Iniciativa também representa mais empregos, mais investimentos em tecnologia e melhoria na infraestrutura de distribuição
A inclusão do peixe na cesta básica pode se transformar numa política pública transformadora, com benefícios desde a geração de renda no campo até a melhoria da saúde pública.
Demanda antiga do setor, a inclusão do peixe na cesta básica do brasileiro é, sem dúvida, uma medida com grande potencial para impactar positivamente vários setores da economia e até a saúde da população. A aposta do setor do pescado fundamenta-se no fato de que a cesta básica é um referencial de alimentos essenciais, inclusive com isenção de impostos e preços mais acessíveis.
Ou seja, incluir o peixe - principalmente opções mais baratas como sardinha, pescada ou tilápia congelada - no "pacote", colocaria uma fonte proteica de altíssima qualidade ao alcance de milhões de famílias de baixa renda, que hoje, bem verdade, consomem pouco pescado, já que o Brasil tem um consumo per capita muito abaixo do patamar recomendado pela FAO/OMS.
Sim, estimular o consumo de peixes é combater as deficiências nutricionais crônicas da população, fornecendo-lhe proteínas, ômega-3, vitaminas e minerais importantes para o desenvolvimento cognitivo e a saúde cardiovascular.
Por outro lado, seguramente, a medida impulsionará a cadeia produtiva, pois a demanda garantida e continuada, em larga escala, gerará um estímulo direto para a aquicultura e para a própria pesca artesanal brasileira.
Sabe o que isso significa? Mais empregos, mais investimentos em tecnologia e melhoria na infraestrutura de distribuição.
A diversificação da dieta é um outro aspecto importante dessa medida, pois ajudará a reduzir a excessiva dependência da proteína vermelha e do frango, diversificando a produção agropecuária.
Os desafios, no entanto, não são pequenos, já que o peixe é um produto perecível, que exige cadeia de frio eficiente do produtor ao consumidor final. Este é um dos maiores obstáculos a serem contornados, pois essa infraestrutura ainda é deficiente em muitas regiões do País, podendo encarecer o produto, alem de aumentar o desperdício.
Além disso, tem a questão do hábito cultural, já que o brasileiro, de um modo geral fora das regiões litorâneas e Semana Santa, não tem o hábito de consumir peixe com frequência. Portanto, será necessário um trabalho de educação e boa divulgação sobre os preparos, variedades e benefícios que o peixe representará no dia a dia das famílias.
Outro desafio hercúleo a considerar será garantir que o produto ofertado na cesta básica tenha origem regulamentada, seja inspecionado e mantenha boa qualidade. Isso exigirá o fortalecimento da vigilância sanitária.
A definição de quais espécies e cortes (fresco, congelado, enlatado) farão parte da cesta é crucial para o sucesso da política pública. Opções enlatadas (sardinha e atum) possuem logística mais simples, porém peixes frescos ou congelados têm maior valor agregado para a cadeia produtiva nacional.
Finalmente, a aposta do setor é válida e otimista. Incluir o peixe na cesta básica será uma política transformadora, com benefícios que vão desde a geração de renda no campo até a melhoria da saúde da população.
Foto: Freepik
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Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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