Deputada diz que pré-candidatos apenas “constam” na disputa e afirma que irá conversar com eles depois de outubro.
m um ambiente político onde a prudência costuma ser considerada virtude estratégica, declarações atribuídas à deputada federal Renilce Nicodemos, do MDB, em uma reunião durante a semana na antessala do ex-governador Helder Barbalho, provocaram desconforto entre aliados e potenciais adversários.

A fala teria sido direcionada não apenas a uma pré-candidata à Câmara Federal, mas também a parlamentares que disputarão a própria reeleição. O episódio ganhou repercussão nos bastidores por transmitir a ideia de que o resultado eleitoral já estaria definido, com a própria Renilce se colocando entre os nomes garantidos para retornar a Brasília.
Segundo participantes da reunião, a deputada foi além e teria afirmado que conversaria com aqueles candidatos apenas após as eleições de outubro, numa manifestação interpretada pelos presentes como demonstração de excessiva confiança no próprio desempenho eleitoral.
O episódio chama atenção porque ocorre em um momento em que lideranças partidárias buscam justamente estimular a competitividade interna e ampliar o número de candidaturas viáveis.
Ao desestimular correligionários e potenciais aliados, o discurso produz efeito contrário ao esperado por partidos que dependem de nominatas fortes para ampliar suas representações.
Na política paraense, a memória eleitoral costuma ser implacável com demonstrações de vitória antecipada. O eleitor frequentemente reage mal a sinais de distanciamento, soberba ou excesso de certeza por parte de quem ainda precisa enfrentar as urnas. Por isso, a repercussão das declarações ultrapassou o ambiente restrito da reunião e passou a ser comentada em diferentes grupos políticos.
Além das falas dirigidas aos adversários, a trajetória recente de Renilce também foi marcada por episódios que geraram forte repercussão pública. Em 2024, a deputada protagonizou o rompimento definitivo com o ex-deputado Wladimir Costa, de quem foi aliada política e que chegou a ser padrinho de seu casamento.
As denúncias apresentadas por Renilce resultaram em investigações e na prisão preventiva do ex-parlamentar por crimes relacionados à violência política de gênero e perseguição contra a deputada.
Outro episódio que provocou questionamentos ocorreu quando a parlamentar retirou sua assinatura do projeto que equiparava o aborto ao homicídio. Renilce declarou posteriormente que havia apoiado a proposta sem conhecer integralmente seus efeitos jurídicos, especialmente em casos envolvendo vítimas de estupro. A mudança de posição gerou críticas tanto de apoiadores quanto de opositores da matéria.
Mais recentemente, vieram a público informações de que a deputada teve problemas com a justiça após denúncia do Ministério Público do Pará em um caso envolvendo porte irregular de arma de fogo durante tentativa de embarque no Aeroporto Internacional de Belém.
O caso acrescentou novo capítulo à sequência de controvérsias que acompanham sua atuação política e mantêm seu nome em evidência no noticiário paraense.
·Passou quase despercebida a homologação de um pregão eletrônico do Instituto de Gestão Previdenciária e Proteção Social do Pará (Igepps), mas o valor chama atenção: R$ 62,24 milhões.
·A vencedora foi a Kapa Capital Facilities Ltda., contratada para prestação de serviços terceirizados com fornecimento de mão de obra, materiais e equipamentos.
·O contrato equivale a uma das maiores despesas administrativas recentes do órgão e certamente merece acompanhamento mais atento sobre quantitativos, execução e resultados.
·Em tempos de discurso permanente sobre eficiência e contenção de gastos, sessenta e dois milhões de reais não são exatamente troco de cafezinho.
·A santarena Raimunda Monteiro foi a primeira mulher a comandar a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e agora é a nova secretária-executiva do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável da Presidência da República,
·A nomeação de Raimundinha - vem a ser esposa do deputado federal Airton Faleiro -, foi oficializada com portaria assinada pela ministra Miriam Belchior, da Relações Institucionais.
·Tal e qual a Prefeitura de Belém, o governo do Pará não está bem colocado no Índice de Transparência das Remunerações divulgado pela Transparência Brasil. Ocupa a 16° posição entre as 27 unidades federativas. A prefeitura ocupa a última posição.
·O índice avaliou a qualidade da divulgação dos contracheques de servidores públicos nos Executivos estaduais, no Distrito Federal e nas capitais brasileiras e chama atenção para a dificuldade de acesso aos dados completos da folha de pagamento, mesmo após pedidos feitos via Lei de Acesso à Informação.
·No Pará, o relatório aponta que o modelo de contracheque disponível no portal tem limitações, sendo uma delas a ausência do CPF parcial dos servidores.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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