Servidor é acusado de vazar informações para a imprensa e tentar atrapalhar as investigações
São Paulo, 23 - O procurador-geral da República, Paulo
Gonet, enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) denúncia contra o ex-servidor
do Tribunal Superior Eleitoral Eduardo Tagliaferro Ex-assessor do ministro
Alexandre de Moraes, Tagliaferro é acusado de vazar informações para a imprensa
e tentar atrapalhar as investigações.
Na denúncia, Gonet ainda diz que o ex-servidor tentou colocar em dúvida a
legitimidade do processo eleitoral e prejudicar as investigações sobre atos
anti-democráticos. Mensagens trocadas entre Tagliaferro e juízes auxiliares de
Moraes foram divulgadas pela imprensa. Em sua rede social, o ex-servidor se
identificar como "perito em computação forense perseguido politicamente
por Alexandre de Moraes". A defesa de Tagliaferro não foi localizada
A denúncia imputa ao ex-servidor os crimes de violação de sigilo funcional,
coação no curso do processo, obstrução de investigação de infração penal que
envolva organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado
Democrático de Direito.
"Tagliaferro, de maneira livre, consciente e voluntária, no período
compreendido entre 15.05.2023 e 15.08.2024, violou sigilo funcional, ao revelar
à imprensa e tornar públicos diálogos sobre assuntos sigilosos, que manteve com
servidores do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral na
condição de Assessor-Chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à
Desinformação do TSE, para atender a interesses ilícitos de organização
criminosa responsável por disseminar noticias fictícias contra a higidez do
sistema eletrônico de votação e a atuação do STF e TSE, bem como pela tentativa
de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito",
diz a denúncia.
Segundo o Ministério Público, Tagliaferro teria repassado à imprensa
"diálogos confidenciais" com intuito de interferir na
"credibilidade e lisura das investigações". Em agosto de 2024, o
jornal Folha de S. Paulo divulgou diálogos entre servidores da Assessoria
Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED), órgão do TSE subordinado à
presidência da Corte Eleitoral. Durante as eleições de 2022, o posto foi
ocupado por Moraes.
As mensagens relevaram que a assessoria, então chefiada por Tagliaferro, foi
acionada para munir inquéritos de Moraes no STF Em nota, o gabinete de Moraes
afirmou que, no curso dos inquéritos, fez solicitações a inúmeros órgãos,
incluindo o TSE. Segundo o magistrado, todas as ações foram feitas seguindo os
termos regimentais.
Entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Tagliaferro tornou-se um
exemplo das arbitrariedades praticadas por Moraes.
Fonte: Estadão conteúdo
Foto: Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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