento pode estimular uma divisão entre os chamados “legendários” e os demais membros da igreja, comprometendo a unidade das congregações e enfraquecendo a autoridade de pastores e conselhos.

Por fim, o documento afirma que o Legendários apresenta características associadas ao neopentecostalismo e conclui que elas são inconciliáveis com a tradição reformada da Igreja Presbiteriana do Brasil, defendendo que práticas dessa natureza não substituam a centralidade das Escrituras nem o papel da igreja.

Mais de 100 mil adeptos 

Nascido na Guatemala, em 2015, com o propósito de "restaurar o verdadeiro potencial masculino", e hoje com mais de 100 mil adeptos no mundo, o movimento cristão Legendários se espalhou no Brasil com o impulsionamento de celebridades e políticos.

Até agora, ao menos 17 cidades, incluindo as capitais Campo Grande, Cuiabá e Vitória; e dois Estados - Mato Grosso e Paraná - já instituíram como lei o Dia dos Legendários.

Além disso, integrantes com maior influência econômica deste movimento que só tem homens passaram a incorporar práticas ligadas ao universo financeiro como uma forma de prosperidade, para atrair novos participantes.

No Brasil desde 2017, quando chegou em Balneário Camboriú (SC), o movimento não está ligado a uma religião específica, embora a maioria dos eventos esteja vinculada a grandes denominações evangélicas.

Papo Reto

Das esquisitices da gestão Igor Normando (foto): a Secretaria de Saúde de Belém “desmente fake news” sobre falta de pediatra no PSM da 14.

•A Secretaria esclarece que “a prestação do serviço mencionado é de responsabilidade da empresa terceirizada, que está com os pagamentos em dia”. 

Segundo a Sesma, “não há greve” e a denúncia sobre a restrição dos atendimentos não procede.

•E mais não disse: nem mesmo sobre a suposta contratação de recém-formados para responder pelo serviço, pagos no ato. 

Sobre a privatização do serviço de água, a concessionária Águas do Pará informa que o abastecimento e o esgotamento sanitário estão vinculados ao pagamento das faturas referentes, de acordo com contrato.

•No caso de órgãos públicos, o procedimento é planejado e escalonado, priorizando o diálogo e a busca por soluções. Antes da adoção de qualquer medida, são realizadas tentativas de negociação.

Com referência à Prefeitura de Ananindeua, a concessionária permanece aberta ao diálogo. Então é um esperando pelo outro.

•Um prefeito não pode ser responsabilizado por um erro que só um engenheiro conseguiria enxergar, concluiu o Tribunal de Contas da União, a partir da tese fixada no Acórdão 2.749/2026, da Segunda Câmara, ao julgar o colapso parcial de uma obra pública em município do Pará.

Ou seja, assinar um relatório não é mais sinônimo de responsabilidade técnica automática. Mais do que nunca, quem projeta, mede ou fiscaliza precisa entender e dominar ferramentas como o TransfereGov e o Obras.gov, que já não são opcionais, mas obrigação profissional.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.